domingo, setembro 02, 2007
Privatização
Gustavo / 8:51 PM
Posto aqui porque divido o blog com alguém que entende do assunto e que vai ler no google reader e está offline no MSN (oi, Frost, como vai?).

Ao post. Se você freqüenta este blog deve ser a favor de privatizar tudo que é coisinha, não? Uma pergunta que me veio: como privatizar? Na verdade, a dúvida maior é outra: como privatizar coisas inúteis? Quer dizer, talvez a forma mais correta de privatizar um hospital seja doá-lo aos funcionários (se não me avisem, sim?). Mas e uma empresa de transporte urbano, que fazer com ela? O transporte deve ser desregulamentado e a empresa extinta. Que fazer com o prédio? Leiloar e dividir seu valor entre os funcionários foi minha primeira resposta, e também a que me pareceu mais certa.

Mas o fato é que é impossível reverter com justiça os danos que o governo causou a toda a sociedade para construir aquele prédio e manter a empresa durante anos e que os únicos beneficiados eram justamente aqueles que trabalhavam ali (claro, não é possível culpá-los, mas é um fato). A única justificativa que achei para que os prédios públicos sejam doados aos funcionários (incluindo aí os hospitais e tudo mais) não me parece mais que alguma apelação da minha formação cristã: eles ficariam desamparados - exatamente como estavam antes.

Agora, refletindo, claro que o desamparo seria culpa do Estado, que os tirou do mercado competitivo, não exigiu especializações etc. E o povo, que tem a ver com isso? É essa a ligação que não acho: por que o povo de um país deve amparar os que foram desamparados pelo Estado? Não tenho muito a ver com o emprego de nenhum funcionário da EMTU, reguladora aqui de Recife. Por que meus impostos devem construir um prédio para ser doado a quem vai trabalhar nele? Talvez - eis-me defendendo a democracia - um leilão de tudo, com plebiscito sobre onde e como aplicar fosse a medida mais justa. Mas surge outro problema, que eles não acabam jamais: como fazer essa votação? Eleições diretas seriam injustas por dois motivos: há mais pobres que ricos e mais impostos de ricos que de pobres (geralmente). Isso tenderia a distorcer também a devolução mais próxima possível da justa.

É isso. Fique à vontade pra responder com outro post, Frost. A casa é sua, fica com Deus.