<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164</id><updated>2012-01-30T00:30:13.874-03:00</updated><title type='text'>contrapolitics</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>84</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-3182829096300321445</id><published>2012-01-30T00:30:00.001-03:00</published><updated>2012-01-30T00:30:13.879-03:00</updated><title type='text'>Existe um ponto ótimo de biodiversidade?</title><content type='html'>Qual seria o nível adequado de proteção à biodiversidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta é menos óbvia do que parece. Hoje em dia a tendência é considerar que a biodiversidade é um bem (público) e que, portanto, é necessária legislação para protegê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, mas quanto? Deve haver um parâmetro para se saber qual o nível de proteção de florestas, rios, mares, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o objetivo da política ambiental, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se enunciar no mínimo duas alternativas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Todas as espécies (animais/vegetais/etc) devem ser preservadas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Ao menos algumas espécies (animais/vegetais/etc) devem ser preservadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opção (1), embora esteja embutida no discurso ecológico da maioria dos ambientalistas, é uma posição extremamente radical que precisa de argumentos muito fortes para ser defendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, a manutenção de espécies insustentáveis tem um custo, e impedir que quaisquer espécies venham a se extinguir é uma empreitada que tem custos muito altos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como argumentar em favor dessa posição é muito difícil, só resta a opção (2) para os que são a favor da biodiversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se você é levado a defender essa alternativa, os argumentos passam a ser pontuais: por que se deve defender determinada espécie? Por que não outra? Quais os benefícios presentes e futuros da manutenção dessas espécies? E assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, defender a biodiversidade em si não é uma posição tão óbvia quanto parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Além do mais, é fato que há vários benefícios na extinção de algumas espécies; o caso mais óbvio é o de bactérias e vírus que causam doenças.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-3182829096300321445?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/3182829096300321445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=3182829096300321445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3182829096300321445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3182829096300321445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2012/01/existe-um-ponto-otimo-de-biodiversidade.html' title='Existe um ponto ótimo de biodiversidade?'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-470695170257777349</id><published>2011-12-05T00:04:00.002-03:00</published><updated>2011-12-05T00:30:51.233-03:00</updated><title type='text'>Sócrates e o sonho cubano</title><content type='html'>Sócrates morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VcCwiWeYw_0"&gt;Assisti à reprise de sua entrevista a Marília Gabriela&lt;/a&gt;; o jogador rasga elogios a Cuba e a Fidel, que representa seu sonho de sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília Gabriela pergunta sobre as perseguições políticas no país. O "doutor" diz que perseguições políticas existem em todo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se existem em todo lugar, existem com a mesma intensidade? Não há diferença entre as perseguições políticas na Europa ocidental e em Cuba? Parece um tanto absurdo comparar a perseguição sistemática de um regime como o cubano a perseguições de outros países (mesmo que também injustificáveis).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates ainda acrescenta que essas perseguições se dão simplesmente porque cada país tem suas leis internas que devem ser respeitadas. Então, se um país prevê nuns livros da legislatura que opiniões políticas de fora da linha do partidão devem ser proibidas, então os dissidentes devem apodrecer em prisão. Isso é justificável? Esse tipo de lei é comparável a qualquer outra lei inócua como uma proibição a avançar um sinal de trânsito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda diz que ao menos são leis do próprio país as que geram as perseguições políticas. Há perseguições, como as da Líbia, que se dão por pressões externas. Eu estou me esforçando muito para saber como isso justifica as atrocidades do regime cubano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também estou tendo muita dificuldade em ver como Sócrates pode conciliar sua crença numa sociedade que se gere de baixo pra cima com a admiração pela autocracia cubana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer uma certa falta de tato, no dia da morte da pessoa, criticá-la desse jeito, mas Sócrates não era um ignorante. Era um sujeito admirado justamente porque era politizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando perguntado sobre as tragédias humanas de Cuba, ele, longe de ignorá-las, resolve justificá-las. Não tenta argumentar contra a existência delas (o que seria absurdo), mas age como se não tivessem importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável que ele não tenha demonstrado nenhuma compaixão para com os cubanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele está fazendo com que seja difícil para mim ter alguma compaixão pela sua morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-470695170257777349?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/470695170257777349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=470695170257777349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/470695170257777349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/470695170257777349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/12/socrates-e-o-sonho-cubano.html' title='Sócrates e o sonho cubano'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-70665463260807627</id><published>2011-10-18T22:48:00.003-03:00</published><updated>2011-10-18T23:40:52.279-03:00</updated><title type='text'>Compêndio de ideias infelizes defendidas por liberais</title><content type='html'>Ser liberal é trabalhoso às vezes porque nós temos que defender gente que admiramos das próprias bobagens que escreveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é perfeito, claro, e se a gente entra por esse caminho, é difícil alguém sair intacto. Sócrates admirava o sistema de governo espartano, Aristóteles achava o temperamento intempestivo dos persas uma justificativa para escravizá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proudhon era bastante machista e anti-semita. Nem vou começar a listar as credenciais de Karl Marx, para não machucar nossos amigos esquerdistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para poupar o trabalho dos anti-liberais, tentei reunir aqui algumas posições ou atitudes no mínimo infelizes de gente famosa associada ao liberalismo. Claro que não consegui reunir todas, só algumas que lembrei no momento. A lista foi preparada para nos poupar de discussões infrutíferas, porque nosso tempo na terra é limitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um work in progress. A lista não tem qualquer ordem definida. Foram só os casos de que me lembrei na hora de escrever. Aceito sugestões para adições, se alguém aí lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mises elogia o fascismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1927, uma passagem de Mises em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Liberalism&lt;/span&gt; elogia o fascismo, falando que era um movimento com as "melhores intenções" e que sua intervenção pontual havia "salvado a civilização Europeia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; Nos anos 20, o fascismo era a vanguarda e era considerado o máximo por toda o beautiful people. Só mais tarde todo mundo se tocou que não foi uma boa ideia ficar ao lado de um totalitarismo para evitar outro. Com Mises foi o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mises defende o serviço militar obrigatório&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda e terceira edições de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Human Action&lt;/span&gt;, Ludwig von Mises defende o serviço militar obrigatório para preservar a sociedade livre. A passagem não está presente na primeira edição do livro e parece completamente fora de lugar, mas está lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; A segunda edição de Human Action saiu nos anos 60, no auge do fervor ideológico da Guerra Fria. É até um pouco desculpável que alguém passe a acreditar que os militares são maravilhosos com o bombardeio diário do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Murray Rothbard faz obituário meloso para Che Guevara&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1967, Murray Rothbard escreveu um obituário que não poupou carícias a Che Guevara, chamando-o de heroico e de ícone do princípio da Revolução (assim mesmo, em maiúscula).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; Nos anos 60, informações sobre os atos de Che eram escassas. Não havia ainda documentação sobre os assassinatos do guerrilheiro nem ideia da extensão da destruição causada por ele por onde passou. Daí, pode-se desculpar um pouco o obituário ridículo de Rothbard. Mas não muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Hans-Hermann Hoppe não esconde bem seu desconforto com gays&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Democracy: The God that Failed&lt;/span&gt;, Hoppe inventou de encaixar umas citações facilmente usáveis contra ele. Num ponto, ele fala de comunidades contratuais em que certos pontos de vista ou estilos de vida não são permitidos. Então, de acordo com ele, em comunidades feitas para proteger os valores familiares, homossexuais, comunistas e hedonistas devem ser fisicamente excluídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; Ele podia ter aliviado a própria barra dizendo que comunidades progressistas poderiam ostracizar carolas, já que isso seria permitido para qualquer organização baseada na propriedade privada. Preferiu a polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ayn Rand ♥ fumo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rand notoriamente defendeu o fumo como um bem moral, já que o fogo do cigarro representa o "fogo das ideias" - observação singularmente estúpida, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; Pouca gente sabia dos efeitos nocivos do cigarro durante a maior parte da vida de Ayn Rand. E ela era singularmente adepta de racionalizações idiotas para seus hábitos. É a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jean-Baptiste Say fala sobre os benefícios da escravidão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O economista francês não estava num bom dia quando escreveu que o trabalho escravo é "mais barato" em relação aboldalho assalariado. Esqueceu de colocar no cálculo o custo para o escravo, provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; A escravidão, na época de Say, era ainda bastante popular, o que pode ter manchado seu bom julgamento. Felizmente, ele mais tarde se corrigiu e passou a condenar a escravidão publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ayn Rand e os direitos de nativos americanos e médio-orientais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher não era fã dos nativos americanos e argumentou que os pobres coitados não tinham direito às terras de que foram forçosamente removidos pelos colonizadores europeus. De acordo com ela, eles só ficavam correndo sobre a terra, sendo selvagens e sem qualquer concepção moral, e portanto os direitos deles não deviam ser reconhecidos. Na mesma veia, ela não ligava tanto para os habitantes do Oriente Médio, considerados selvagens, atrasados e terroristas. Um dos seguidores mais hardcore da escritora, Leonard Peikoff, já até defendeu que se jogasse uma bomba atômica no Oriente Médio, seguindo os ensinamentos da guru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possível justificativa:&lt;/span&gt; Racismo, talvez? Tentativa fracassada de justificar as próprias noções pré-concebidas? No caso do Oriente Médio, ao menos, pode-se dizer que ela não estava tão distante do consenso de sua época.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-70665463260807627?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/70665463260807627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=70665463260807627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/70665463260807627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/70665463260807627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/10/compendio-de-ideias-infelizes.html' title='Compêndio de ideias infelizes defendidas por liberais'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6148151996620873738</id><published>2011-08-10T00:44:00.000-03:00</published><updated>2011-08-10T00:45:37.341-03:00</updated><title type='text'>Solução para o problema da adoção gay</title><content type='html'>Cross-posted no &lt;a href="http://www.manipulacao.org"&gt;Manipulação&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei num sistema infalível para acabar com o debate sobre a adoção gay. Digamos que um casal gay queira adotar uma criança e aparece, como sempre, algum conservador sendo contra. Esse conservador, então, ao argumentar contra a adoção, deverá ser legalmente obrigado a adotar a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob pena de prisão, talvez. Ou multa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se mesmo depois da pena o conservador e sua família não quiserem adotar a criança, ele deverá comparecer ao orfanato onde se encontra a criança e dizer a ela "Eu te rejeitei. Por minha causa você vai continuar vivendo sem uma família".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a criança for jovem demais para entender, um porta-retrato com fotos da família que a rejeitou deverá ser mantido próximo a cama dela, com uma nota dizendo "Família que te privou da felicidade". Meios para contato (email, telefone, endereço) deverão ser mantidos à disposição da criança, para o caso de ela querer se vingar depois de adulta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6148151996620873738?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6148151996620873738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6148151996620873738' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6148151996620873738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6148151996620873738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/08/solucao-para-o-problema-da-adocao-gay.html' title='Solução para o problema da adoção gay'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5177524029749238271</id><published>2011-05-15T22:11:00.003-03:00</published><updated>2011-05-15T22:16:27.794-03:00</updated><title type='text'>Eterna educação</title><content type='html'>Não sou muito fã de escola, &lt;a href="http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/por-que-escola-deve-acabar.html"&gt;como já escrevi por aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana vi que o governo quer estender ainda mais a carga horária das escolas, como se elas já não tivesse dificuldade de cumprir o currículo atual (que já é bem maior do que o que era na minha época, com adição de matérias essenciais como filosofia e sociologia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutindo na lista de emails da Rede Liberal, um cara sugeriu que o aumento da carga horário é benéfico porque com mais horas nas escolas, as crianças passam menos tempo na rua batendo carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o governo deveria poupar legislaçãoe confiscar as crianças logo depois do nascimento. Prende todas na escola até os 17 anos logo, você tem toda a carga horária que qualquer um pode querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o ensejo, a gente pode prender todos os adultos em presídios também, porque aí ninguém mesmo vai ter chances de cometer crimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente teríamos uma sociedade com senso de cidadania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5177524029749238271?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5177524029749238271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5177524029749238271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5177524029749238271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5177524029749238271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/05/eterna-educacao.html' title='Eterna educação'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1687649245044046096</id><published>2011-05-03T21:52:00.004-03:00</published><updated>2011-05-04T00:54:53.648-03:00</updated><title type='text'>Impostos são ruins</title><content type='html'>A parte ruim de ter blogs dedicados para cada coisa é que eu não posso expandir em algumas áreas que são meu HOBBY.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, no post do &lt;a href="http://www.manipulacao.org"&gt;Manipulação&lt;/a&gt; que eu estou colando aí embaixo, eu não senti nem que dava para eu expandir essa coisa de que o protecionismo é ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de ter falado de vantagens comparativas, de Bastiat, balança comercial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fazer uma piada que o &lt;a href="http://depositode.blogspot.com"&gt;Richard&lt;/a&gt; me contou outro dia, dizendo que as três paixões nacionais são samba, futebol e balança comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica pra próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu posso provar por este &lt;a href="http://twitter.com/#%21/jfrost/status/53142193350782976"&gt;tweet&lt;/a&gt;, e também por &lt;a href="Sem individualismos, sempre pensando na sociedade como um todo."&gt;este&lt;/a&gt;, até alguns dias atrás eu não fazia a menor ideia de quem era Felipe Neto. Vi o vídeo dele sobre &lt;a href="http://www.precojustoja.com.br/"&gt;diminuir impostos das coisas&lt;/a&gt;, e &lt;a href="http://vaitrabalhar.interbarney.com/artimanhas-e-picuinhas/descobri-algo-mais-legal-que-o-felipe-neto/"&gt;graças ao Chico Barney&lt;/a&gt;, descobri que a ideia radical dele de diminuir impostos está atraindo oposição ferrenha da internet brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Impostos altos 4eva", "Eu &amp;lt;3 Impostos", "É 50% do PIB ou mais!" são os gritos que a gente ouve nos quatro cantos do país.  Essa foi uma semana de descobertas, porque descobri também a a existência de um SITE NA INTERNET chamado "&lt;a href="http://papodehomem.com.br/preco-justo-nao-faz-sentido/"&gt;Papo de Homem&lt;/a&gt;". De acordo com ele, esse negócio de baixar impostos das coisas não tá com nada, o maneiro é instalar fábricas dentro do país, porque comprar coisas de outros países não gera dinheiro pro Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente produzir nosso Xbox nacional (Zeebo?), a gente vai gerar divisas para o país, e não vai financiar esses ianques malditos. Nas palavras do Papo de Homem: "Sem individualismos, sempre pensando na sociedade como um todo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:~~~~~~~~&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a galera anti-anti-impostos podia mudar seu slogan para "GOVERNO, ME POSSUA, YOU BIG LUMMOX".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque protecionismo não é bacana. Sério. Sei que os brasileiros não tiveram muito tempo para absorver esse argumento, o argumento pró-livre comércio só está rolando desde Adam Smith e David Ricardo, tem só uns 200 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse negócio de instalar fábricas no país porque comprar fora só dá dinheiro pros estrangeiros sujos é o mesmo que eu dar a doida aqui e falar "Ah, vou produzir meu pão aqui em casa, comprar na padaria só dá dinheiro pra esse português nojento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma noção meio bizarra, mas a gente não fica mais rico quando tem menos coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1687649245044046096?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1687649245044046096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1687649245044046096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1687649245044046096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1687649245044046096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/05/impostos-sao-ruins.html' title='Impostos são ruins'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-20145792653581591</id><published>2011-04-12T22:19:00.003-03:00</published><updated>2011-04-12T22:33:19.831-03:00</updated><title type='text'>Alguns pontos sobre o desarmamento</title><content type='html'>Em geral o argumento de que a proliferação de armas de fogo reduz a violência é encarado como simplista, mas ele tem por trás uma base científica razoavelmente sólida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especificamente, um agente tem menor probabilidade de adotar uma &lt;a href="http://www.libertyzine.com/2007/03/armas-nucleares-proliferao-ou-monoplio.html"&gt;estratégia agressiva se souber que há o perigo de retaliação&lt;/a&gt;. Inversamente, determinado agente adotará uma estratégia agressiva se souber que o risco é baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que a assimetria de poder não é grande o suficiente para garantir uma vitória sem riscos contra a Rússia, a assimetria de poder de um criminoso comum em relação a um cidadão normal portando uma arma não é insuperável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indivíduos desarmados, por outro lado, têm pouca possibilidade de retaliação à violência ou a ameaças de violência, e, portanto, a criminalidade aumenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, em particular, os cidadãos comuns são bastante vulneráveis por diversas razões. Uma delas é o fato de que a segurança pública não funciona, então os criminosos veem que ganhos são altos e a probabilidade de punição e retaliação por parte da vítima é baixa. Além disso, por ser extremamente difícil para um cidadão médio possuir uma arma, a própria assimetria de força entre o poder estabelecido e o indivíduo é grande demais. Assim, o Brasil é campeão em violência policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante verificar os esforços de &lt;a href="http://smallwarsjournal.com/blog/2010/07/gun-control-in-counterinsurgen/"&gt;restrição do uso de armas no Iraque&lt;/a&gt;, onde quem foi prejudicado não foram senão as pessoas comuns, que, sem um mecanismo de segurança pública funcional e sem a possibilidade de auto-defesa decente, ficaram à mercê dos bandidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena que esses comentários tenham sido estimulados por mais uma tentativa de limitar (ainda mais) o uso e a posse de armas no Brasil, e não por, finalmente, uma tentativa de relaxar as leis de armas. Podemos esperar mais Gugu e Felipe Dylon na campanha pelo Sim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-20145792653581591?