terça-feira, janeiro 01, 2013
Notas sobre a importância da educação
Gustavo / 9:33 AM

A educação é o maior fetiche do mundo, a panacéia social. Liberais acreditam que a educação possibilitará que as pessoas se oponham ao comunismo. Comunistas acham que a educação trará mais pessoas para o seu lado. Criminologistas divulgam que a educação reduzirá a criminalidade. Social-democratas, de pés juntos, juram que a educação é a melhor forma de combater a fome e a pobreza. A educação, na verdade, não passa de inculcar nas pessoas valores éticos absolutos e conhecimentos para as ciências exatas, e deixar que as pessoas decidam o que fazer com essas informações. O resto é doutrinamento, ou arte.

Mas o doutrinamento só é admitido como doutrinamento, é claro, quando trata da idéia oposta. Ninguém pode ser doutrinado na minha concepção de mundo, porque, segundo minha mente, é a concepção correta, o que implicaria uma verdade incontestável em todos os seus aspectos e, logo, um valor absoluto. E por mais que eu de fato esteja recheado de idéias incontestáveis, sempre haverá uma área cinza, sempre existirá um ponto de dúvida ou de erro nas minhas crenças que eu, se fosse educador, passaria adiante como verdade - doutrinando sem saber (não quero implicar que doutrinamento é necessariamente algo incorreto, apenas que deixa de ser educação, embora continue mascarado nessa forma, quando as informações levadas adiante são falsas).

Já os social-democratas, que defendem a educação como cura para a pobreza, estão tão errados quanto se dissessem que a aritmética mata a fome. Existe, até certo ponto, uma relação entre as oportunidades que se tem em determinado local e o nível de educação do indivíduo, claro. Mas, mesmo que esse nível de educação se equilibre e homogeneize, haverá ainda diferença entre as pessoas, a menos que a situação do país seja ideal: todo mundo tem vagas para fazer o que quiser.

A verdade é que já se percebe na prática, hoje, o absurdo dessa idéia. Pessoas diplomadas, formadas nas mais diversas áreas de atuação, passando necessidade em grandes centros. A educação formal só te guiará até o dia em que o mercado estiver saturado de companheiros seus. Desse dia em diante, ela não valerá mais nada.

Qual a solução para tudo, entâo? Não existe. As soluções são múltiplas e individuais - os indivíduos precisam da liberdade para escolher se preferem estudar ou partir cedo para o mercado, ou ainda viver da herança dos pais, ou qualquer que seja sua opção de estilo de vida. A melhor forma de combater a fome é deixando que cada um escolha o que é melhor para si.

O indíviduo deve ter o poder de decidir se prefere uma sociedade individualista ou coletivista, e, caso prefira uma sociedade individualista, não pode ser forçado a viver numa coletivista. Caso prefira uma coletivista, não pode forçar que outros vivam sob seus ideais - mas tem o direito de doutrinar e procurar pessoas que decidam viver consigo numa área qualquer de propriedade deles.

Quanto à criminalidade, não existe nenhuma correlação entre meu domínio de mecânica dos fluidos e meu desejo de me tornar um genocida ou de estuprar ninguém.

O combate à criminalidade também prescinde, portanto, de educação formal: todo bandido sabe que está cometendo um crime, e o faz ciente de sua ilegalidade. Nesse aspecto, não há nada que a educação possa fazer. É, talvez, a forçada de barra da educação que causa esse tipo de reação criminosa - quem não gosta da escola foge, quem foge da escola é alijado do convívio por ter feito algo tão errado. A consciência se esvazia e, então, as dores da exclusão são transformadas em social awkwardness ou revolta/desconsideração pelas regras sociais.

O mesmo acontece com usuários de drogas, e talvez mesmo com os traficantes - como as drogas não são legalmente aceitas, os usuários/comerciantes são marginalizados e reagem a isso com o desdém pelas demais regras, como se a arbitrariedade aparente de uma lei se derramasse sobre todas as outras de forma uniforme e inequívoca. Tanto que, em ambientes onde as drogas são aceitas com maior facilidade, os usuários são menos revoltados e se comportam de maneira socialmente mais adequada.