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/20145792653581591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=20145792653581591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/20145792653581591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/20145792653581591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/04/alguns-pontos-sobre-o-desarmamento.html' title='Alguns pontos sobre o desarmamento'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1461332423828284202</id><published>2011-04-09T21:14:00.007-03:00</published><updated>2011-04-09T22:47:41.013-03:00</updated><title type='text'>A tragédia do Realengo e a lógica da segurança</title><content type='html'>Wellington Menezes de Oliveira sabia exatamente o que ia fazer quando entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo. Depois de despistar os funcionários do colégio, seguiu para as duas salas onde, de acordo com os alunos sobreviventes, executou a sangue frio 12 crianças que imploravam por clemência, com tiros na cabeça e no coração. Mais crianças continuam feridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável que, diante de uma tragédia dessa dimensão, a cobertura jornalística do massacre tenha sido tão fraca. Além de, inicialmente, terem tentado ligar o assassino ao islamismo e dizerem que era aidético, não demorou mais que um dia para que, por exemplo, o Jornal Nacional tenha vaticinado: "Esse caso deve servir como exemplo para que a sociedade perceba que é preciso reforçar a segurança das nossas crianças."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, eu sinto que, embora esteja chocado com o acontecido, não consigo nem imaginar a dor que os familiares das vítimas estão sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é exatamente por isso que, ao contrário das pessoas que extendem cartazes na porta do colégio pedindo mais segurança, eu posso analisar a situação com um grau maior de isenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se pararmos por um momento para estudar os fatos, vamos ver que o acontecido não foi uma falha de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Probabilidades&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível estabelecer ligações claras de causa e efeito entre os acontecimentos do Realengo. É possível especular as razões que levaram Wellington a matar as crianças, mas não é possível colocá-las numa &lt;i&gt;classe&lt;/i&gt; específica de acontecimentos. Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Ludwig von Mises, há essencialmente dois tipos de probabilidade: de caso e de classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As probabilidades de caso se referem às situações em que sabemos alguns, mas não todos os fatos determinantes de uma dada situação. Casos são sempre individuais, únicos e, portanto, seus resultados são incertos. É impossível se segurar contra essas situações específicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Probabilidades de classe, em contraste, referem-se às situações em que nós temos todas as informações relevantes sobre uma classe de eventos, mas não sabemos o resultado de um caso particular. Quando é possível estabelecer uma probabilidade de classe em relação a um conjunto de eventos, é possível se segurar contra eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Classes e casos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultados de jogos de futebol são probabilidades de caso. Nós sabemos que um time com um bom técnico e com bom preparo físico e tático tem maior probabilidade de vencer partidas. Contudo, o fato de que o time venceu os últimos nove jogos não significa que ele vai vencer o décimo. Da mesma forma, num jogo de roleta, se a bolinha caiu em casas vermelhas nas últimas jogadas, isso não é motivo para escolher casas vermelhas nem pretas na próxima rodada, porque a probabilidade de sair uma ou outra continua igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como exemplo de probabilidade de classe, vejamos o recente terremoto que atingiu o Japão na região de Touhoku. O território japonês se localiza exatamente no encontro de três placas tectônicas, resultando em grande atividade sísmica no local. De fato, o Japão é atingido por centenas de terremotos anualmente, a maioria de intensidade baixa ou moderada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa pode parecer uma informação trivial, mas, sabendo a frequência da distribuição de longo prazo de terremotos, é possível se segurar contra eles. Não é possível saber que um terremoto específico terá uma potência determinada. Mas sabemos que, dada uma certa distribuição de terremotos, teremos um dano específico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Erros e acertos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que transformou o terremoto japonês em notícia mundial foi sua intensidade atípica. Sua força devastou cidades inteiras e o dano material do tsunami resultante ainda não foi precisado. Os problemas causados nas usinas nucleares de Fukushima tornam a situação ainda pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, dado que o Japão é vítima constante de terremotos, o que aconteceria se os japoneses sempre presumissem que os próximos terremos seriam de 9.0 graus na escala de magnitude de momento? Certamente nem todos os terremotos têm 9 graus de magnitude. É possível também dizer que os japoneses sempre estariam "seguros" contra terremotos. O fato, no entanto, é que eles acertariam errando. Os custos que eles pagariam para se segurar contra todo tipo de terremoto, mesmo contra os mais poderosos, seriam altíssimos. Como nós vivemos num mundo de recursos escassos, o fato de que o Japão ainda sofre com os efeitos do terremoto não é uma falha dos sistemas de seguro; é uma situação lamentável, mas que é o melhor que podemos ter no nosso mundo imperfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, crimes como assassinatos são probabilidades de classe, mas a situação específica que levou Wellington a matar 12 crianças na escola no Rio de Janeiro foi uma probabilidade de caso. Nós podemos nos segurar contra crimes "médios", mas clamar por mais segurança para nossas crianças num caso extremamente atípico como o do Realengo é o mesmo que apostar que todos os terremotos vão ser de 9 graus: nós acertamos errando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Protegendo crianças&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nós colocássemos nossas crianças em bunkers vigiadas durante as 24 horas do dia, com dois seguranças armados atrás de cada uma, creio que podemos todos concordar que a probabilidade de elas serem chacinadas seria próxima de zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que esse é um custo muito alto, não só para nós mesmos, mas para as próprias crianças. Não só nós estaríamos queimando preciosos recursos com segurança, nós também estaríamos privando as crianças de experiências valiosas de vida. É claro que estamos em muito maior segurança se ficarmos presos em casa o dia inteiro - mas, para a maioria das pessoas, ainda vale a pena assumir o risco de sair de casa e ter uma vida normal, mesmo que isso signifique que nós podemos vir a ser alvos de brutalidades como a da escola Tasso da Silveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvidas de que superar o acontecido será extremamente difícil para os envolvidos na chacina. Certamente deverão ter acompanhamento psicológico e, por mais doloroso que isso seja no momento, eventualmente terão que seguir com suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não vai ajudar em nada é que façamos um esforço em segurança retroativa, contudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito o que criticar na segurança pública brasileira, talvez em particular na do Rio de Janeiro. Mas não podemos esquecer de que essa foi a primeira vez que um acontecimento do tipo ocorreu no Brasil. Portanto, ao menos nesse caso, a segurança do Rio de Janeiro errou acertando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1461332423828284202?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1461332423828284202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1461332423828284202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1461332423828284202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1461332423828284202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2011/04/tragedia-do-realengo-e-logica-da.html' title='A tragédia do Realengo e a lógica da segurança'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1515701597622843794</id><published>2010-05-07T00:46:00.003-03:00</published><updated>2010-05-07T00:59:16.729-03:00</updated><title type='text'>Contrabando</title><content type='html'>Gostaria de fazer uma pesquisa com os jornalistas sempre que eles espicham os dedos apontando para produtos "contrabandeados" e para o quanto a Receita "perde" com falsificadores, com importadores ilegais, com essa gente sem escrúpulos que ousa trazer produtos perigosos de outros países sem declarar, como bolsas, sapatos, óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria saber se eles já pediram para algum amigo trazer alguma coisa do exterior depois de uma viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retórica, claro que já; todos eles são um monte de contrabandistas, criminosos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1515701597622843794?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1515701597622843794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1515701597622843794' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1515701597622843794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1515701597622843794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2010/05/contrabando.html' title='Contrabando'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6413676588435536528</id><published>2009-10-24T08:06:00.005-03:00</published><updated>2009-10-24T08:54:38.778-03:00</updated><title type='text'>Espero que os dois leitores ocasionais do google tenham sentido saudades minhas</title><content type='html'>Este post será um tanto inconclusivo, por dois motivos: a qualquer momento meu &lt;em&gt;roommate&lt;/em&gt; deve me chamar pra irmos pra &lt;em&gt;Sierra Norte de Sevilla&lt;/em&gt;, e em algum momento antes a preguiça pode me impedir de elaborar melhor meu raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o maior problema que eu tenho reparado, ultimamente, de um Estado grande, é o comodismo que ele gera. Quando você tem um governo que já faz por você parte do que seria, supostamente, seu serviço - como, por exemplo, pagar um plano de saúde, uma aposentadoria privada ou mesmo toda a caridade que você gostaria de fazer -, você se acostuma a pensar que o governo é não mais que um empregado seu, que depende de você para sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Estado é um funcionário muito polivalente, que se oferece para cada vez mais serviços. Já te dá segurança? Oferece educação. Você aceita e ele te oferece serviços de jardinagem, de cabeleireiro, de mecânico de automóveis e sei lá mais o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como todo funcionário, o Estado se torna pior quanto mais se lhe acumulam cargos - imaginem-se como professores, coordenadores, diretores, zeladores e bibliotecários de uma escola ao mesmo tempo. Isso é o que acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí começam os protestos pelos maus serviços que esse empregado te dá, e você pode até protestar com faixas e caminhadas, mas o empregado te dá, teoricamente, tantos serviços (a escola dos filhos, o hospital da avó, os remédios pra pressão da esposa e os do seu diabetes) que você simplesmente não tem coragem de demiti-lo como faria com algum outro empregado que falhasse em algum aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a principal cláusula do contrato que você fez com ele é que você não pode demiti-lo. A cláusula de rescisão foi substituída pela cláusula da segurança, e agora um contingente de meio milhão de soldados que te daria segurança está disposto a te impedir de cancelar o contrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você também não se importa muito com cancelar o contrato, porque é cômodo fazer todos os serviços através de um único pagamento - mesmo que esse pagamento seja infinitamente superior aos retornos que proporciona, que não valha a pena receber um terço do que se poderia obter se se fizessem contratos com empresas e cláusulas de rescisão. Afinal, seria necessário &lt;em&gt;você&lt;/em&gt; procurar as empresas pra te proporcionar os serviços que hoje te são entregues automaticamente, descontados na folha de pagamento e na nota fiscal do supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagina ter que pesquisar o melhor serviço pra cada área da vida, que sufoco! Que plano de saúde contratar? Em que escola matricular seus filhos? Em que farmácia comprar os remédios, em que hospital ser atendido, que tipo de calçamento usar na rua, quanto doar e para quem fazer caridade? Acaba-se assumindo, por preguiça, que o Estado é necessário para prestar serviços básicos à população pobre porque se admite a preguiça como fator necessário na equaçao da ação, esquecendo-se sempre que a preguiça não é anterior ao Estado - é proporcionada por ele, pelas "facilidades" que ele proporciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assume-se, em geral, que &lt;em&gt;todos são preguiçosos&lt;/em&gt; ou que &lt;em&gt;ninguém faria isso se não existisse o Estado&lt;/em&gt;, quando, na verdade, ninguém faz aquilo &lt;em&gt;por causa&lt;/em&gt; do Estado. Daí vemos camelôs, em Recife, &lt;a href="http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/pernambuco/noticia/2009/10/23/vale-tudo-no-entorno-da-ufpe-203440.php"&gt;pedindo que a prefeitura os organize&lt;/a&gt; - algo que, sabemos, poderiam fazer sozinho -, e &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8321967.stm"&gt;alemães ricos pedindo pra o governo aumentar o imposto sobre si mesmos&lt;/a&gt; - poderiam eles próprios doar seu dinheiro pro governo, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na &lt;a href="http://www.dicta.com.br/o-doce-sabor-da-hipocrisia/"&gt;Dicta e Contradicta&lt;/a&gt;, o Joel chama de hipocrisia o pedido dos alemães ricos. Pra mim não é hipocrisia - é meramente uma mostra da preguiça, mesmo, do comodismo que é pagar 5% e esvaziar os pesos da consciência como se fossem recolhidos por um caminhão compactador de lixo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a tomada de atitude é algo impensável em países ricos ou pobres atualmente, porque a preguiça do Estado contaminou o mundo. E não são protestos por uma educação melhor (ou passeatas por menos corrupçao, ou que seja) que vão aliviar esse peso da preguiça. Isso não é atitude - isso é reclamar do bigmac e continuar comendo o mesmo sanduíche. Isso é defender o princípio esquecendo que, no fim, a situação atual (e incômoda) é a única conclusão possível. É alimentar o diabo pra que te dê mais do mesmo a um preço maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, na minha cabeça esse argumento tá mais montadinho, e é possível - provável e natural - que alguém mais inteligente e disposto e que não tivesse um passeio planejado para uma agradável tarde de sábado tenha elaborado melhor esse argumento, e eu esteja só fazendo papel de bobo aqui falando. Nesse caso, mais bobo é você, que leu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, tô com preguiça de escrever mais. Vou pedir pra algum sociólogo do governo desenvolver o assunto pra mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6413676588435536528?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6413676588435536528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6413676588435536528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6413676588435536528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6413676588435536528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2009/10/espero-que-os-dois-leitores-ocasionais.html' title='Espero que os dois leitores ocasionais do google tenham sentido saudades minhas'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6217804858351005029</id><published>2009-03-16T12:19:00.002-03:00</published><updated>2009-03-16T12:28:22.424-03:00</updated><title type='text'>Your tax dollars at work</title><content type='html'>O governo aqui de Recife está querendo proibir os ambulantes de trabalharem nas praias da cidade. É claro que os ambulantes protestaram, com razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é apenas mais um exemplo do modus operandi convencional do governo: primeiro proíba os indivíduos de fazerem qualquer coisa, tirando deles qualquer meio de vida, depois comece um programa social para ajudar as famílias que não conseguem mais se sustentar, e, por último, argumente que sem o governo essas famílias morreriam de fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6217804858351005029?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6217804858351005029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6217804858351005029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6217804858351005029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6217804858351005029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2009/03/your-tax-dollars-at-work.html' title='Your tax dollars at work'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-3053794720247724849</id><published>2008-12-19T15:53:00.002-03:00</published><updated>2008-12-19T15:55:06.439-03:00</updated><title type='text'>"Mas ocorre com tanta freqüência que devíamos legalizar"</title><content type='html'>Abortos: 38/100 mil&lt;br /&gt;Homicídios: 39/100 mil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Dados antigos (1990 e 2000), mas, ora, quem se importa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-3053794720247724849?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/3053794720247724849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=3053794720247724849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3053794720247724849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3053794720247724849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/12/mas-ocorre-com-tanta-freqncia-que.html' title='&quot;Mas ocorre com tanta freqüência que devíamos legalizar&quot;'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-126518771811109629</id><published>2008-11-26T03:00:00.009-03:00</published><updated>2008-11-28T19:27:05.397-03:00</updated><title type='text'>Uma introdução ao anarquismo de mercado</title><content type='html'>&lt;b&gt;O que ele é?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anarquismo de mercado pode ser considerado uma extensão e uma radicalização do liberalismo clássico. O liberalismo recebe muita publicidade negativa hoje em dia e, em sua maior parte, ela é imerecida - como na atual crise mundial, que é debitada na conta dos pobres liberais, embora os mesmos liberais há tempos já venham alertando para os problemas que as intervenções corriqueiras (que ocorrem a todo momento e são ignoradas, de alguma maneira) no mercado causam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo surgiu como uma reação a tudo que pragueja o mundo hoje em dia: às guerras e o militarismo, ao poder ilimitado dos governos, aos impostos, à sociedade de classes, às regulamentações que proibiam as pessoas de produzir. O liberalismo, por tudo isso, era o partido dos pobres e dos oprimidos, daqueles que defendiam que as pessoas tinham direito de produzir e manter os frutos do próprio trabalho, e não deixa de ser irônico que hoje em dia ele seja visto como uma ideologia à serviço dos ricos - embora sejam os adversários dos liberais que estejam se coçando para declarar o fim do livre mercado e dar bilhões e bilhões de dólares para os banqueiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma o liberalismo ganhou grande prestígio nos séculos XVIII e XIX, e levou às diversas revoluções que acabaram, entre outras coisas, com aquela coisa do poder real absoluto. Foi o liberalismo que tentou instituir os direitos iguais para todos e limitar ao máximo o poder de exploração do estado, cujas funções deveriam ser a de estrita defesa, nas palavras de John Locke, da vida, da liberdade e da propriedade, os direitos naturais do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, os liberais clássicos não foram longe o suficiente na sua crítica ao poder do estado. É bem verdade que eles eram bastante sensíveis à ameaça apresentada por essa instituição, mas não tiraram as conclusões lógicas das suas críticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, eles não perceberam que o aval deles a um "estado mínimo" era em si próprio imoral de acordo com os próprios princípios liberais, uma vez que o estado, para sua própria existência, necessariamente invade a liberdade e a propriedade dos cidadãos (através da cobrança de impostos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro, eles também não enxergaram que o estado é a máquina perfeita de exploração: por não ser limitado pelas normas comuns de convívio social (o respeito pela propriedade privada, a voluntariedade em vez da força), o estado é a ferramenta perfeita pela qual um grupo pode se beneficiar às custas dos outros. O estado pode não apenas tirar de uns e dar para outros, através de seus impostos, ele também pode controlar uns em favor de outros, através das suas leis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu poder de monopólio combinado com seu poder de cobrar impostos também assegura que o estado vá ser cada vez mais exploratório, cobrando preços cada vez mais altos por serviços cada vez piores. Daí vemos as infinitas leis de hoje em dia, que não protegem senão os interesses de alguns, e a escalada da violência, inclusive (talvez principalmente) de policiais. Parece bem óbvio que o estado, embora devesse se limitar à defesa dos seus cidadãos, fracassou miseravelmente nessa função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é daí que surgem duas conclusões um tanto óbvias a esta altura: (1) o estado é uma instituição imoral,  essencialmente anti-social e/ou ineficiente que, portanto, deve ser abolida; (2) suas funções indispensáveis devem ser executadas através de arranjos voluntários do mercado, sujeitos ao respeito pela propriedade privada. Estes são os princípios básicos do anarquismo de mercado - e de seus subgrupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ah, outra definição que já li dizia que o anarquismo de mercado é igual ao anarquismo normal, mas com melhores lojas. Se eu usasse essa definição, porém, o texto ficaria de certo modo reduzido.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E quem defende isso?!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu defendo. Várias outras pessoas também defendem e hoje em dia pode-se dizer que nós já enchemos uma Kombi. Evidentemente não foi sempre assim e a idéia teve que surgir em algum lugar. Ela foi apresentada de forma sistematizada pela primeira vez pelo economista liberal franco-belga Gustave de Molinari, em um ensaio chamado &lt;i&gt;&lt;a href="http://libertyzine.blogspot.com/2007/02/da-produo-de-segurana-gustave-de.html" target="_blank"&gt;De la production de la securité&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de 1849, onde ele escreveu:&lt;blockquote&gt;Se existe uma verdade bem estabelecida na economia política, é esta:&lt;blockquote&gt;Que em todos os casos, para todas as mercadorias que servem à provisão das necessidades tangíveis ou intangíveis do consumidor, é do maior interesse dele que o trabalho e o comércio permaneçam livres, porque a liberdade do trabalho e do comércio tem, como resultado necessário e permanente, a redução máxima do preço.&lt;/blockquote&gt;E esta:&lt;blockquote&gt;Que os interesses do consumidor de qualquer mercadoria devem sempre prevalecer sobre os interesses do produtor.&lt;/blockquote&gt;Assim, ao seguirmos esses princípios, chegamos a esta rigorosa conclusão:&lt;blockquote&gt;Que a produção de segurança deveria, nos interesses dos consumidores desta mercadoria intangível, permanecer sujeita à lei da livre competição.&lt;/blockquote&gt;De onde se segue:&lt;blockquote&gt;Que nenhum governo deveria ter o direito de impedir que outro governo entrasse em competição com ele ou que requeresse que os consumidores adquirissem exclusivamente seus serviços.&lt;/blockquote&gt;Contudo, eu devo admitir que, até o presente momento, se tem evitado chegar a essa rigorosa implicação do princípio da livre competição.&lt;/blockquote&gt;Os liberais não eram um grupo homogêneo, claro. Em suas fileiras haviam desde os mais intervencionistas (como John Stuart Mill) até os defensores de um estado mínimo estrito (como Frédéric Bastiat) e os que falavam em favor do direito de recusa a se submeter ao estado (como Herbert Spencer). Tanto não eram um grupo homogêneo que dele saiu o radical Gustave de Molinari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por mais radical que fosse, Molinari não se via como nada além de um liberal consistente. Não se via como "anarquista". Isso não impediu, porém, que gente saída das linhas anarquistas viesse a defender idéias bastante parecidas com as dele. Eu tenho em mente os expoentes do anarco-individualismo americano, como Lysander Spooner e Benjamin R. Tucker (dentre vários outros, mas esses são considerados paradigmáticos dentre os anarco-individualistas dos EUA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles, bem ao contrário do que predominava no anarquismo europeu, decidiram colocar ênfase no respeito à propriedade privada (com algumas diferenças em certos casos, como na questão da propriedade da terra para Benjamin Tucker), no comércio e na soberania do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lysander Spooner via no estado o maior violador dos direitos naturais de propriedade concebível. Spooner considerava o estado pouco mais que uma máfia, organizada com o propósito exclusivo de explorar as pessoas. Tucker tinha uma visão semelhante da instituição, embora não compartilhasse da crença nos direitos naturais. Apesar disso, ele considerava o estado uma instituição anti-social, criadora de "monopólios" que mantinham os indivíduos em opressão e miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto Molinari quanto os anarco-individualistas americanos não passavam de figuras obscuras no século XIX. Eles teriam ficado virtualmente esquecidos até hoje se não tivessem sido resgatados a partir dos anos 1950 pelos anarco-capitalistas, dos quais os mais conhecidos são Murray N. Rothbard e David D. Friedman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rothbard expôs sua defesa da concorrência entre produtores de segurança no livro &lt;i&gt;Power and Market&lt;/i&gt;, de 1970, onde também detalhou todos os efeitos deletérios da intervenção estatal na economia. Em &lt;i&gt;For a New Liberty&lt;/i&gt;, lançado ao mundo em 1973, ele apresentou a defesa moral da sociedade livre, baseada na propriedade privada e nas trocas voluntárias. David D. Friedman, filho do famoso economista Milton Friedman, por outro lado, apresentou em &lt;i&gt;The Machinery of Freedom&lt;/i&gt; (1970) uma defesa pragmática da sociedade sem estado. Para ele, uma anarquia "capitalista" seria capaz de prover tanto segurança quanto liberdade para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia há toda sorte de pessoas associadas com o "movimento libertário" (principalmente o americano) que defende uma variante ou outra do anarquismo de mercado (e, cabe adicionar aqui, eu uso o termo "anarquismo de mercado" de forma ecumênica, para abrigar todos os grupos que defendem a propriedade privada e a abolição do estado, a despeito de outras diferenças que tenham entre si. Se eu utilizasse meramente a expressão "anarco-capitalismo", eu estaria alienando uma grande parte do movimento que não se identifica com o rótulo por um motivo ou por outro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, entre outros, os anarco-capitalistas (dentre os quais se destacam os rothbardianos), os geoanarquistas (que diferem dos demais em suas concepções sobre a propriedade da terra), os agoristas (rothbardianos com visões particulares sobre a estratégia para alcançar uma sociedade livre) e até mesmo os anarco-individualistas mais clássicos (que fazem um revival das teorias dos velhos anarquistas americanos). De forma geral, há diversas justificativas éticas para a sociedade anárquica: deontológicas, contratualistas, conseqüencialistas, egoístas ou baseando-se na ética da virtude. Ao gosto do freguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ok, mas a teoria que essa gente toda defende é correta ou viável?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredite, o que não faltou até hoje foram críticas ao anarquismo de mercado. Alguns criticaram a teoria moral dos direitos naturais, que exclui definitivamente a existência de um estado (por ser definido, à moda weberiana, como instituição que detém o monopólio da jurisdição sobre certo território e o poder de taxação). Outros criticaram a viabilidade prática do sistema. Tentarei abordar rapidamente aqui as objeções mais comuns e suas respostas anarquistas convencionais. Isto não significa, obviamente, que o debate esteja encerrado ou que algum dos lados possui uma resposta definitiva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O estado não é ilegítimo:&lt;/i&gt; Às vezes se argumenta que a autoridade estatal não é ilegítima, porque, ao permanecer na jurisdição do estado, o indivíduo dá seu consentimento implicitamente ao seu poder. O problema, segundo os anarquistas, é que não há qualquer consentimento, já que o estado não é dono de todo o território do país. Um argumento semelhante diz que o indivíduo consente à autoridade do governo ao participar de eleições ou se envolver de outras maneiras com o estado. Da mesma forma, o consentimento dado aí é dúbio, já que o próprio estado impõe as condições do acordo - que não pode nem mesmo ser desfeito, ao contrário dos contratos comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sem o estado, haveria uma guerra de todos contra todos:&lt;/i&gt; A objeção hobbesiana (referente ao filósofo inglês Thomas Hobbes) contra a anarquia surge ocasionalmente. Os anarquistas de mercado tendem a responder que a ausência de um estado não significa ausência de leis e que, se os indivíduos possuem uma tendência natural para a violência, a própria existência do estado seria impossível, já que ele também é composto por indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Agências de segurança privadas entrariam em guerra:&lt;/i&gt; Um dos mais conhecidos argumentos contra a concorrência de provedores de defesa e segurança. E uma das respostas mais comuns é mostrar que as guerras seriam &lt;i&gt;menos prováveis&lt;/i&gt; entre agências de segurança do que entre estados, já que as agências, ao contrário dos governos, arcam com todo o ônus de suas aventuras beligerantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As disputas não poderiam ser resolvidas definitivamente:&lt;/i&gt; É claro que surgiriam disputas legais entre as pessoas, mesmo com a inexistência de um estado. Os anarquistas tendem a defender que as pessoas poderiam contratar livremente serviços de arbitragem. No entanto, críticos argumentam que, nesse caso, não existiria uma instância superior final que fosse capaz de decidir os casos de uma vez por todas. Segundo eles, um sistema de concorrência entre árbitros privados teria como resultado infinitos recursos, sem ser possível chegar numa resolução final. Anarquistas, contudo, mantêm que bastaria que essas questões fossem resolvidas antecipadamente entre os árbitros ou que as decisões fossem delegadas a uma terceira parte neutra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Anarquia de mercado é impossível, não há propriedade privada sem governo:&lt;/i&gt; Essa é uma crítica comum das linhagens não-individualistas do anarquismo. Mas é muito mais fácil apontar para o fato de que o mais improvável é que toda a propriedade se torne pública sem a existência de um corpo jurídico unificado. Basta que as pessoas, como hoje em dia, aceitem e respeitem geralmente a propriedade privada para que ela exista. A propriedade privada não existe por decreto governamental, mas porque ela é ideologicamente aceita pela população. Sendo assim, mecanismos privados de defesa da propriedade tenderão a emergir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Surgiria um novo governo:&lt;/i&gt; Algumas críticas afirmam que haveria uma tendência concentradora na sociedade anárquica (ganhos de escala na produção de defesa e segurança) que faria com que surgisse um novo estado. Os anarquistas afirmam que isso, embora possível, é improvável, já que não se verifica no mercado a mesma concentração que há no caso do monopólio compulsório estatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A segurança é um bem público:&lt;/i&gt; Este é um argumento mais técnico, que diz que a produção de segurança não pode ser limitada àqueles que de fato usufruem dos serviços ofertados. Os argumentos anarquistas em resposta variam entre a negação de que haja problemas de bens públicos relevantes (isto é, os indivíduos internalizam todos os custos relevantes da segurança que recebem) ou afirmam que o estado não resolve o problema, já que em vez de falhas de mercado teríamos que lidar com falhas de governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Por que eu deveria me importar com tudo isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt; causa enorme fascinação no imaginário das pessoas, mas se pararmos por alguns momentos para considerarmos o histórico de pobreza e violência causadas pelos estados no mundo todo, nós percebemos que talvez seja de fato necessária uma alternativa radical que acabe com a discussão viciada que vigora hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do Brasil, por exemplo, apesar dos continuados fracassos do governo em prover algo que ao menos lembre vagamente serviços de qualidade, os políticos continuam sendo vistos como messias a cada eleição que passa. E isso apesar dos números calamitosos em literalmente todas as áreas. Aqui, o desemprego chega a passar dos 15% (níveis de países em profunda depressão econômica) e é tido como natural pelas pessoas, que enxergam em concursos públicos a maior esperança de um futuro decente. Sem falar das estatísticas sofríveis em saúde e educação, e da violência galopante no país. Isso tudo nos deveria fazer parar para pensar por um minuto e talvez perguntar "Por que não acabar com isso tudo?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, se substituíssemos a mão pesada do estado pela mão invisível do mercado, poderíamos combater a maioria desses problemas, senão todos. Sem as regulações do governo, o desemprego cairia dramaticamente e a economia entraria numa espiral de desenvolvimento. Sem bancos centrais e a manipulação da moeda perpetrada por eles, crises seriam muito mais raras e brandas. Sem desemprego, pobreza e o inútil combate às drogas, a violência cairia consideravelmente. A segurança seria custeada voluntariamente, seus serviços tenderiam a melhorar e seu preço cair, ficando acessível a todos - ao contrário do cenário atual, em que não há segurança para ninguém. Não haveria mais a gritante injustiça que ocorre a todos os momentos no mundo (principalmente em momentos de crise, como atualmente) do saque dos bolsos das pessoas em benefício de banqueiros e grandes empresas em geral. Seria o fim da burocracia e da plutocracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, a sociedade anarquista é, acreditamos nós, a única compatível com os direitos indivíduais que formam a base do senso de justiça de todas as pessoas: a crença de que se deve submeter a todos às normas comuns do convívio social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo para os não tão românticos, que não acreditam que temos a possibilidade de alcançar uma sociedade desse tipo em nossas vidas, por que não tê-la como ideal assintótico? Vamos nos aproximar dela o máximo possível? Dedique um tempo ao tema, eu espero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-126518771811109629?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/126518771811109629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=126518771811109629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/126518771811109629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/126518771811109629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/11/uma-introduo-ao-anarquismo-de-mercado.html' title='Uma introdução ao anarquismo de mercado'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7102462378743649946</id><published>2008-11-05T00:13:00.002-03:00</published><updated>2008-11-05T00:16:59.153-03:00</updated><title type='text'>Meu próprio sistema político-moral</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://i69.photobucket.com/albums/i62/gustavorofer/grfico.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 418px; height: 192px;" src="http://i69.photobucket.com/albums/i62/gustavorofer/grfico.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparem que a precisão do gráfico não deixa espaço pra dúvidas. Considere provados os meus pontos, ok?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7102462378743649946?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7102462378743649946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7102462378743649946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7102462378743649946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7102462378743649946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/11/meu-prprio-sistema-poltico-moral.html' title='Meu próprio sistema político-moral'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5279070298357720069</id><published>2008-10-27T23:25:00.003-03:00</published><updated>2008-10-27T23:30:02.687-03:00</updated><title type='text'>Sociologia bem escrita</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;É interessante notar que na análise da cidade pequena americana, tanto o romancista como o sociólogo tiveram, cada qual a seu modo, a atenção despertada por detalhes semelhantes e chegaram a conclusões muito parecidas. Interessaram-se ambos mais pela situação social do que pelo poder. O romancista ocupou-se de costumes e dos efeitos frustradores da vida na pequena cidade, nas relações e na personalidade humanas, o sociólogo não dedicou muita atenção à pequena cidade como uma estrutura de poder, e muito menos como unidade no sistema de poder nacional. A semelhança de seus efeitos descritivos é revelada pelo fato de que, apesar das provas que encerram, os infindáveis "estudos de comunidades" dos sociólogos parecem freqüentemente romances mal escritos; e os romances, sociologia bem escrita. -- C. Wright Mills, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A elite do poder&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://libertyzine.blogspot.com/2008/10/1-nova-e-velha-classe-superior-na.html" target="_blank"&gt;cap. II, 2, n. 1.&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;Acho que podemos extrapolar e dizer que, no geral, romancistas compreendem melhor as relações sociais do que sociólogos, certo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5279070298357720069?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5279070298357720069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5279070298357720069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5279070298357720069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5279070298357720069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/sociologia-bem-escrita.html' title='Sociologia bem escrita'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-2013964464401517638</id><published>2008-10-25T20:52:00.007-03:00</published><updated>2008-10-25T21:57:46.987-03:00</updated><title type='text'>O brasileiro lê apenas X livros por ano! Shocking!</title><content type='html'>Quem conhece este blog sabe que eu sempre estou atento para o que o Serginho Groisman defende, para que então eu possa defender a posição diametralmente contrária. É uma ótima rule of thumb, posso dizer que falha pouquíssimas vezes, para não dizer que nunca falha, apesar de nunca ter me deixado na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serginho Groisman é um ícone, um símbolo que representa a beautiful people na minha mente, e uma de suas principais plataformas é o incentivo à leitura. Concomitantemente, minha posição a respeito da leitura é que devemos desincentivá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema com isso é que eu abro dois flancos de ataque para meus inúmeros nêmesises:&lt;blockquote&gt;1) "Ah, mas você só diz isso porque é vagabundo, preguiçoso, não lê nada, e é meio toupeira, pra dizer a verdade";&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) "Ah, mas você é um hipócrita, fica &lt;a href="http://libertyzine.blogspot.com" target="_blank"&gt;traduzindo livros e publicando na internet&lt;/a&gt;, depois vem pagar de gostoso e ficar falando que ler é palha".&lt;/blockquote&gt;Minha defesa dessas acusações seria a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou de fato contra a leitura, mas contra o endeusamento da leitura. Eu nunca defendi que a leitura fosse caminho para crescimento pessoal ou algo do tipo. E a maioria das pessoas concordaria comigo se parasse por alguns minutos para pensar sobre o assunto. Por quê? Ora, ora, todos sabem que existem milhares de livros porcaria, que não valem uma folheada. E no entanto as pessoas insistem em defender a leitura per se, sem limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente eu também não bateria no peito para dizer que não leio, que quem lê é nerd e tem que sair de casa, pegar um bronze. (Aliás, uma menina com quem eu morei não queria ser minha amiga porque eu era muito nerd e ficava "lendo o dia todo". Há idiotas para todos os lados, o que eu posso dizer?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que, no geral, nos preocupamos muito mais com se os outros estão lendo do que se nós estamos lendo. E se estamos lendo o que nos interessa. É dessas coisas que nascem coisas ridículas, como a construção de bibliotecas em favelas, como se fossem mais importantes do que saneamento básico para as famílias carentes (&lt;a href="http://singelomundo.blogspot.com/2008/05/sempre-que-vejo-notcias-de-invases-de.html" target="_blank"&gt;e na minha turma da faculdade já teve gente que defendeu isso&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discussões sobre leitura me lembram sempre, também, &lt;a href="http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/as-ridculas-discusses-sobre-videogames.html" target="_blank"&gt;as ridículas discussões sobre videogames&lt;/a&gt;, em que sempre alertam para o isolamento que os jogos podem causar, como se a socialização fosse um valor absoluto e não condicionado a outros fatores (que &lt;i&gt;tipo&lt;/i&gt; de socialização? com &lt;i&gt;quem&lt;/i&gt; será a socialização?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nisso tudo, eu fiquei feliz ao encontrar a entrevista da Superinteressante de agosto, ano corrente, em que o psicanalista e professor de literatura Pierre Bayard, autor do livro &lt;i&gt;Como falar de livros que não lemos&lt;/i&gt;, diz que ler não é tão importante assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a entrevista na íntegra, porque além de não defender a leitura no geral, eu também não defendo a leitura de alertas de copyright:&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quer dizer que é possível ser culto sem ler um único livro inteiro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ler uma obra da primeira à última linha? Sim, claro! Para uma pessoa realmente culta, o mais importante não é ter lido várias obras por completo, e sim saber se orientar, situar o livro e o autor dentro de um conjunto, para poder compará-los e relacioná-los com outros. É como um encarregado do tráfego ferroviário: ele precisa estar mais atento ao conjunto de vagões e ao cruzamento dos trens do que ao detalhe do interior de um vagão. Ter essa visão do conjunto é muito mais importante do que saber detalhes do interior de um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quase todo mundo defende que uma pessoa precisa ler muito, mas nem todos lêem? Por quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente essa obrigação de ter que ler que nos impede de chegar aos livros. Sacralizamos tanto os livros, o fato de ler e ter que guardar todas as informações e detalhes dos textos, que acabamos morrendo de medo das palavras e, então,... não lemos. Prefiro evitar todo tipo de "dever" ou "obrigação" sobre esse assunto. A leitura é um ato de liberdade. Não há como impor regras a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu, por exemplo. Nunca li o Ulisses, de James Joyce, e nem pretendo. E nem por isso deixo de conhecê-lo. Sei que a história se passa em apenas um dia, tem a ver com a Odisséia, de Homero, e sei de vários detalhes que me permitem ter uma ótima conversa sobre o texto com quem quer que seja. E para isso não preciso mergulhar em suas páginas. Quer ver outro ótimo exemplo? Todo mundo fala da Bíblia. mas são raríssimas as pessoas que a leram do começo ao fim. E, no entanto, é um dos livros mais citados do mundo. Há milhares de formas de abordar um livro e não somente sua leitura integral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E um desses jeitos é justamente a não-leitura?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação com a leitura é complexa. Entre a leitura e a não-leitura há uma infinidade de graus. Não podemos achar que a leitura da primeira à última linha é a única existente – até porque muitas vezes não fazemos isso. Podemos simplesmente percorrer as páginas do livro, ou ler o titulo e a orelha, ou então passar os olhos por um ensaio sobre a obra sem nunca tê-la entre as mãos. Um livro também pode entrar na nossa vida e fazer parte dela quando ouvimos falar sobre ele. Ler ou ouvir o que os outros dizem são atitudes que fazem com que tenhamos uma idéia e um julgamento sobre o seu conteúdo. E tudo isso já é uma relação com suas páginas, é também uma forma de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Não precisamos sentir culpa ou vergonha por não ter lido as grandes obras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não – é muito melhor ser sincero com si próprio. A obrigação de ler os clássicos ou de ler os livros do começo ao fim é tão grande que faz muita gente mentir que leu, até mesmo professores universitários. Instaura-se assim uma mentira coletiva da cultura sem lacunas, de que devemos nos angustiar por não termos tanto quanto poderíamos. Mas não precisamos ter vergonha nem culpa. É melhor praticar a não-leitura ativa, ou seja, admitirmos que não lemos tal obra e, mesmo assim, falar sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você fala sério quando sugere que a não-leitura seja ensinada nas escolas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu prefiro não dar conselhos. A idéia do que escrevi é mostrar uma forma leve e divertida de tirar a culpa do leitor por ele não ter lido essa ou aquela obra. Fazer com que as pessoas reflitam sobre a ação de ler, percam o trauma e, mais aliviadas, possam ler mais e livremente. Depois que os livros saíram, dezenas de pessoas vieram me confessar que ficaram mais calmas depois de perceber como ficam culpadas por não ter lido as grandes obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Se não temos a obrigação de ler tudo, por que alguém deveria ler seu livro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveria. Eu escrevo pensando em pessoas que se interessam pelos livros e que gostam de refletir sobre hábitos de leitura. Estudantes, professores, pessoas que estão na área das letras. Ninguém tem a obrigação de ler o que escrevi. Não quero dar conselho algum, da mesma maneira que não concordo com a idéia de que alguém "deve" ler Marcel Proust, "tem que" ler James Joyce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Então podemos falar de livros que não lemos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é até melhor que a gente fale sobre um livro sem tê-lo lido completamente. Um debate nunca se limita a um livro: geralmente acaba na discussão sobre nossas noções de cultura e literatura. Se eu tiver as mesmas idéias e referências idênticas às das pessoas com quem estou conversando, qual a graça? Aí não existe uma boa discussão, não existe troca de idéias, não existe prazer. A boa discussão está em nunca conhecer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Não há o perigo de incentivar a preguiça de ler?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero de modo alguém dizer que não precisamos dos livros. Eu adoro ler, leio muito e não escrevi um tratado para que as pessoas parem de ler. A idéia é somente tirar o livro do pedestal do sagrado em que ele está. Quem incentiva a preguiça é a exigência de ler. Na escola, os alunos são obrigados a decorar detalhes do texto. Isso os afasta da leitura. Se o aluno não tem uma memória de elefante, pronto, vai mal na prova. A temida ficha de leitura, por exemplo. Eu nunca consegui fazer uma ficha de leitura decente na minha vida, porque tenho uma memória terrível. E meu filho, quando passou por essa tortura, me disse que era esse trabalho de decorar personagens e o enredo que o desencorajava a ler. Foi ai que comecei a pensar sobre esse trauma e sobre os milhares de caminhos que existem quando se trata de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você fala que a "desleitura" é um desses caminhos. Dá para ler um livro se esquecendo dele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que terminamos um livro entramos em um movimento direto rumo ao esquecimento. Vamos esquecendo as passagens, as palavras, e acabamos transformando a obra lida em algo completamente diferente. Se li todo o Crime e Castigo e depois esqueci, isso quer dizer que eu li o livro ou não? E se não me lembro de nada? Se apenas o folheei, isso quer dizer que não li? Se alguém tem uma péssima memória – como eu –, acaba esquecendo inclusive se leu ou não o texto. Mas, cada vez que citamos a obra, ela vai se tornando outra coisa, vai mudando. É isso que eu chamo de desleitura, esse movimento pessoal rumo ao esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Isso é bom ou ruim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom. O filósofo Montaigne, por exemplo, era um esquecido célebre. Há passagens dos Ensaios em que ele diz que as pessoas mencionavam seus escritos e ele não percebia. Imagino que minha memória seja ruim como a dele. Já precisei reler meus livros porque os jornalistas começaram a solicitar entrevistas e eu não tinha idéia do que estavam falando. Mas isso faz também com que possamos ter conversas enriquecedoras sobre esses textos, porque nunca uma pessoa vai ter dentro de si o mesmo livro que outra. Cada um adiciona coisas suas às obras que leu. Há diferenças culturais que fazem com o que um livro possa ter infinitas leituras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Como Falar de Livros Que Não Lemos&lt;/span&gt;, você dá conselhos e técnicas a quem quer ter essa atitude. As dicas vieram de experiência própria?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem vive no mundo da literatura, como no caso de professores como eu, sabe, na verdade, que não é preciso ler para falar de livros. Professores, críticos e jornalistas não têm tempo hábil de ler tudo o que poderiam, e isso acontece desde sempre. Então por que não admitem isso? Não é preciso decorar pontos e vírgulas para ter uma opinião sobre as obras. Para essas pessoas, criei algumas técnicas. Mas não vou enumerar para você porque eu sei que tem muita gente que vai comprar o livro só por causa dessa parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você está ciente que a livro pode ser vendido como um guia dos picaretas da leitura?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas claro! Essa é a brincadeira, mas é muito melhor guardar segredo. Vai que o livro vira best seller também no Brasil.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-2013964464401517638?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/2013964464401517638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=2013964464401517638' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2013964464401517638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2013964464401517638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/o-brasileiro-l-apenas-x-livros-por-ano.html' title='O brasileiro lê apenas X livros por ano! Shocking!'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5611425183229201506</id><published>2008-10-20T01:00:00.003-03:00</published><updated>2008-10-20T01:08:49.212-03:00</updated><title type='text'>É por isso que eu fui eleito, para empreender mudanças</title><content type='html'>Se você girar a rodinha do seu mouse diversas vezes para alcançar o final da página, poderá ver que os links foram finalmente atualizados. Não que eu realmente pense que alguém os use, mas se você quiser alguma referência de leitura, quem sabe. Sou pura influência intelectual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5611425183229201506?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5611425183229201506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5611425183229201506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5611425183229201506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5611425183229201506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/por-isso-que-eu-fui-eleito-para.html' title='É por isso que eu fui eleito, para empreender mudanças'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8999678278674289790</id><published>2008-10-20T00:31:00.004-03:00</published><updated>2008-10-20T00:36:02.306-03:00</updated><title type='text'>Teh Power Elitez, d00d</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;Se o Estado centralizado não pudesse confiar nas escolas particulares e públicas para inculcar a fidelidade nacionalista, seus líderes procurariam sem demora modificar o sistema educacional descentralizado. Se o índice de falência entre as 500 principais empresas fosse tão grande como o índice geral de divórcio entre os 37 milhões de casais, haveria uma catástrofe econômica em escala internacional. Se os membros dos exércitos dessem a estes apenas uma parte de sua vida proporcionalmente igual à que os crentes dão às igrejas a que pertencem, haveria uma crise militar.&lt;/blockquote&gt;Comecei a serializar &lt;i&gt;A elite do poder&lt;/i&gt;, de C. Wright Mills, no &lt;a href="http://libertyzine.blogspot.com/" target="_blank"&gt;libertyzine&lt;/a&gt;. Achei que os meus &lt;a href="http://www.sitemeter.com/?a=stats&amp;s=s34contrapolitics" target="_blank"&gt;literais&lt;/a&gt; 5 leitores deste blog se interessariam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8999678278674289790?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8999678278674289790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8999678278674289790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8999678278674289790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8999678278674289790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/teh-power-elitez-d00d.html' title='Teh Power Elitez, d00d'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5413726787533996197</id><published>2008-10-15T23:31:00.002-03:00</published><updated>2008-10-16T04:32:23.499-03:00</updated><title type='text'>Terminei de ler Death Note, o mangá é melhor que o anime, sério. O epílogo também é massa.</title><content type='html'>Hoje eu estava falando com umas pessoas sobre o fato de os estudantes terem que trocar seus cartões de meia passagem de ônibus de chip por cartões magnéticos aqui no Recife. E disse que não faria nenhuma diferença, porque as roletas continuarão no lugar, então o processo de entrar no ônibus vai continuar igual (colocar um cartão numa maquininha, esperar aprovação, girar a roleta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntaram o que eu queria no lugar. Na verdade, eu não quero nada no lugar. Couldn't care less se os ônibus têm ou não roleta. Se tivessem todos ar-condicionado, podem colocar três roletas mais caminho de pneus para atravessarmos antes de chegar nos assentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu ingenuamente citei o fato de que, nas cidades em que eu estive no exterior, não havia roletas nem cobradores nos ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvindo isso, as pessoas entram em estado berserk, começam a me atacar, como se eu fosse o maior militante anti-roletas do país, presidente da ONG Roletas Nunca Mais, pós-graduado em sociologia do transporte coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma menina disse que o Brasil teria que evoluir uns 200 anos para que as roletas sejam dispensáveis. O que talvez seja verdade, embora eu sinceramente não tenha calculado o tempo tão precisamente e desconfie da metodologia adotada. Ficou dizendo que as pessoas nunca respeitariam ônibus sem roletas e cobradores, ninguém ia pagar, o caos reinaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu acho mais curioso é que as pessoas sempre acham que &lt;i&gt;elas próprias&lt;/i&gt; são civilizadas e capazes de respeitar um sistema que, digamos, não use roletas (ou mesmo caixas de auto-atendimento em supermercados), mas &lt;i&gt;os outros&lt;/i&gt; são bárbaros demais. Não sei de onde tiraram essa noção, e me parece que a diferença de honestidade em geral não é muito grande (e, me parece ainda, que no passado as pessoas eram ainda mais honestas, e o mundo contava com menos mecanismos eletrônicos de vigilância, o que levanta dúvidas acerca da "evolução" necessária ao país - parece que seria necessário justamente o contrário, um regresso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na moral, acho que eu respeitaria mais essas pessoas se elas dissessem: "Sabe por que isso não funcionaria? Porque eu ia sabotar o sistema. Hehehe. &lt;i&gt;*rindo, esfregando as mãos e olhando para os lados*&lt;/i&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5413726787533996197?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5413726787533996197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5413726787533996197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5413726787533996197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5413726787533996197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/terminei-de-ler-death-note-o-mang.html' title='Terminei de ler Death Note, o mangá é melhor que o anime, sério. O epílogo também é massa.'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-2426860387415103376</id><published>2008-10-12T02:59:00.001-03:00</published><updated>2008-10-12T14:07:23.590-03:00</updated><title type='text'>Vamos formar a Incrível &amp; Invencível Aliança Liberal</title><content type='html'>Sempre que vejo liberais pedindo para outros liberais cessarem o fogo amigo e passarem a atacar seus inimigos comuns, eu me lembro das últimas palavras do Capitão Spock, algo como "As necessidades da maioria se sobrepõem às necessidades da minoria ou do indivíduo". Quer dizer, vamos parar de falar mal uns dos outros em prol do grande movimento liberal. Como Jornada nas Estrelas muitas vezes soava suspeitamente comunista, isso basta para que eu fique meio desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema percebido por esses liberais ecumênicos (e eu falo de liberais porque é o grupo mais amplo em que eu me encaixo e com o qual eu conseqüentemente tenho mais contato, mas imagino que o mesmo problema seja encarado por outras vertentes ideológicas) é que os outros liberais adoram criar facções e gastar todas as energias criticando pontos relativamente menores das próprias teorias em vez de gastar seus recursos com os inimigos reais. Ou seja, os ecumênicos são os integrantes do Judean People's Front, chamando o pessoal do People's Front of Judea de "splitters".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu sou um "anarco-liberal" (ou anarco-capitalista, embora eu não goste do nome, ou anarquista de mercado, embora este soe tão bem em português), eu sou talvez um dos piores splitters do liberalismo. Portanto, eu falarei da questão do purismo e do faccionismo da minha perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorre é que minarquistas, aqueles que acreditam no estado, ao contrário de mim, ficam querendo que eu pare de criticar certos pontos de suas idéias para criticar os inimigos comuns. É natural que os minarquistas queiram o apoio de anarquistas nas questões maiores, afinal, os dois grupos concordam em 90% das questões, and the more the merrier. Também é natural que os minarquistas se sintam atacados desproporcionalmente em relação às outras correntes ideológicas que representam ameaças maiores. Mas o remédio que os minarquistas propõem em relação aos anarquistas — desenfatizar as diferenças e enfatizar as semelhanças — me parece não ser tão bom assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê?, você me pergunta. Porque essa estratégia abre a porta para que o debate fique viciado — isto é, ele aliena certas questões, tirando-as da pauta, e permite que outras questões mais se tornem anátema. Digamos que você seja minarquista e ache que a discussão sobre a existência ou não do estado seja uma questão menor em relação às grandes invasões da liberdade que são perpetradas ao redor do mundo hoje em dia. De fato, eu seria o primeiro a admitir isso — mas você vai mais longe e quer que as pessoas parem ou reduzam significativamente as discussões sobre um assunto tão irrelevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que suprimir só essa questão? Por que também não suprimir a discussão sobre a existência ou não, digamos, do ensino público? Ou da saúde pública? Ou do banco central? Ou, de fato, por que também criticar o banco central e não simplesmente certas políticas implementadas pelo banco central? Evidentemente as políticas que o banco central implementa são imediatamente danosas, e focar na própria existência dos bancos centrais pode indispor os estritamente minarquistas em relação aos liberais mais moderados. E por que parar por aí? Por que também não relegar a segundo plano a discussão sobre, digamos, obras públicas? Nós podemos focar no desperdício gerado por certas obras públicas — ponto que certamente une diversos liberais (isto é, desde os mais radicais aos mais moderados) e vários social-democratas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sempre uma questão mais urgente que requer atenção imediata dos liberais, mas a tática dos ecumenistas, de tentar construir uma grande coalizão liberal, esbarra invariavelmente na pergunta: por que não uma coalizão ainda maior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema se reduz à questão mais específica: qual é o objetivo dos liberais? Responder a essa pergunta também esclarece por que a tentativa de construir grupos cada vez mais amplos de liberais sempre fracassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fracassa porque, embora o objetivo mais &lt;i&gt;geral&lt;/i&gt; dos liberais seja aumentar a liberdade individual e diminuir o escopo do estado, esse não é um objetivo em volta do qual se constrói uma coalizão. Coalizões são construídas em torno de objetivos específicos. Mais liberdade individual não é um objetivo de uma coalizão política, mas de um grupo ideológico. Uma coalizão política deve ter como objetivo o impeachment do presidente, a resistência ao serviço militar obrigatório, a extinção do BNDES. Construir uma liga pela liberdade individual serve para divulgar uma idéia, mas não é uma ação prática contra o "inimigo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, tentar fazer com que os liberais não se digladiem entre si é inútil. E não apenas inútil, mas também deletério, já que canaliza o debate e faz com que cada vez mais questões se tornem indiscutíveis. Assim, o debate se fecha sempre que assuntos como democracia, ensino público, saúde públca, direitos sociais, etc, são abordados. Suprimir certas questões é efetivamente um desserviço à causa liberal, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clamor por mais amor e carinho intra-movimento se baseia numa incompreensão da dinâmica política: as idéias políticas determinam os cursos de ação prática, mas não diretamente. As idéias mais abstratas são o determinante dos &lt;i&gt;limites&lt;/i&gt; do debate político, não os determinantes de ações práticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso foi possível que a Anti-Corn Law League, talvez o último grande movimento liberal da história, tivesse sucesso. Ele se assentava sobre uma base filosófica liberal, mas seu objetivo era bem mais restrito que a implantação total do liberalismo. O mesmo vale para a Revolução Americana que, embora tenha libertado os EUA da Grã-Bretanha, manteve o debate aberto &lt;i&gt;entre&lt;/i&gt; os revolucionários sobre o que fazer após a independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, por incrível que pareça, apesar do o que os integrantes do Judean People's Front possam achar, o People's Front of Judea, o Judean Popular People's Front e o Popular Front of Judea podem até ajudá-los. Apesar de (ou exatamente por) serem splitters.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-2426860387415103376?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/2426860387415103376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=2426860387415103376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2426860387415103376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2426860387415103376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/vamos-formar-incrvel-invencvel-aliana.html' title='Vamos formar a Incrível &amp; Invencível Aliança Liberal'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1292446451320348202</id><published>2008-10-12T01:18:00.002-03:00</published><updated>2008-10-12T01:21:55.775-03:00</updated><title type='text'>A solução definitiva para o caos urbano em São Paulo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Escrevi este texto faz um tempo. Melhor colocá-lo aqui de uma vez, para referência futura.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;***&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Assim como as massas cansadas que chegam à América anseiam por respirar livres, os paulistanos cansados anseiam por transitar livres. Não há um único dia em que não se proponha alguma medida para solucionar o caos urbano nas ruas de São Paulo. Vários especialistas já apontaram soluções, e a solução da moda é o pedágio urbano. Como também sou um especialista de renome em alguma coisa, vou apontar uma lista compreensiva de medidas que devem ser tomadas para se solucionar o problema do trânsito na capital paulista:&lt;blockquote&gt;1) ...&lt;/blockquote&gt;Sei que as medidas acima propostas podem causar certo furor entre os círculos mais burocráticos, mas também acredito que sejam as únicas medidas capazes de assegurar a viabilidade do trânsito em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque várias medidas já são tomadas e não adiantam nada. Convenhamos, se o governo de fato quisesse menos carros em São Paulo, baixaria um decreto os taxando em 5000%, o que possivelmente levaria à adoção de charretes na Avenida Paulista, dando um ar mais clássico ao centro financeiro do país. Imagino que, ao menos, aqueles que reclamam da velocidade e impessoalidade das relações sociais da sociedade contemporânea fossem ficar felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazer nada provavelmente é a opção mais prática e vantajosa porque eleva os custos de se possuir um carro sem qualquer investimento. No ritmo que as coisas andam, em breve não vai mais valer a pena viver em São Paulo e seus habitantes vão procurar outro lugar para morar — sem necessidade de pedágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As soluções usuais defendidas pelos "especialistas" sempre envolvem a construção de novas vias e o investimento em transporte público. Em primeiro lugar a construção de novas vias para aliviar o congestionamento urbano equivale, como observou James Kunstler, a afrouxar o cinto para perder peso. Em segundo lugar, é ridículo pensar que se deve "investir" em transporte público quando o governo proíbe o investimento privado no setor, conferindo privilégios para certos grupos com conexões políticas. O resultado é que o custo do transporte público é alto e a qualidade é baixa. Isso ocorre porque geralmente os ônibus e metrôs são vistos como "bens inferiores", ou seja, bens que as pessoas deixarão de usar assim que sua renda aumentar. Óbvio. Se as pessoas andam como sardinhas nos ônibus, não é de espantar que estejam dispostas a destruir a própria vida para financiar um Uno Mille em 36 vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, honrando a tradição de criatividade legislativa da cidade, ainda há o infame rodízio de automóveis há anos, que, como muitos já notaram, só incentivou as famílias a comprar um segundo carro. O rodízio é um fracasso, mas é uma medida que continua em vigor porque, como diria Mário Henrique Simonsen, o Brasil é o país da contra-indução. Na indução, nós testamos uma teoria e a mantemos se estiver certa; no Brasil, nós testamos uma teoria e, mesmo que ela se mostre errada, nós continuamos com ela até dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso até conceder que os pedágios no centro de São Paulo são uma melhora em relação a outras propostas, porque pretendem internalizar os custos de se andar em vias públicas. Mas o governo não tem como saber qual é o ponto eficiente para precificar o uso das ruas, já que não existe propriedade privada de ruas e sua escassez relativa está oculta. E, além do mais, por que nós deveríamos dar mais dinheiro para um bando de burocratas? Vamos, paulistanos, vocês podem sobreviver mais uns engarrafamentinhos por um bem maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que essas medidas de descongestionamento só são necessárias porque o governo incentiva sistematicamente o adensamento populacional. As cidades crescem muito além do ponto ótimo porque o governo externaliza diversos custos que de outra forma seriam privados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A existência da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros incentiva, e não desincentiva, a ocupação de áreas perigosas das cidades, como encostas e barrancos. Os moradores, sabendo que serão protegidos de deslizamentos, enchentes, etc, pela Defesa Civil, sempre tentarão ocupar áreas aparentemente inabitáveis. Ao receberem abrigo após catástrofes, elas também são incentivadas a permanecer nas grandes cidades. Dado que os indivíduos via de regra vão preferir se concentrar em certos pontos para poupar custos de transporte, se você externaliza outros custos, obviamente a concentração será maior. Evidentemente eu não pretendo culpar essas pessoas por buscarem melhores condições de vida em uma cidade grande e, de fato, elas só o fazem porque suas opções foram limitadas de outras maneiras — se o governo subsidia a ocupação de áreas perigosas, por um lado, ele limita a elevação do padrão de vida dos pobres por outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saúde, educação e até mesmo segurança pública têm o mesmo efeito: externalizam custos e incentivam o adensamento populacional. Em cidades em que a saúde e a educação pública têm maior qualidade, como no caso de São Paulo em relação a outras cidades, há a atração de pessoas. No caso da segurança, que, se fosse produzida privadamente, seria um bem heterogêneo, com preços diferentes cobrados para diferentes áreas, os preços cobrados são os mesmos não só para toda a cidade, mas para todo o estado de São Paulo (e o mesmo vale em todos os outros estados do Brasil), sem qualquer consideração pelo valor das propriedades a serem protegidas. Uma vez que o valor das propriedades em grandes concentrações urbanas é mais alto que em municípios pouco povoados, a segurança nas cidades grandes é previsivelmente mais cara. Com esse custo externalizado, haverá mais concentração urbana e, naturalmente, maior caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O zoneamento tão comum nas cidades brasileiras também tem culpa e deve responder em juízo por aumentar a necessidade de transporte público e do uso de vias públicas. As cidades brasileiras, e no mundo de forma geral, são planejadas em maior ou menor medida, sendo Brasília o extremo do planejamento urbanístico. São Paulo não é nenhuma Brasília, mas evidentemente tem lá o seu planejamento urbano. Em cidades planejadas, pretende-se separar cuidadosamente bairros residenciais, bairros comerciais, bairros industriais, etc, o que fica maravilhoso no mapa, mas, a não ser que você faça a sua feira na casa do seu vizinho, dividir estritamente a cidade em zonas só tem o efeito de aumentar a demanda pelo transporte urbano e pelo uso das vias públicas. O mesmo vale para os programas municipais, estaduais e federais de habitação, que são um tipo de zoneamento; eles criam enormes condomínios habitacionais sem nada em volta a não ser... casas. Para os governos, você só precisa de um teto para viver. O resto você dá um jeito de conseguir. Cohab, estou olhando para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como se vê, realmente as zero propostas que eu sugeri no começo do texto seriam uma mudança revolucionária para a cidade de São Paulo, dada a quantidade de medidas, regulamentações e políticas que já são empregadas sem qualquer efeito prático. A própria desregulamentação do transporte público aumentaria a qualidade dos serviços, diminuiria os preços e mesmo desestimularia o uso dos carros na cidade. Bastaria que os ônibus fossem sujeitos à concorrência, que as vans fossem legalizadas e que fosse permitida a oferta de serviços em quaisquer linhas de transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de falar em encher o bolso de políticos com mais dinheiro com pedágios, seria melhor falar em esvaziá-los e queimar os livros de regulamentações do trânsito e do espaço público paulistano. São Paulo não tem qualquer justificativa para ter o trânsito caótico que tem. A área Times Square em Nova York também tem um trânsito um tanto caótico. Mas lá tem Hummer Limos tentando manobrar. Qual é a sua desculpa, São Paulo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1292446451320348202?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1292446451320348202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1292446451320348202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1292446451320348202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1292446451320348202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/soluo-definitiva-para-o-caos-urbano-em.html' title='A solução definitiva para o caos urbano em São Paulo'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6751915017703512720</id><published>2008-10-12T00:42:00.005-03:00</published><updated>2008-10-12T14:20:25.742-03:00</updated><title type='text'>O manjar da saúde</title><content type='html'>Vendo &lt;a href="http://www.petitiononline.com/cupuacu/petition.html" target="_blank"&gt;esta&lt;/a&gt; petição, feita pelo &lt;a href="http://singelomundo.blogspot.com/2008/10/pessoas-do-meu-brasil.html" target="_blank"&gt;Gustavo&lt;/a&gt;, me ocorreu algo: médicos, nutricionistas e pessoas socialmente preocupadas estão sempre querendo adicionar compulsoriamente alguns elementos na comida vendida por aí (alguns querem que adicionem uma porcentagem de ferro, outros querem uma pitada de mandioca no pãozinho, sem falar dos ingredientes já compulsórios que as empresas têm que adicionar às suas receitas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem sempre adicionar tantas coisas à comida, para que tenhamos uma alimentação mais saudável ou mesmo para conseguir uma mãozinha do governo para lucrar, que vai chegar um momento em que tudo vai ter que ser misturado a tudo o mais, e nós vamos passar a comer uma papa homogênea composta de todos os alimentos existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E sim, eu sei que a petição não é muito séria e fala exatamente o contrário do que eu disse aqui. Mas me ocorreu isso quando eu a li, então tive que postar.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6751915017703512720?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6751915017703512720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6751915017703512720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6751915017703512720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6751915017703512720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/o-manjar-da-sade.html' title='O manjar da saúde'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8754446199496364811</id><published>2008-10-06T12:01:00.001-03:00</published><updated>2008-10-06T12:03:50.689-03:00</updated><title type='text'>Alexandre Garcia: profundo</title><content type='html'>"O sonho de todo candidato que vai para o segundo turno é levar todos os votos que conseguiu no primeiro e adicionar mais votos a esses."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ganha o Brasil? Ganha o Brasil SE os eleitores escolherem os candidatos certos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Reflexões de Alexandre Garcia sobre as eleições municipais.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8754446199496364811?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8754446199496364811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8754446199496364811' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8754446199496364811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8754446199496364811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/alexandre-garcia-profundo.html' title='Alexandre Garcia: profundo'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8846912981300501844</id><published>2008-10-04T22:28:00.001-03:00</published><updated>2008-10-04T22:31:24.910-03:00</updated><title type='text'>A Crise - Um Tratado em Tópicos</title><content type='html'>1. A crise deriva do excesso de crédito;&lt;br /&gt;2. O excesso de créditos é culpa da falta de regulamentação;&lt;br /&gt;3. O FED regula todo o crédito do país;&lt;br /&gt;4. Logo, não faltou regulamentação;&lt;br /&gt;5. Portanto, &lt;em&gt;não há crise&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8846912981300501844?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8846912981300501844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8846912981300501844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8846912981300501844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8846912981300501844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/10/crise-um-tratado-em-tpicos.html' title='A Crise - Um Tratado em Tópicos'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-3892234043471652989</id><published>2008-09-20T17:23:00.001-03:00</published><updated>2008-09-20T17:23:41.171-03:00</updated><title type='text'>Por que algumas pessoas acham que mudanças sociais, políticas e culturais justificam ações do governo?</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;No post anterior, Gustavo tentou - de forma um tanto desconexa às vezes, é verdade - rebater alguns dos argumentos que são usados normalmente em favor da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão. No curso de jornalismo (ao menos no da UFPE) os estudantes são bombardeados com essas razões pelos professores a todo momento. No entanto, não estou interesssado em analisá-las agora. Eu pretendo falar do argumento das "mudanças nas condições sociais e culturais".&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Você provavelmente já se deparou com ele. Toda vez que que alguém vai defender alguma medida do governo ele é invocado. Basta que um interlocutor rebata a necessidade dessa nova medida governamental com o fato de que no passado essa medida não foi necessária ou que em outros países ela não é adotada sem maiores problemas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No caso do diploma de jornalismo, a discussão se desdobra mais ou menos da seguinte forma:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- O diploma é necessário para assegurar a qualidade do jornalismo praticado.&lt;br/&gt;- Mas no passado o diploma não era obrigatório e não consta que isso tenha gerado maiores problemas/Em países desenvolvidos o diploma não é obrigatório.&lt;br/&gt;- Mas as condições sociais, políticas e culturais eram/são diferentes.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O mais interessante é que essas condições sociais, políticas e culturais que se modificaram nunca são especificadas. O fato de que elas são diferentes em relação ao passado ou a outros países é suficiente para justificar a necessidade de novas medidas por parte do governo. Como as condições sociais, políticas e culturais estão &lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt; mudando, você pode apelar para esse argumento a qualquer momento. Mas se perguntar quais foram essas mudanças tão importantes que justificam a adoção de novas medidas, você não vai ter resposta.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O que me interessa no momento, porém, não é o fato de que o argumento é empregado, mas &lt;i&gt;por que&lt;/i&gt; ele é empregado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Se formos observar os temas dos livros mais importantes de acadêmicos esquerdistas brasileiros mais destacados, nós podemos notar uma fixação constante com o "Brasil". Assim, você vai ver Celso Furtado falando da história econômica do Brasil, Caio Prado Júnior discorrendo sobre a evolução política do Brasil, Marilena Chauí dissertando sobre o autoritarismo cultural da sociedade brasileira. Pode ser que minha amostragem seja um pouco enviesada, mas mesmo que se discorde que esses autores (e outros da mesma linha) foquem principalmente no Brasil em seus trabalhos, me parece difícil negar que eles se interessam muito mais em retratar o Brasil do que em desenvolver teorias gerais mais abstratas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A história, para esses autores, é a disciplina de maior importância. O que eles praticam é uma espécie de historicismo: eles estudam os fatos históricos e tentam extrair deles o melhor curso de ação.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os liberais, por outro lado, freqüentemente são generalistas; isto é, eles tentam enfatizar teorias gerais aplicáveis a todos os casos. Eles focam em teoria econômica, que é invariável. A teoria econômica pode ser usada para &lt;i&gt;interpretar&lt;/i&gt; os fatos históricos. Isto é, somente com uma teoria que explique a causalidade ou as correlações entre os eventos é possível estudar a história apropriadamente - caso contrário, o estudo não passaria de uma coletânea de eventos sem relação direta uns com os outros e nenhum evento histórico teria qualquer fato causador.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Daí é possível ver que as atitudes dos dois tipos ideais de acadêmico (de esquerda e liberal) se opõem frontalmente: um estuda a história em busca de singularidades, o outro estuda a história buscando aplicar generalidades.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Daí se explica também o efeito psicológico que o argumento das "mudanças sociais, políticas e culturais" causa. A história é necessariamente diferente de país para país. Você nunca vai encontrar histórias iguais de dois países - aliás, nem mesmo dentro dos países as histórias de estados ou cidades são iguais. Por outro lado, uma teoria econômica necessariamente deve ser capaz de interpretar todos os casos possíveis. Assim, o fato de que a história do país é única é suficiente para justificar também a adoção de uma medida única por parte do governo aos olhos dos professores de jornalismo. Não interessa &lt;i&gt;quais&lt;/i&gt; são os pontos de singularidade num país que são relevantes para a discussão, porque esses professores (o "tipo ideal" de esquerdista de que eu estou tratando neste texto) já foram condicionados pela própria formação intelectual a ver a história como uma sucessão de eventos sem qualquer correspondência com outros países ou outras épocas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os liberais (ou melhor, os "generalistas"), por outro lado, tendem a considerar que as &lt;i&gt;semelhanças&lt;/i&gt; - não as diferenças - com outros países justificam a adoção de certas medidas. Portanto, se, digamos, outros países alcançaram objetivos desejados pelos proponentes da obrigatoriedade do diploma (a melhor qualidade do jornalismo, etc.) &lt;i&gt;sem&lt;/i&gt; a regulamentação, então isso é evidência de que a regulamentação não é necessária. Assim, para eles é suficiente você apontar outras épocas ou países em que a regulamentação não foi necessária para rebater o argumento - porque não é possível afirmar que seja uma &lt;i&gt;teoria geral&lt;/i&gt; a de que o diploma de jornalismo obrigatório seja absolutamente necessário para alcançar os resultados pretendidos por seus defensores.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Em suma, psicologicamente os argumentos agem de forma diferente nos dois tipos de pessoa: o argumento da singularidade não é suficiente para convencer o "liberal generalista" de que, por exemplo, uma ação governamental é necessária - é preciso apresentar uma razão por que essa resposta seria válida em &lt;i&gt;todos&lt;/i&gt; os casos; inversamente, o "esquerdista singularista" não considera suficiente que se aponte o fato de que, por exemplo, em outros países regulamentações não são necessárias - é preciso verificar se não há circunstâncias especiais em operação que não tornam a medida aconselhável.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Por isso que em debates sobre "políticas públicas" normalmente pouco se avança: porque os argumentos dos dois lados agem de forma psicologicamente invertida. Assim, os debatedores sempre pensam que o outro lado da discussão não compreendeu seus argumentos ou que está respondendo a argumentos já refutados.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não é meu objetivo aqui criticar de forma mais aprofundada a epistemologia da pesquisa acadêmica dos singularistas ou dos generalistas, mas me parece óbvio que a metodologia dos "esquerdistas-singularistas" é totalmente incorreta: ao estudar os fatos únicos da história de um país, eles inevitavelmente lançam mão de teorias pré-concebidas, porque sem elas eles só poderiam publicar montes de dados ininteligíveis em seus livros. Seus argumentos, então, na maior parte das vezes são inválidos, porque as teorias em que se baseiam não estão explicitadas e, assim, não são bem desenvolvidas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enquanto esses fatos não forem reconhecidos, vai ser impossível uma discussão profícua. É preciso que os dois lados de um debate falem a mesma língua antes de começar a discutir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-3892234043471652989?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/3892234043471652989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=3892234043471652989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3892234043471652989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3892234043471652989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/09/por-que-algumas-pessoas-acham-que.html' title='Por que algumas pessoas acham que mudanças sociais, políticas e culturais justificam ações do governo?'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6863280969129470996</id><published>2008-09-16T13:17:00.002-03:00</published><updated>2008-09-16T13:20:45.789-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Na faculdade somos obrigados a ler algumas coisas que são mais idiotas do que nosso cérebro consegue agüentar quieto, e nos força a escrever sobre elas. É o caso desse meu texto - enorme - que você vai ler, porque, bem, você está aqui por algum motivo, né?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais que sete erros: as falácias de quem vê erro onde não tem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em artigo intitulado “Jogo dos sete erros: desmascarando algumas falácias sobre a regulamentação profissional dos jornalistas”, Fred Ghedini, Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, acredita ter rebatido sete falácias contra a regulamentação profissional do jornalismo. Suas réplicas aos argumentos anti-regulamentação, entretanto, valem menos que uma fatia de bolo de rolo – não que isso seja tão ruim, sendo goiabada meu doce favorito, dou muito valor ao bolo de rolo. Tanto que substituo “uma fatia de bolo de rolo” por “uma faixa de Mastruz com Leite”, pra dar ar incontestável de baixa qualidade aos argumentos do Ghedini, ou ao que ele supõe sejam argumentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O primeiro argumento que ele diz ser falacioso – e ele começa no seu auge, acertando – é o de que “A legislação que regulamenta a profissão é ilegítima porque foi feita na época do regime militar”. De fato, eis uma proposição estúpida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A legislação não é ilegítima porque foi feita durante o regime militar. Ela é ilegítima simplesmente &lt;i style=""&gt;porque sim&lt;/i&gt;. Porque qualquer tentativa de criar reservas de mercado é ilegítima. Ignore-se o fato de que foi criada por militares ou por Dom Pedro, ou mesmo por Karl Marx ou Adam Smith. Ela é ilegítima independentemente da ideologia que a criou. Não há mais que discutir sobre a falácia número um. De fato ela é falaciosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que se deve discutir, sim, é a razão torta que Ghedini encontra pra caracterizar a falácia. Ele diz que a legislação é legítima &lt;i style=""&gt;apesar &lt;/i&gt;do regime militar. Porque ela atendeu aos anseios dos jornalistas, que sonhavam com essa regulamentação desde 1918. É como se uma medida, de repente, se legitimasse porque a camada beneficiada por ela se satisfez com sua implantação. É como afirmar que são legítimos os inúmeros aumentos de salários que os deputados se dão, porque, observem, eles próprios sempre ansiaram por um salário maior – e que ânsia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O argumento de Ghedini não serve para justificar apenas a regulamentação jornalística, mas qualquer outra lei. Os censores anseiam pela censura, os torturadores pela tortura, e os cozinheiros pela obesidade. As restrições são sempre justificadas pelos olhos de quem as impõe, e por isso o argumento de Ghedini, unilateral, cai por água abaixo, afundando como uma bigorna jogada de um globocop em alto mar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O segundo argumento que Ghedini julga ser falacioso é “a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão se choca com a liberdade de expressão”. Dessa vez Ghedini já erra pelo julgamento. Não há nada de falacioso na sentença.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O fato é que Ghedini tenta aplicar um &lt;i style=""&gt;reductio ad absurdum&lt;/i&gt; inválido, dizendo que “se assim fosse, a única forma de garantir a liberdade de expressão para a sociedade seria que” – e você já deve ter deduzido – “todos os cidadãos praticassem o jornalismo”. Não só essa interpretação está errada, como ela quer inverter conceitos. Alguém pode ser mais ou menos cerceado, embora, para ser livre, não possa sofrer restrição alguma. Para ferir a liberdade de expressão, basta que alguém me impeça de falar no jornal. Isso não significa que eu seja obrigado a isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A possibilidade legal de me expressar jornalisticamente é apenas uma das formas de não ferir a liberdade de expressão, não a garantia dela. É impossível garantir a utilização de todos os direitos, mas é possível garantir que esses direitos não sejam feridos, ao menos pelas ferramentas que têm a obrigação de garanti-los – lembro aos leitores, claro, que não são “os donos de empresas jornalísticas” o padrão da liberdade civil. São os limites impostos pelo Estado. Quanto mais regras cria o governo, mais cerceada está a liberdade. A regulamentação profissional é apenas mais uma regra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ghedini também se contradiz quando afirma que seria “saudável, observados os parâmetros deontológicos da profissão” que todo mundo se expressasse jornalisticamente, mas que é “francamente impossível”. A contradição não está em afirmar a impossibilidade de que todos se expressem jornalisticamente. Está em assumir que, se fosse possível que todos se expressassem, não haveria mal algum, mas, diante dessa impossibilidade, o melhor é limitar o máximo possível essa expressão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Recomendo a Ghedini um artigo de Frédéric Bastiat, “Petição dos fabricantes de velas”, que explica, em exemplo similar, e muito melhor do que eu poderia fazer, a falta de lógica de ser contra algo em parte, mas a favor no total. O protecionismo ao profissional do jornalismo não é justificado porque é impossível que todos se expressem. Se a expressão geral é interessante, mas impossível, nada mais interessante que tentarmos nos aproximar o máximo que conseguirmos dessa possibilidade geral de expressão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Espero que a essa altura todos estejam convencidos do óbvio: eu estou certo, Ghedini está errado, e ninguém gozando de saúde mental realmente gosta de sapoti. Eu continuo, entretanto, porque meu dedo coça para refutar as asneiras de que Ghedini é capaz para defender sua classe – qual a próxima, Ghedini? “É justo porque o beneficiado sou eu”?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A terceira bobagem que Ghedini fala é que o argumento de que “a exigência do diploma é elitista” é inválido. Depois, pra argumentar, ele põe a culpa no governo – não é culpa dos jornalistas, afinal, que o governo seja incompetente para dar faculdade de jornalismo para todo mundo que queira. Depois ele diz que a barreira é a mesma para qualquer outro curso que exija diploma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esses argumentos do Ghedini só se sustentam, entretanto, quando se assume que &lt;i style=""&gt;todo o resto do mundo está bem&lt;/i&gt; e que a única questão em disputa é a regulamentação do jornalismo – não sei quanto a ele, mas eu não sou uma máquina dedicada à defesa ou ao massacre do jornalismo. Tenho idéias que vão além do meu campo de atuação. Desde o começo tenho dito que não é a regulamentação do jornalismo que é ilegítima. É a regulamentação em si. Isso quer dizer que não tenho nada contra alguém que queira trabalhar como advogado, dentista ou cirurgião cardíaco sem diploma. A única exigência que faço é que não haja fraude (se um cirurgião não é formado, que não diga que é), e quem quiser arriscar a própria vida que arrisque na sala de cirurgia do autodidata.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não há piada nisso, e realmente acredito que ninguém é &lt;i style=""&gt;obrigado&lt;/i&gt; a ir para um médico não formado, nem a contratar um jornalista analfabeto. Acredito que há formas diversas de se adquirir um conhecimento, e que restringir a atuação profissional ao que é estudado na academia é, além de elitismo financeiro, pedantismo acadêmico – que gerou a demora de décadas na implantação da medicina oriental no Brasil, como a acupuntura, que hoje é aplicada &lt;i style=""&gt;da mesma forma, mas com milênios de atraso&lt;/i&gt;, por médicos formados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Limitar a atuação profissional em qualquer área é limitar não somente o numero de profissionais que atua nela – e já seria desastroso o bastante limitar esse número –, mas também limitar sua evolução e continuidade. Não à toa a publicidade brasileira é muito mais respeitada – e bem paga – e criativa – e interessante – que o jornalismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A quarta falácia que Ghedini identifica é similar à quinta, e serão, ambas as refutações de Ghedini, refutadas ao mesmo tempo. “Jornalismo é uma questão de talento”, diz a falácia número 4, e “a profissão de jornalista não exige qualificações profissionais específicas” diz a quinta. De certa forma elas se complementam, e de forma alguma estão erradas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para refutar a falácia número 4 ele diz que, apesar de antigamente a profissão ter sido exercida por “boêmios”, talentosos ou nem tanto, hoje em dia ela tem um ritmo muito acelerado e exige que o trabalho seja feito sem titubear. Ghedini não diz qual foi a mudança estrutural no jornalismo que levou a isso – mas é pedir demais a alguém que sequer sabe argumentar que faça um traçado da evolução histórica do jornalismo. Mais fácil pedir que um aluno do ensino médio escreva um romance filosófico melhor que os da Clarice Lispector (mas, de novo, me precipito. Qualquer um escreve romances melhores que os da Clarice Lispector. Proust eu quis dizer. Proust. Com que idade Proust escreveu seu primeiro livro?).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esse argumento do ritmo frenético não significa absolutamente nada. Não exclui a possibilidade do talento, apesar de reforçar a necessidade da prática. Nada impede, também, que alguém não estudado (formalmente) passe, “sem titubear, desde os primeiros momentos na profissão”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outro argumento dele é que pessoas de talento podem, se quiserem, passar quatro anos se martirizando na faculdade para aprender a fórmula atual do jornalismo, desgastando assim o talento que tinham para revolucionar a profissão, com a infecção da formalidade acadêmica –graças a Deus eu nunca tive talento que pudesse ser destruído pela academia, e Deus salve os talentosos!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;À quinta falácia ele opõe a necessidade do jornalista de conhecer amplamente “cultura e legislação”, além dos “valores éticos que fundamentam a vida em sociedade e que consolidam as conquistas da civilização”, e mais as regrinhas básicas, como ouvir todas as partes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sei por onde começar a refutar esse homem. Ele propõe que o jornalismo atual é dotado de grande conhecimento de cultura legislação ou que deve passar a ser quando o governo investir 80% do PIB nas faculdades de jornalismo? Porque, francamente, todas as pessoas com maior conhecimento de cultura e legislação que conheço são de áreas bastante distintas do jornalismo. E, se a proposta é conhecer cultura e legislação, porque um advogado não poderia exercer a profissão? Ou um professor de história? Ou mesmo qualquer estudioso autônomo de ambas as áreas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os “valores éticos que fundamentam a vida em sociedade” não podem ser aprendidos a partir, de repente, da &lt;i style=""&gt;vida em sociedade?&lt;/i&gt; E que dizer do esforço para ouvir todas as partes? Ele é seguido pelos jornalistas formados atualmente? São necessários quatro anos de estudo para descobrir essa necessidade? Acaso todas as pessoas, por menor que seja seu senso crítico, já não percebem naturalmente quando está faltando algo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No mais, a parte técnica do jornalismo pode, sim, ser aprendida com poucas semanas de prática – um &lt;i style=""&gt;fast-learner &lt;/i&gt;não levaria mais que dois dias. Para “olhar criticamente os processos sociais” é de fato necessário cursar jornalismo? Um curso de sociologia não basta? Não basta que leia um único livro de sociologia?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acredito – e só digo acredito para não usar o pedante verbo saber – que todas essas perguntas fazem, sim, sentido, e que, embora não constituam argumento em si, podem funcionar como a maiêutica e levar o leitor de boa fé a concluir que sim, estou certo (embora o de má fé se mantenha ali, irredutível, “eu quero minha cota, eu quero minha cota”). Vamos ao sexto, no parágrafo que vem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“O Brasil é o único país do mundo em que existe a exigência do diploma de jornalismo”. Essa afirmação, em si, não é argumento. É apelo à autoridade, falácia das mais conhecidas, como o &lt;i style=""&gt;ad hominem&lt;/i&gt; que usarei contra Ghedini em três dois um &lt;i style=""&gt;careca&lt;/i&gt;, embora eu não saiba se ele é. Por outro lado, as implicações dessa frase ali em cima são evidências fortes de que algo está errado no Brasil, quando se observa que o jornalismo praticado nos países desregulamentados é muito mais interessante – e muito mais acompanhado – e mais variado – e mais etc. – que o praticado no Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ghedini não chega ao ponto de propor que os outros países regulamentem seus jornalista, &lt;i style=""&gt;not of his businnes&lt;/i&gt;, mas diz que a realidade brasileira exige essa regulamentação por causa da relação incestuosa entre o parlamento e as empresas de comunicação (desde quando o parlamento é irmão das empresas de comunicação, e quando começaram a fazer sexo é algo que desconheço, e que Ghedini guarda pra sua própria masturbação, revelando os fatos sem por os vídeos no redtube), e que, portanto, deve-se dar ao apaixonado parlamento o poder de cassar a liberdade da comunicação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas peraí! Além de ser um caso para a delegacia da mulher, acho que Ghedini se contradiz quando fala que, por haver uma relação íntima entre o parlamento e os proprietários, o parlamento deve regular esses mesmos proprietários. &lt;i style=""&gt;Non sequitur&lt;/i&gt; – e esgotam-se meus estoques de expressões latinas &lt;span style="font-family: Wingdings;"&gt;&lt;span style=""&gt;L&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Se o problema está no relacionamento dos donos de empresas de comunicação com os parlamentares, os donos de empresas só têm a se beneficiar com a regulamentação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ghedini diz que não, que pelo contrário, que os parlamentares são maus maridos, e que os donos de empresas de comunicação querem o divórcio – no que mente sem vergonha na cara. A regulamentação do jornalismo não apenas beneficia os profissionais formados de forma criminosa. Também impede a criação de empresas de jornalismo de pequeno porte (o custo de um jornalista formado é muito alto para que uma pequena empresa surja com visão oposta à do jornalismo atual, e isso mantém o oligopólio das grandes corporações). Ta-dã! Revelado o defeito da regulamentação com que, creio, todos os comunicadores que desejam honestamente o acesso a informações de qualidade deveriam concordar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Até agora, quando nos aproximamos do final, vejamos as conclusões que podemos tomar: Ghedini está errado, eu estou certo e, muito importante, não se come sapoti. Ao sétimo e último argumento, que Ghedini não entendeu, coitado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O argumento diz que os cursos são ruins, e que exigir diploma é criar reserva para esses cursos. Ghedini começa dizendo que os cursos não são ruins, mas isso não importa. Importa que, se houvesse concorrência a eles, certamente seriam melhores. Por exemplo, cito um mercado bastante desregulamentado... er... tá, não dá pra citar um exemplo disso aqui no Brasil, mas conto com a sua capacidade de abstração pra imaginar que existe um desses, e que se chama “jornalysmo”. Bem, suponha agora que, como esse ambiente é desregulamentado, existam dezenas de empresas jornalísticas na cidade que usaremos como exemplo, Gustavolândia, para satisfazer minha vaidade. Em Gustavolândia existe uma faculdade de jornalysmo, e ela era razoável antigamente, quando a cidade se chamava Ghedinilândia e era toda regulamentada, como se espera de uma cidade com esse nome.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando o rei Gustavo assumiu, ele desregulamentou, contra protestos dos jornalystas, o trabalho nessa profissão – em todas as outras também, mas não vou perder meu tempo narrando pra vocês a superioridade de Gustavolândia sobre todas as outras cidades do mundo, e de como brotavam pastéis de nata em todos os jardins. No início, muitos jornalystas perderam o emprego, mas foram logo absorvidos pelo mercado da produção de almofadas, onde descobriram seus verdadeiros talentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As empresas jornalýsticas contrataram pessoas sem formação, e mantiveram apenas os jornalystas mais capazes. Com o tempo, essas empresas cresceram e se multiplicaram, como manda a lei divina, mas sem incesto, como acontecia antigamente, porque uma empresa vigiava a outra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A faculdade de jornalysmo, para não se tornar inútil, melhorou sua estrutura e se adaptou à realidade do livre-mercado, passando a estimular que as empresas da área contratassem primariamente os profissionais formados. Nada impedia, entretanto, que os amantes do jornalysmo ingressassem no mercado sem formação nenhuma, e de vez em quando as empresas contratavam gente sem formação. Mas era aos formados que elas preferiam, porque agora os alunos saíam da faculdade cada vez mais preparados, porque sabiam da necessidade não só do diploma, mas da capacidade de fazer um bom jornalysmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aqui, com preguiça, termino este que é, provavelmente, o maior artigo que mãos humanas já escreveram para rebater um texto tão obviamente errado. Mas que seja, cá está ele.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6863280969129470996?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6863280969129470996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6863280969129470996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6863280969129470996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6863280969129470996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/09/na-faculdade-somos-obrigados-ler.html' title=''/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8766973716632044378</id><published>2008-08-26T23:44:00.001-03:00</published><updated>2008-08-26T23:44:15.540-03:00</updated><title type='text'>Meus mangás do momento</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Na Liberalismo &lt;a target='_blank' href='http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=14635715'&gt;tr00&lt;/a&gt;, eu expliquei alguns temas liberais e anarquistas do mangá de Yu Yu Hakusho (que tem uma história bastante diferente da do anime no final):&lt;blockquote&gt;Bom, pra quem não sabe, Yusuke e seus amigos têm que lutar contra invasores do mundo dos demônios no mundo dos humanos. O mundo espiritual é o intermediário entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre houve uma barreira entre o mundo dos humanos e o dos demônios e a barreira era justificada porque se assumia que os demônios eram naturalmente violentos e hostis à humanidade. A barreira evitava que a maior parte dos demônios (inclusive os mais fortes) fosse para o mundo real e colocasse a vida das pessoas comuns em risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, após uma investigação, o Koenma, filho de Enma Daio (Enma Daio é o chefão do purgatório -- mundo espiritual --, na tradição japonesa ele é quem direciona os espíritos para o inferno ou para o paraíso), descobriu que a barreira não passava de um artifício do mundo espiritual (que servia como governo do além) para aumentar o seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo espiritual tomava o controle da mente de demônios mais fracos e os jogava no mundo dos humanos para cometer crimes. Assim, ele chamava o "detetive sobrenatural" Yusuke para derrotar os demônios "inimigos" e justificava a barreira que mantinha entre os dois mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, os demônios não eram inerentemente hostis à humanidade. Uma minoria evidentemente cometiam crimes, mas não era regra geral. O mundo espiritual apenas incriminou alguns demônios e criou uma sensação de insegurança que justificava que ele expandisse seus poderes sobre ambos os mundos. Alguém sente algum liberalismo ou anarquismo aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, a barreira é quebrada com a descoberta da fraude e é instituída a livre imigração entre os dois mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde um grupo de radicais religiosos anti-demônios aparece e barbariza o mundo espiritual, exigindo que seja reerguida a barreira. Se a barreira não fosse reerguida, eles vaporizariam uma cidade do Japão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem basicamente era que os demônios eram pacíficos e que apenas uns fanáticos estavam dispostos a destruir tudo para manter o próprio controle. Maneiro ou não?&lt;/blockquote&gt;Se Yu Yu Hakusho é bastante interessante politicamente (apesar de serem apenas laterais à história), Gunnm (chamado de Battle Angel Alita nos EUA), outro mangá que estou lendo, utiliza muito mal seus temas políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o volume 15, que é onde eu estou (são 18 volumes brasileiros, 9 na edição japonesa), o mangá mal fala dos problemas políticos que são tão centrais à história. O enredo é mais ou menos o seguinte: a ciborgue gatinha Gally (Alita na versão americana) é encontrada em estado de animação suspensa num monte de sucata por Ido, que dá a ela um novo corpo mecânico. Eles passam a viver juntos na Cidade da Sucata, que é o lixão da cidade voadora de Zalem. A Cidade da Sucata serve basicamente como sustentáculo de Zalem: fornece seus mantimentos, acumula seus detritos, enfim, é o cenário normal de ficção científica -- um monte de lixo e gente acabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente um dos temas centrais do mangá seria como os habitantes da superfície (como são chamados os lugares que &lt;i&gt;não são&lt;/i&gt; a cidade de Zalem) reagem á opressão da gente da cidade voadora. Mas nem é. Ficam o tempo inteiro explodindo cérebros, mutilando ciborgues e alterando malucamente a personalidade de Gally. E eu tenho certos problemas com splatters de longa data. Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é que Yu Yu Hakusho, mesmo abordando um tema tangencial à história conseguiu fazer algo sensacional, e Gunnm mal utiliza um dos seus temas principais. Go figure.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8766973716632044378?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8766973716632044378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8766973716632044378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8766973716632044378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8766973716632044378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/08/meus-mangs-do-momento.html' title='Meus mangás do momento'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5788272820321512944</id><published>2008-07-20T23:03:00.001-03:00</published><updated>2008-07-20T23:03:44.565-03:00</updated><title type='text'>The Probabilty Broach, de L. Neil Smith</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;a target='_blank' href='http://www.bigheadpress.com/tpbtgn'&gt;Aqui&lt;/a&gt; está a versão HQ de The Probability Broach, um dos livros de ficção mais populares entre os libertarians americanos. Mas eu não consigo ler comics. Elas sempre têm ênfase nas palavras erradas. Sempre. Fechei na quinta página em convulsão. Alguém de vocês leia e faça um resumo, faz favor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5788272820321512944?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5788272820321512944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5788272820321512944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5788272820321512944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5788272820321512944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/07/probabilty-broach-de-l-neil-smith.html' title='The Probabilty Broach, de L. Neil Smith'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5463317550347740567</id><published>2008-06-29T18:37:00.001-03:00</published><updated>2008-06-29T18:37:16.093-03:00</updated><title type='text'>Uma nota sobre os futuros apocalípticos da ficção científica</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Eu detesto filmes de ficção científica que retratam o futuro da humanidade como um apocalipse de poluição, morte, gente descerebrada, destruição e corporações e governos gigantescos que controlam cada aspecto da vida da massa imbecil. Não que esse não seja um cenário possível, só não considero &lt;i&gt;plausível&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses filmes transmitem uma certa desconfiança do progresso, como se o que fosse bom é o que existe agora ou que já existiu. Até identifico aí um padrão, como os debates dos liberais clássicos com os conservadores, em que os liberais defendiam o progresso, os padrões mais altos de vida, a indústria, o comércio, enquanto os conservadores defendiam a família, valores sociais, a hierarquia da sociedade, o retorno aos good old times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cineastas (e, por que não, escritores) que imaginam esses cenários para o futuro têm uma atitude cínica para com a humanidade. Para eles, só quem identifica os problemas da humanidade são eles mesmos, as outras pessoas são apenas um bando de retardados prontos a aceitar o comando de uma megacorporação a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se as pessoas em geral realmente não passam de imbecis, por que desejar que elas mudem? Afinal, se elas acabarem num estado deplorável no futuro, elas vão merecer. No meu caso, sinceramente, eu não vejo qualquer valor em defender a liberdade para um monte de mentecaptos. Se eu defendo a liberdade para todos, é porque eu tenho uma crença indelével na criatividade e na capacidade humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É divertido você assumir que todos são estúpidos exceto você. Mas eu não saberia explicar todas as coisas de que eu gosto (videogames, mangás, livros, coisas fúteis mas que significam muito para mim) se os seres humanos realmente não são capazes de coisas incríveis. E se não são e acabarem num futuro estilo Blade Runner, bom, &lt;i&gt;they had it coming&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5463317550347740567?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5463317550347740567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5463317550347740567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5463317550347740567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5463317550347740567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/06/uma-nota-sobre-os-futuros-apocalpticos.html' title='Uma nota sobre os futuros apocalípticos da ficção científica'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1030142317413681247</id><published>2008-06-03T02:31:00.001-03:00</published><updated>2008-06-03T02:31:28.575-03:00</updated><title type='text'>O teste político da Veja é um lixo</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;Evidente que nenhum teste político é perfeito, mas &lt;a target='_blank' href='http://veja.abril.com.br/idade/testes/politicometro/politicometro.html'&gt;o da Veja&lt;/a&gt; é simplesmente tenebroso. Metade das perguntas eu não soube como responder. Algumas das perguntas foram tiradas do Political Compass, outras foram criadas pela própria Veja - e dá pra notar bem as irrelevâncias que a Veja considera ser as prioridades do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura é a mesma do Political Compass, inclusive. Cada pergunta (são vinte) com as opções "concordo integralmente", "Concordo", "Discordo", "Discordo integralmente". A seguir algumas perguntas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;1) O MST age corretamente quando invade terras para pressionar pela reforma agrária.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta pode ser dividida em várias partes. Ela quer saber se nós aprovamos as ações do MST, se aprovamos a reforma agráfia ou se invadir terras é uma tática válida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ela só quer saber se as táticas do MST são justificáveis, eu diria que não - na maioria dos casos. Mas eu não vejo nenhum problema em pressionar por uma reforma agrária (liberal, onde as terras obtidas via agressão fossem devolvidas aos donos legítimos) ou em invadir terras injustamente adquiridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para a Veja é tudo a mesma coisa. MST = reforma agrária = invasão indiscriminada de terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;2) É melhor ditadura com estabilidade econômica do que democracia com inflação.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é ainda melhor andar de montanha-russa e tomar sorvete! Yeah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriously. Me sinto até constrangido de comentar um lixo patético desses. Primeiro a pergunta estabelece a falsa dicotomia entre ditadura e democracia. Depois estabelece uma comparação absurda entre estabilidade econômica e inflação, como se houvesse alguma relação causal entre ditadura e estabilidade econômica ou democracia e inflação. Garbage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;4) A privatização em setores como energia e telefonia trouxe benefícios para o país&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão não é essa. A questão é se as privatizações foram feitas adequadamente ou se serviram só para privilegiar alguns plutocratas. É evidente que as privatizações beneficiaram o país, porque não era possível que os serviços piorassem em relação ao que era antes. O que não é evidente é que as privatizações foram a melhor escolha possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;6) Entre um candidato corrupto, mas tocador de obras, e um honesto, mas ineficiente, prefiro votar no primeiro&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu prefiro que o Dexter mate os dois, tirando o sangue e embalando em papel para presente. Duh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;7) É condenável que as pessoas fiquem milionárias apenas aplicando no mercado financeiro, sem contribuir em nada para a sociedade&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja que a premissa da pergunta é que quem aplica no mercado financeiro não contribui em nada para a sociedade. A questão é se isso é condenável ou não. O fato é que elas não contribuem. Naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;9) O estado deveria ter controle apenas sobre as áreas de segurança pública, saúde e educação, deixando os demais setores sob responsabilidade das empresas privadas&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ih, e agora? Eu discordo, mas é porque eu acho que o estado não devia ter controle sobre nada. Mas se eu colocar que discordo, vou para o eixo "esquerda" ou "antiliberal". A Veja obviamente acha que a minha posição política nem deveria ser representada num politicômetro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;11) direitos como férias, décimo-terceiro e FGTS deveriam ser retirados da lei e negociados caso a caso, entre patrões e empregados&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idealmente, eu acredito nisso. Mas eles deveriam incluir na afirmativa também outros pequenos benefícios aos empregadores, como, sei lá, o BNDES.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;17) O ensino religioso deve fazer parte do currículo de todas as escolas&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma típica non-issue. Eu não acho que devo decidir o currículo de ninguém. Mas a Veja acha que você tem o direito de decidir o que eu ou o meu filho vão estudar. Oh, well.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;20) Deveria haver uma cobrança de mensalidade nas universidades públicas&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última pergunta do quiz fecha com chave de ouro a rodada de irrelevâncias. Se eu concordo com a afirmativa, eu vou para a direita? Ou para o liberalismo? Por quê? Por que não questionar a existência das universidades públicas? Por que concordar com a afirmativa não me colocaria mais à esquerda, já que manteria as contas do estado em dia, logo permitindo que ele exerça o controle sobre as universidades mais efetivamente? One wonders.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1030142317413681247?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1030142317413681247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1030142317413681247' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1030142317413681247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1030142317413681247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/06/o-teste-poltico-da-veja-um-lixo.html' title='O teste político da Veja é um lixo'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8746980140278406850</id><published>2008-04-21T23:49:00.001-03:00</published><updated>2008-04-21T23:53:03.551-03:00</updated><title type='text'>Ninguém é dono de nós mesmos?</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;De vez em quando eu vejo repetido certo argumento contra o direito de auto-propriedade libertário ("self-ownership"). Ele diz basicamente que nós não somos donos de nós mesmos, nós &lt;i&gt;somos&lt;/i&gt; nós mesmos. Reproduzo o argumento da forma como eu o vi da última vez:&lt;blockquote&gt;I've always thought the concept of "self-ownership," so loved by many libertarians, is a little screwy: Man is not a good he owns, he is himself. To the common comeback, "If you don't own yourself, then who does?" my answer has been, "No one, just like no one owns arithmetic or the night sky." -- &lt;a target='_blank' href='http://www.gene-callahan.org/blog/2008/04/voegelin-on-self-ownership.html'&gt;Crash Landing - 16/04/08&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;Essa objeção sempre me pareceu descabida. Não há nenhum motivo por que você não possa ser você mesmo e ter a propriedade sobre seu corpo. Os escravos foram privados de seus direitos de propriedade sobre si próprios, mas eles não deixaram de &lt;i&gt;ser&lt;/i&gt; eles mesmos por isso. Eles apenas foram privados (parcialmente) do controle dos próprios corpos. Propriedade significa controle de algo por alguém. Se você controla seu corpo, você tem a propriedade sobre ele. Eu ainda diria que você tem a propriedade &lt;i&gt;legítima&lt;/i&gt; sobre ele, já que há poucos casos em que a própria pessoa poderia ser alienada do controle sobre seu corpo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Outro ponto que me ocorre é que me parece absurdo simplesmente afirmar que você é você mesmo. Claro, obviamente isso é verdadeiro. Mas a &lt;i&gt;essência&lt;/i&gt; do que é o indivíduo não está em todo o seu corpo uniformemente. Você pode perder um braço ou uma perna, isso não significa que "você" foi amputado, mas que seu braço ou sua perna foram amputados. Sua consciência permanece.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A resposta de que ninguém é dono de nós mesmos também não me parece plausível, principalmente dados os exemplos de que ninguém é dono da aritmética ou do céu. Há um motivo por que ninguém é dono do céu e da aritmética e por que é necessário estabelecer um vínculo de propriedade sobre os corpos. A aritmética e o céu não são bens escassos. Os corpos humanos são. Isto é, o uso que uma pessoa faz da aritmética não exclui o uso de outra pessoa, assim como o fato de que alguém observa o céu não exclui a possibilidade de que outra pessoa faça o mesmo. (Agora, naturalmente é possível que bens que não eram escassos no passado se tornem escassos mais tarde, em virtude de mudanças tecnológicas, geográficas ou institucionais. Assim, é possível que o céu se torne um bem "escasso", graças a mudanças tecnológicas ou à poluição, e que, caso se estabeleça uma patente sobre a aritmética, ela também se torne escassa.)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os corpos humanos são escassos. Se eu uso o meu corpo, isso exclui o uso dele por outra pessoa. Ou seja, nossos corpos são bens rivais e excludentes, em economês. A analogia dos corpos humanos com a aritmética ou com o céu não faz nenhum sentido. E o fato de que nós somos nós mesmos é totalmente irrelevante para a questão de se nós somos ou não donos (legítimos) dos nossos corpos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8746980140278406850?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8746980140278406850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8746980140278406850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8746980140278406850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8746980140278406850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/04/ningum-dono-de-ns-mesmos.html' title='Ninguém é dono de nós mesmos?'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7850283075672199216</id><published>2008-04-21T23:12:00.001-03:00</published><updated>2008-04-21T23:12:05.781-03:00</updated><title type='text'>A crença na totalidade da política</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;A esquerda atual freqüentemente insiste no ponto de que "tudo é política", ou seja, insiste que tudo é passível de discussão pública, de debate ou deliberação coletiva. A esquerda em geral quer que a vida das pessoas seja politizada em todos os sentidos. É fácil perceber o motivo de toda essa insistência. Ao se tornar todos os aspectos da vida passíveis de debate, não é preciso mais respeitar certos direitos individuais, que se tornam relativos, dependentes de certas contingências e conveniências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politizar todos os aspectos da vida significa que se perde a divisão entre o "público" e o "privado", ou seja, a divisão que delimita o que é e o que não é passível de ação coletiva, de legislação. As garantias mínimas de que o indivíduo desfruta se tornam apenas conveniências relativas. A esquerda não tem o menor problema com isso porque ela não acredita na existência de uma moralidade absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou discutir o fato de que a sociedade, ou melhor, o bom funcionamento da sociedade, depende do cultivo de certos valores para não desintegrar. De fato, a única coisa que mantém a sociedade unida é uma percepção da maioria de que ela não deve agir positivamente para destruí-la. Mas isso está bem longe de dizer que "tudo é política", e me parece evidente que pensar que tudo é política é um jeito bem pobre de ver a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7850283075672199216?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7850283075672199216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7850283075672199216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7850283075672199216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7850283075672199216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/04/crena-na-totalidade-da-poltica.html' title='A crença na totalidade da política'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5844807597072976034</id><published>2008-04-21T22:33:00.001-03:00</published><updated>2008-04-21T22:33:33.940-03:00</updated><title type='text'>MTV Debate</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;A MTV se dispõe a debater a participação da juventude na política. Lobão pergunta por que a juventude é tão chapa branca hoje em dia. Ele espera conseguir uma resposta dos seguintes convidados: a presidente da UNE, a presidente da Juventude PT, o secretário da juventude do Governo Federal, um cara que invadiu a UnB, um integrante do movimento hip-hop MH&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;O que caracteriza o governo Lula como "governo popular" e a organizadora do site Coletivo Digital, que faz parte do PT. Ou seja, três petistas e três pelegos. Obviamente a juventude não é chapa branca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5844807597072976034?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5844807597072976034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5844807597072976034' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5844807597072976034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5844807597072976034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2008/04/mtv-debate_21.html' title='MTV Debate'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-139379211794912188</id><published>2007-11-02T12:00:00.000-03:00</published><updated>2007-11-02T11:58:18.387-03:00</updated><title type='text'>Estado vs. governo</title><content type='html'>(Me ocorreu postar isto enquanto lia o comentário do &lt;a href="http://depositode.blogspot.com/2007/11/comentando-um-comentrio.html" target="_blank"&gt;Richard&lt;/a&gt; sobre um post do &lt;a href="http://oikomania.blogspot.com/2007/10/libertrio-critica-anarquista.html" target="_blank"&gt;Oikomania&lt;/a&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distinção sociológica entre "Estado" e "governo" é irrelevante. Ela dá a entender que o Estado é uma instituição neutra, como se fosse apenas um instrumento. Mas se o governo é quem controla o Estado, qual a relevância de distinguir entre os dois? O fato de que o governo não é permanente não muda nada. Por que não seria possível que os componentes do Estado se modificassem de tempos em tempos? Qual a utilidade de criar uma palavra só para designar a mudança desses componentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa distinção provavelmente advém de um desejo de absolver o "Estado" das críticas levantadas contra ele, colocando a culpa de todos problemas que surgem no "governo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-139379211794912188?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/139379211794912188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=139379211794912188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/139379211794912188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/139379211794912188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/11/estado-vs-governo.html' title='Estado vs. governo'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-285105499352354584</id><published>2007-10-24T12:05:00.000-03:00</published><updated>2007-10-31T12:48:14.367-03:00</updated><title type='text'>Ainda sobre as escolas</title><content type='html'>Um &lt;a href="http://depositode.blogspot.com" target="_blank"&gt;amigo&lt;/a&gt; comentou algo sobre o post anterior. Segundo ele, a escola poderia ser considerada um "sinalizador". Isto é, ela poderia &lt;em&gt;indicar&lt;/em&gt; às pessoas quais são suas inclinações. Através da exposição a diferentes matérias, as pessoas são capazes de saber com quais elas se identificam mais para saber qual profissão ou área acadêmica adotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa era uma objeção na qual eu já tinha pensado, mas por algum motivo acabei não respondendo no post anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o primeiro e mais óbvio ponto é que, se as matérias escolares servem apenas como sinalizadores, então não deveria ser obrigatório que as pessoas cumprissem certos padrões para serem aprovadas. Por que ser cobrado numa matéria na qual você, supostamente, deve se interessar voluntariamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas mínimas para aprovação existem para que as crianças e adolescentes sejam incentivadas a estudá-las. Se elas devem se interessar por algo, elas não podem ser "obrigadas" a estudar qualquer matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, mesmo que cobranças sejam necessárias, essas cobranças &lt;i&gt;só seriam&lt;/i&gt; necessárias naquelas matérias que as pessoas pretendem estudar &lt;i&gt;de fato&lt;/i&gt;. Porque não faz sentido que pessoas que queiram estudar história sejam obrigadas a saber vários conteúdos de matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo ponto é que, se as escolas são realmente "sinalizadores", são necessários treze anos para que as pessoas saibam o que querem da vida? Não é um tanto sem sentido dizer que crianças de 9 anos estão sendo "orientadas" para sua vida futura quando estudam "ciências"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que esses argumentos não implicam na abolição da escola, mas implica, no mínimo, sua reformulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o próprio &lt;a href="http://depositode.blogspot.com" target="_blank"&gt;Richard&lt;/a&gt; observou, até as universidades são "sinalizadores". Mas se até universidades servem para indicar o que as pessoas devem fazer no resto da vida, por que fazer com que elas encarem longos enfadonhos anos de salas de aula?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um modelo mais razoável, me parece, é o universitário americano, que é dividido em dois: college e university. Durante o college, as pessoas podem cursar as matérias que preferirem quase que livremente. Aí elas fazem os "testes" e vêem para onde pendem as próprias inclinações. No university elas passam a ter uma certa rigidez de currículo. Esse modelo já seria superior ao que existe no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, eu continuo considerando as escolas, no mínimo, irrelevantes. O papel delas como "sinalizadores" é apenas incidental. A mesma tarefa pode ser realizada por outros meios, como eu sugeri no outro post. Mas, no máximo, as escolas são prejudiciais. Não é possível justificar que as pessoas joguem fora anos e anos de suas vidas dentro de salas de aula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-285105499352354584?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/285105499352354584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=285105499352354584' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/285105499352354584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/285105499352354584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/ainda-sobre-as-escolas.html' title='Ainda sobre as escolas'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7026600532085446865</id><published>2007-10-21T05:30:00.000-03:00</published><updated>2007-10-22T00:34:32.938-03:00</updated><title type='text'>Por que a escola deve acabar</title><content type='html'>Quando somos crianças ou adolescentes e vamos para a escola, entre uma aula sobre os componentes da célula e outra sobre movimento uniformemente variado, nós perguntamos aos nossos pais e aos professores: "Para que eu vou precisar disso na minha vida?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta faz todo o sentido, você é jovem mas sabe que vai ter obrigações no futuro e talvez até tenha planos em mente. Os professores ou pais, no entanto, não acham que a pergunta faz todo o sentido. De fato, freqüentemente eles riem ou simplesmente desprezam a questão com uma atitude próxima a "Quando você for adulto você vai entender". Mas eu não entendi. E, suspeito, todo aquele que realmente pensou sobre o assunto também não entendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, para que serve tudo o que você aprendeu na escola? Você provavelmente já esqueceu tudo o que supostamente fazia parte da educação "fundamental" (que deveria ser aquilo estritamente necessário, embora aborde milhões de outros conteúdos). Do ensino médio, imagino que você também não tenha levado nada para sua vida. Você lembra de algum conteúdo seu de biologia? Ou de física? Ou de química? Ou de português? A não ser que seu curso universitário ou seu trabalho lide diretamente com um desses assuntos, você não sabe nada sobre eles. Logo, eles foram uma completa perda de tempo. Teria sido mais produtivo ficar em casa e ver a Xuxa na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que você se recorde do que foi ensinado, para que exatamente você usa esse conhecimento? Além de possivelmente esses anos escolares o terem tornado craque nas perguntas do Show do Milhão ou de A Grande Chance, imagino que sua vida não tenha sido acrescida em muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero que quem estiver lendo isso ache que eu estou dizendo algo banal. Não. Eu estou dizendo que não apenas quase todo o conteúdo escolar é inútil, mas também que ele é &lt;i&gt;prejudicial&lt;/i&gt; às pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As principais justificativas para que as pessoas sejam obrigadas a atravessar &lt;i&gt;treze&lt;/i&gt; anos de educação, até onde eu sei, são as seguintes: (1) Há um conteúdo básico e universal cujo conhecimento é necessário a todos; (2) A escola serve para ensinar a viver em sociedade, como um "instrumento de cidadania"; (3) A escola provê às crianças o espaço e o tempo de socialização que elas não teriam de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira justificativa é claramente falsa. O único conteúdo educacional estritamente necessário às pessoas é o domínio básico da língua e de algumas operações matemáticas. As outras matérias são, no máximo, um complemento. O fato de que conteúdos obviamente complementares sejam obrigatórios e que isso seja aceito como natural por todos nos diz muito sobre a cultura que prevalece na sociedade hoje em dia. E, ademais, qualquer um pode testemunhar no orkut que os nossos milhões de alfabetizados (até mesmo em escolas particulares, das quais sai a maioria dos usuários de internet), poucos sabem escrever uma linha em português inteligível. Parem as aulas sobre moléculas cis e trans e os façam estudar concordância verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda justificativa é ridícula e demonstra uma visão totalitária da sociedade. Ela assume que as crianças devem ser doutrinadas a aceitar certos valores que permitam a vida em sociedade. Eu não pretendo aqui entrar nos problemas que uma proposta desse tipo acarreta. Basta dizer que, em primeiro lugar, as crianças não são animais que devem ser domesticados. Além disso, restaria saber &lt;i&gt;quais&lt;/i&gt; valores são tão desejáveis à sociedade. Esses valores evidentemente seriam ditados pelos powers that be.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira justificativa é a única que pode realmente ter algum fundamento. Mas, se ela for verdadeira, isso justifica que as crianças sejam obrigadas a freqüentar &lt;em&gt;treze anos&lt;/em&gt; de escola? Imagino que não. E outro ponto permanece: essa socialização é desejável? Eu, ao menos, mantenho amizade com não muitos dos meus colegas de escola. Pela minha experiência, eu posso dizer que poucos dos amigos de escola permanecem no futuro. As pessoas, em geral, se tornam amigas daqueles com quem compartilham interesses ou que trabalham no mesmo ramo de atuação. A escola é só um espaço onde as crianças e os adolescentes passam seis horas por dia. Elas não têm nada em comum além do fato de que vão ter prova de matemática na próxima semana. Veja, leitor, o seu próprio caso. Quantos amigos do ensino médio você mantém até hoje? É possível que você tenha nutrido grande amizade por algumas pessoas durante o tempo que passou na escola, mas depois que saiu dela, sua amizade provavelmente morreu. É natural que isso tenha ocorrido. Se você fosse ligar para os seus antigos amigos, o que diria? "Como foi a prova na terça?"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de socialização é realmente desejável? Quer dizer, não seria melhor colocar a criança em algo em que ela fosse se divertir ou se realizar? Não seria melhor mandar as crianças para uma escolinha de futebol? Para uma aula de balé? De guitarra? Piano? Desenho? Em todos esses ambientes, as crianças se divertiriam e provavelmente se interessariam infinitamente mais pelo que estariam vendo do que pelos conteúdos escolares. Elas também socializariam da mesma forma que na escola, com o diferencial de que, como só uma coisa é ensinada, a possibilidade de que as crianças convergissem a uma só área de interesse seria muito maior. Portanto, a &lt;i&gt;qualidade&lt;/i&gt; da socialização seria mais alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso já responde à possível objeção de que a socialização &lt;i&gt;em si&lt;/i&gt; é algo desejável. Mesmo que seja, não se segue que as crianças devam ir para uma escola e aprender conteúdos por que elas muito provavelmente não se interessariam, trancafiadas por várias horas todos os dias. Em outras atividades, as crianças e adolescentes também podem se socializar e se socializar de uma forma muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, eu acredito que os argumentos principais que pretendem estabelecer que as crianças devem ir à escola são falsos. Mas se o objetivo principal da escola, ensinar, é em sua maior parte desnecessário e se seu objetivo secundário, a socialização, é cumprido insatisfatoriamente, não há realmente nenhum motivo para que as crianças e os adolescentes continuem freqüentando-a. Nós devemos abandonar o modelo escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que as crianças não saberiam desenvolver as próprias potencialidades sem algo como a escola. Porém, a escola não é o único modo de estimulá-las. O &lt;i&gt;homeschooling&lt;/i&gt; é uma alternativa perfeitamente válida, e na minha concepção muito superior, ao modelo escolar. Os próprios pais podem ensinar às crianças, e esse acompanhamento de perto permitiria a adoção de um currículo mais adaptado aos interesses delas. Há ainda uma alternativa mais interessante, a do &lt;i&gt;unschooling&lt;/i&gt;, que consiste em, basicamente, não direcionar a criança a nenhum caminho específico. Os pais poderiam estimulá-la através de certos livros e materiais didáticos, sem, contudo, fazer qualquer cobrança. Essa abordagem tem a vantagem de incentivar a curiosidade das crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente existem críticas a esse tipo de proposta. Pode-se dizer que haveria lacunas no aprendizado de quem não fosse à escola. No entanto, essas lacunas só existem &lt;i&gt;em relação&lt;/i&gt; àqueles que freqüentaram as escolas. Como eu já observei, o conteúdo escolar é quase totalmente dispensável. Por isso, deve-se rejeitar essa crítica. Há ainda os que dizem que as crianças podem tender a ter visões distorcidas das coisas. Mas esse perigo não existe nas escolas? Aulas de história e geografia não são constantemente acusadas de doutrinamento? Neste modelo, há a vantagem de que as crianças seriam estimuladas a buscar as respostas por si, sem o peso de uma "versão oficial" pré-imposta pelo professor. Portanto, a escola novamente não resolve a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola tem servido como uma espécie de álibi para os pais. Eles precisam trabalhar e querem se livrar dos filhos ao menos por algumas horas por dia. A escola oferece esse alívio. Eles não apenas pensam que estão se livrando de seus filhos, mas também que estão fazendo um &lt;i&gt;bem&lt;/i&gt; a eles. Mas, para a criança, a escola é algo prejudicial. O que ela ensina, se ensina, é inútil. As pessoas podem aprender o que lhes interessa por si mesmas. Elas não têm que ficar trancafiadas seis horas por dia por anos num ambiente tedioso, de onde não levarão nem conhecimento nem amizades. As crianças podem se desenvolver muito mais, fazer coisas muito mais interessantes e divertidas, coisas que realmente contribuirão para suas vidas futuras. Elas podem fazer amizades mais duradouras e aprender sobre o que elas realmente gostam e querem para as próprias vidas. Elas não vão perguntar "Para que eu vou usar isso na minha vida?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso tudo, é claro, tem um preço, e é um preço que a maioria não está disposta a pagar. Requer o abandono da crença de que a "educação" pode curar todos os males da sociedade -- isto é, a crença de que basta que as crianças e os adolescentes estejam trancados em escolas para que não tenhamos que trancá-los em cadeias. Requer o abandono da fé cega que a maioria tem nas escolas como transformadores sociais. Requer, ainda, que paremos de achar que o fato de que nosso filho tirou uma nota 10 na prova de matemática significa que ele é mais inteligente ou esforçado. Uma vez que esses mitos sejam abandonados, nós poderemos ver com mais clareza quais os reais méritos da educação escolar. Quando isso acontecer, acredito eu, teremos que abandoná-la.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7026600532085446865?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7026600532085446865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7026600532085446865' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7026600532085446865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7026600532085446865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/por-que-escola-deve-acabar.html' title='Por que a escola deve acabar'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7129694404913395232</id><published>2007-10-20T19:10:00.000-03:00</published><updated>2007-10-20T19:10:53.402-03:00</updated><title type='text'>Mom knows it all</title><content type='html'>- Vendo Teleton, mãe?&lt;br /&gt;- É só uma vez por ano. Daqui a pouco vou doar alguma coisa.&lt;br /&gt;- Por que você não doa também para o Criança Esperança?&lt;br /&gt;- Não confio nessas coisas em parceria com governos estrangeiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7129694404913395232?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7129694404913395232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7129694404913395232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7129694404913395232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7129694404913395232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/mom-knows-it-all.html' title='Mom knows it all'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-213345695695694549</id><published>2007-10-16T22:00:00.001-03:00</published><updated>2007-10-16T22:02:03.205-03:00</updated><title type='text'>As ridículas discussões sobre videogames</title><content type='html'>Toda vez que há alguma discussão sobre videogames, é a mesma ladainha: "jogos tornam as pessoas anti-sociais". Os defensores dos videogames então falam das várias instâncias em que os videogames incentivam a socialização em vez de isolar o jogador. A premissa implícita é a de que há algo intrinsecamente bom na socialização, em fazer parte de grupos, ou ao menos no contato com pessoas de carne-e-osso. A premissa é falsa. Não há nada de intrinsecamente positivo em socializar-se. Os efeitos positivos dependem muito mais das pessoas &lt;em&gt;com quem&lt;/em&gt; se está socializando do que do próprio mecanismo da socialização. Ou seja, sair e andar de skate com pessoas estúpidas e desagradáveis não tem nenhum valor, digam o que quiserem os psicólogos anti-videogames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo discussão sempre esconde um desejo de impor um estilo de vida às outras pessoas. É como o Serginho Groisman, que não consegue se contentar com o fato de que há pessoas que não se interessam por política e que não gostam de ler. É demais para a mente avançada dele. Da mesma maneira, a cruzada anti-videogames é sempre uma tentativa velada de salvar os jogadores de si mesmos. Porque é impossível que pessoas racionais e perfeitamente saudáveis &lt;em&gt;gostem&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;tenham escolhido&lt;/em&gt; ficar no computador no MSN ou jogar Metal Gear Solid em vez de ir para a praia pegar sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essas pessoas que preferem MSN e Metal Gear Solid a praia e socialização existem e não vão mudar porque tem gente que não gosta do estilo de vida delas. É melhor aceitar isso (Serginho Groisman, esse aviso também serve para você).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-213345695695694549?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/213345695695694549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=213345695695694549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/213345695695694549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/213345695695694549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/as-ridculas-discusses-sobre-videogames.html' title='As ridículas discussões sobre videogames'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5596540892667578836</id><published>2007-10-12T19:25:00.000-03:00</published><updated>2007-10-12T19:24:49.038-03:00</updated><title type='text'>Uma coisa sobre bandas</title><content type='html'>Por que algumas bandas acham que têm o dever de politizar quem ouve suas músicas? Por que os integrantes delas assumem que só eles são politizados? Devo ter algum problema, eu não estou vendo a correlação entre tocar bateria e saber algo sobre política.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5596540892667578836?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5596540892667578836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5596540892667578836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5596540892667578836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5596540892667578836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/10/uma-coisa-sobre-bandas.html' title='Uma coisa sobre bandas'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8384463126388313130</id><published>2007-09-22T00:50:00.000-03:00</published><updated>2007-09-22T00:49:41.730-03:00</updated><title type='text'>Lendo agora</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/contrapolitics/betrayal.jpg" height="150" width="100" alt="" /&gt; &lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/contrapolitics/triumph.jpg" height="150" width="100" alt="" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Fazia tempo que eu não lia livros de política. Peguei dois agora. &lt;em&gt;The Betrayal of the American Right&lt;/em&gt;, de Murray Rothbard, que narra as mudanças no espectro ideológico americano, e &lt;em&gt;The Triumph of Conservatism&lt;/em&gt;, de Gabriel Kolko, que é uma reinterpretação da Era Progressista americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Rothbard está bastante interessante até agora; falou da tradição individualista dos anos 1920 nos EUA e como esses autores se localizavam à &lt;em&gt;esquerda&lt;/em&gt; do espectro político. Com o New Deal, eles foram rapidamente jogados para a direita e tachados de reacionários. E, afinal, o livro é sobre meu tema preferido: História das Idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, &lt;em&gt;The Triumph of Conservatism&lt;/em&gt; me conquistou logo nas primeiras páginas. Eu sempre gostei de ler coisas mais radicais e malucas, e a tese do livro é tudo isso. Basicamente, Gabriel Kolko pretende demonstrar que, ao contrário do que diz o senso comum, na economia americana não havia uma tendência monopolista e concentradora na virada do século XIX para o XX. Pelo contrário, a tendência era de descentralização e competição. Segundo a sabedoria convencional, naquela época emergiam monopólios e trustes do livre mercado, e o governo progressista americano foi convocado para parar essa tendência através da regulação. Gabriel Kolko quer demonstrar o contrário: não só a tendência monopolista não existia anteriormente como as regulações do governo foram desenhadas especificamente para &lt;em&gt;monopolizar&lt;/em&gt; o mercado em benefício dos grandes negócios. É um mindblow.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8384463126388313130?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8384463126388313130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8384463126388313130' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8384463126388313130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8384463126388313130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/09/lendo-agora.html' title='Lendo agora'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-2831638290320144823</id><published>2007-09-02T20:51:00.000-03:00</published><updated>2007-09-02T21:27:56.638-03:00</updated><title type='text'>Privatização</title><content type='html'>Posto aqui porque divido o blog com alguém que entende do assunto e que vai ler no google reader e está offline no MSN (oi, Frost, como vai?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao post. Se você freqüenta este blog deve ser a favor de privatizar tudo que é coisinha, não? Uma pergunta que me veio: como privatizar? Na verdade, a dúvida maior é outra: como privatizar coisas inúteis? Quer dizer, talvez a forma mais correta de privatizar um hospital seja doá-lo aos funcionários (se não me avisem, sim?). Mas e uma empresa de transporte urbano, que fazer com ela? O transporte deve ser desregulamentado e a empresa extinta. Que fazer com o prédio? Leiloar e dividir seu valor entre os funcionários foi minha primeira resposta, e também a que me pareceu mais certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o fato é que é impossível reverter com justiça os danos que o governo causou a toda a sociedade para construir aquele prédio e manter a empresa durante anos e que os únicos beneficiados eram justamente aqueles que trabalhavam ali (claro, não é possível culpá-los, mas é um fato). A única justificativa que achei para que os prédios públicos sejam doados aos funcionários (incluindo aí os hospitais e tudo mais) não me parece mais que alguma apelação da minha formação cristã: eles ficariam desamparados - exatamente como estavam &lt;em&gt;antes&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, refletindo, claro que o desamparo seria culpa do Estado, que os tirou do mercado competitivo, não exigiu especializações etc. E o povo, que tem a ver com isso? É essa a ligação que não acho: por que o povo de um país deve amparar os que foram desamparados pelo Estado? Não tenho muito a ver com o emprego de nenhum funcionário da EMTU, reguladora aqui de Recife. Por que meus impostos devem construir um prédio para ser doado a quem vai trabalhar nele? Talvez - eis-me defendendo a democracia - um leilão de tudo, com plebiscito sobre onde e como aplicar fosse a medida mais justa. Mas surge &lt;em&gt;outro&lt;/em&gt; problema, que eles não acabam jamais: como fazer essa votação? Eleições diretas seriam injustas por dois motivos: há mais pobres que ricos e mais impostos de ricos que de pobres (geralmente). Isso tenderia a distorcer &lt;em&gt;também&lt;/em&gt; a devolução mais próxima possível da justa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Fique à vontade pra responder com outro post, Frost. A casa é sua, fica com Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-2831638290320144823?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/2831638290320144823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=2831638290320144823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2831638290320144823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2831638290320144823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/09/privatizao.html' title='Privatização'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-2189557565520039169</id><published>2007-08-29T03:35:00.000-03:00</published><updated>2007-08-29T03:35:11.798-03:00</updated><title type='text'>Ninguém subverte as leis do meu país e sai impune</title><content type='html'>Estão vendo tudo na TV? O Supremo processa políticos. Isso não quer dizer que eles já foram condenados, mas que, ao menos, serão julgados. É, meu amigo, no Brasil, ninguém passa por cima da constituição. Somos um país de leis. Acabou a era do clientelismo na política nacional. É o amadurecimento da democracia brasileira. (Por sinal, quantas vezes já nossa democracia amadureceu? Vai cair de podre já, já.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos numa época de êxtase político no Brasil. Estou prestes a fazer um bolão de quanto tempo vai levar para todo mundo quebrar a cara e voltar ao estado de desilusão default -- que é muito melhor, convenhamos; é constrangedor ver gente se empolgando porque Marcos Valério foi indiciado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-2189557565520039169?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/2189557565520039169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=2189557565520039169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2189557565520039169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2189557565520039169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/08/ningum-subverte-as-leis-do-meu-pas-e.html' title='Ninguém subverte as leis do meu país e sai impune'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-9079034564873863826</id><published>2007-08-21T03:30:00.000-03:00</published><updated>2007-08-21T03:31:29.523-03:00</updated><title type='text'>Um jogo apropriado?</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/finalfantasy/tactics1.jpg" height="240" width="320" alt="" /&gt;&lt;/center&gt;Final Fantasy Tactics&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-9079034564873863826?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/9079034564873863826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=9079034564873863826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/9079034564873863826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/9079034564873863826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/08/um-jogo-apropriado.html' title='Um jogo apropriado?'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-603747096026172667</id><published>2007-08-13T02:50:00.000-03:00</published><updated>2007-08-13T02:50:04.457-03:00</updated><title type='text'>Comentários avulsos</title><content type='html'>Bom, fim de período, não estou com muita paciência para fazer traduções para o Libertyzine, e mesmo que tivesse, estaria sem tempo disponível demais para isso. Enfim, melhor é postar um trecho de um livro do Millôr aqui. É do &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=554397" target="_blank"&gt;Homem do Princípio ao Fim&lt;/a&gt;, uma peça, com o texto representado, no trecho abaixo, por Fernanda Montenegro e Sérgio Brito:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;FERNANDA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Outro problema sério, quando se pinta Adão, é saber se ele tinha ou não barba. Nas pinturas clássicas, ele, em geral, não tem barba quando está no Paraíso e tem barba quando já saiu do Paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O castigo por ter comido a maçã foi fazer a barba toda manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outros problemas metafísicos criados pelo Todo-Poderoso. Aqui mesmo, neste quadro, devidamente numerado, temos quatro desses problemas para o leitor meditar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Responda, amigo.&lt;br /&gt;Adão tinha umbigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Responda, irmão,&lt;br /&gt;O pássaro,&lt;br /&gt;Já nasce com a canção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) O mistério não acaba:&lt;br /&gt;onde anda o bicho da goiaba&lt;br /&gt;quando não é tempo de goiaba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Mestre, respeito o Senhor,&lt;br /&gt;mas não a sua Obra:&lt;br /&gt;que paraíso é esse&lt;br /&gt;que tem cobra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ali estava Adão, prontinho, feito de barro. Durante muito tempo, aliás, se discutiu se a mulher não teria sido feita antes. Mas está claro que a mulher foi feita depois. Primeiro, porque é mais caprichada. Mais bem acabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, nela, desistiu do barro e usou cartilagem. E colocou nela alguns detalhes que têm feito um imenso sucesso pelos tempos afora. Segundo, vocês já imaginaram se a mulher tivesse sido feita antes, os palpites que ela ia dar na confecção do Homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não põe isso não, põe aquilo! Ih, que bobagem, que nariz feio! Deixa ele careca, deixa! Põe mais um olho, põe! Ah, pelo menos põe um vermelho e outro amarelo,  põe! Puxa, você não faz nada do que eu quero, hein? É de barro também, é? Parece um macaco, seu! Você é errado Todo-Poderoso! Ah, não põe boca, não, põe uma tromba! Ficou pronto depressa, hein? Você deixa eu soprar ele, deixa? Deixa que eu sopro, deixa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de devidamente soprado com o Fogo Eterno, Adão saiu pelo Paraíso experimentando as coisas. Tudo que ele fazia, ou dizia, era completamente original. nunca perdeu tempo se torturando: "Onde é que que eu ouvi essa?" "De onde é que eu conheço esse cara?" Deus, entre outros privilégios, deu a Adão o de denominar tudo. Foi ele quem chamou árvore de árvore, folha de folha e vaca de vaca. E tinha tanto talento para isso que todos os nomes que botou, pegaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SÉRGIO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Deus só pediu explicação a Adão no dia em que este batizou o hipopótamo. "Por que hi-po-pó-ta-mo?", perguntou o Todo-Poderoso. E então Adão deu uma resposta tão certa, tão clara, tão definitiva, que Deus nunca mais lhe perguntou nada: "Olha, Mestre - disse ele -, eu lhe garanto que nunca vi um animal com tanta cara de hipopótamo."&lt;/blockquote&gt;On a side note, estou também jogando pela terceira vez Final Fantasy 8, e só agora me ocorre que, além de ser uma linda história de amor, é o jogo mais anarco-capitalista que existe. Afinal, não existem defesas "nacionais", só existem mercenários. Oh, well.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-603747096026172667?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/603747096026172667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=603747096026172667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/603747096026172667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/603747096026172667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/08/comentrios-avulsos.html' title='Comentários avulsos'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7425239415018351703</id><published>2007-07-14T03:55:00.000-03:00</published><updated>2007-07-22T01:24:47.826-03:00</updated><title type='text'>24 contos de Scott Fitzgerald</title><content type='html'>&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/contrapolitics/scott.gif" height="215" width="150" align="right" alt=""/&gt;Estou meio dividido na hora de escolher o melhor conto da coletânea. Mas, bom, não quero dizer "então escolho este, este e este como &lt;i&gt;melhores&lt;/i&gt;", não quero parecer indeciso, alguém que foge às decisões importantes, então vou escolher "&lt;a href="http://gutenberg.net.au/fsf/THE%20RICH%20BOY.html" target="_blank"&gt;O menino rico&lt;/a&gt;" como o #1. Reproduzirei aqui o começo, que é sensacional, e vocês, se mais que um lê isto aqui, comparam com o original no link dali de cima. Particularmente, achei ótima a tradução de Ruy Castro:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Comece com um indivíduo e, antes que se dê conta, você concluirá que criou um tipo; comece com um tipo e concluirá que o que criou foi — nada. Isso é porque todos somos aves raras, e mais raras ainda no que se passa por trás dos rostos e vozes, naquilo que escondemos dos outros e que nem nós mesmos conhecemos. Quando ouço um homem dizer que é "um sujeito comum, honesto e franco", já sei que ele tem alguma perversão terrível a esconder — e que sua afirmação de ser comum, honesto e franco é apenas uma forma de lembrar a si mesmo o próprio crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem tipos, nem generalizações. Existe um menino rico e esta é sua história, não a de seus irmãos.&lt;/blockquote&gt;Agora que já me livrei da responsabilidade de escolher o melhor, não preciso escolher o segundo lugar. Vou deixar bem vago qual é o segundo lugar do livro, dizer que muitos estão empatados na segunda posição e tal. Pois então, "&lt;a href="http://gutenberg.net.au/fsf/ONE%20TRIP%20ABROAD.html" target="_blank"&gt;Uma viagem ao estrangeiro&lt;/a&gt;", "&lt;a href="http://gutenberg.net.au/fsf/LOVE%20IN%20THE%20NIGHT.html" target="_blank"&gt;O amor à noite"&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://gutenberg.net.au/fsf/WHAT%20A%20HANDSOME%20PAIR.html" target="_blank"&gt;"Um belo casal"&lt;/a&gt; e "&lt;a href="http://www.gutenberg.net.au/fsf/THE%20SWIMMERS.html" target="_blank"&gt;Os nadadores&lt;/a&gt;" são incrivelmente bons, de modo que realmente não posso colocar um acima do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu posso até dizer que tenho um carinho especial pelos dois últimos. O tom dos contos de Fitzgerald é quase sempre pessimista e eu, com meu espírito juvenil, ficava sempre torcendo para os protagonistas não se darem por vencidos. Enquanto os personagens observavam apaticamente suas vidas irem pelo ralo, eu ficava com aquele nó na garganta, querendo obrigá-los a fazer algo, a não aceitar aquela situação, a revertê-la, a humilhar quem os colocou nela, a fazê-los se sair por cima. "Os nadadores" e "Um belo casal" fazem isso parcialmente. Eles não deixam com que os protagonistas sejam destruídos sem lutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e qualquer um se apaixona pelas mulheres que Scott cria. Outra observação necessária: é necessário se acostumar com as descrições dele. No começo, parecem maçantes, e você vai pensar que ele não sabe fazer começos de histórias. Mas dois ou três contos mais tarde você se acostuma, porque sabe que a qualquer momento vai aparecer uma coisa bonita assim:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Fifi Schwartz. Uma bela e radiante judia, cuja testa alta estendia-se até que seu cabelo, como um brasão heráldico, explodisse em madeixas, ondas e caracóis de um vermelho escuro e macio. Os olhos eram grandes, claros, úmidos e brilhantes; a cor intensa de seus lábios e faces era real, assomando quase à superfície depois de bombardeada por seu jovem e impetuoso coração.&lt;/blockquote&gt;O trecho aí em cima é o começo do terceiro parágrafo de "&lt;a href="http://www.gutenberg.net.au/fsf/THE%20HOTEL%20CHILD.html" target="_blank"&gt;A menina do hotel&lt;/a&gt;". Ok, em resumo, no livro estão algumas das melhores 473 páginas que qualquer um poderá jamais ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7425239415018351703?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7425239415018351703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7425239415018351703' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7425239415018351703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7425239415018351703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/24-contos-de-scott-fitzgerald.html' title='24 contos de Scott Fitzgerald'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5908349700996317083</id><published>2007-07-12T09:28:00.000-03:00</published><updated>2007-07-12T09:28:39.484-03:00</updated><title type='text'>O duplipensar de Olavo de Carvalho</title><content type='html'>Em primeiro lugar, quero explicar porque usei "duplipensar" no título. São dois os motivos: 1) É a palavra mais adequada, e 2) Pra mostrar que eu li 1984, porque sou muito metidinho. Mas vamos ao Olavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olavo de Carvalho costuma defender a doutrina católica como necessária para a trinomia "tradição, família e propriedade". A doutrina católica é a mesma que diz "ao levar um tapa, dê o outro lado", e isso me parece bastante pacífico. Não entendo como Olavo consegue mesmo assim apoiar uma guerra, que significa, na melhor das hipóteses, "ao levar um tapa, desconte", e, no caso do Iraque, "previna-se de levar um tapa: estapeie antes". Olavo critica os muçulmanos como irracionais, e critica a jihad, mas não vejo como não relacionar a defesa da guerra de Olavo com a jihad: "vamos atacá-los, são muçulmanos. São diferentes de nós" - e aí o Olavo pede um trocado pra continuar escrevendo, porque ninguém é de ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ele defende de novo a Igreja Católica e diz que a "esquerda" pensa errado. Mas ele pensa tão errado quanto ou mais. A esquerda é consistente na maior parte de suas idéias, mesmo se virmos o ponto de vista da igreja. Olavo de Carvalho é contra o casamento gay, o que significa que ele é contra o livre-arbítrio. Repare-se que a igreja não proíbe o casamento gay, proíbe apenas os católicos de se casarem com homens e as católicas com mulheres. A igreja não pede que os governos proíbam o casamento gay, pede que seus fiéis gays não se casem nem mantenham relações homossexuais. Mas Olavo de Carvalho cai na inconsistência que vê na esquerda, vai contra o princípio primeiro do cristianismo, contradiz-se sem pestanejar, defendendo que o homem deve ser proibido pelo homem de fazer o que Deus não proibiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, a economia deve ser livre, mas as relações pessoais não. Quer sinceridade? Prefiro o contrário. Acredito que mais direitos são violados quando se impede que alguém se case, que alguém adote. Mais direitos são violados se as drogas são proibidas do que se a importação de chocolate for taxada. Olavo vê isso? Penso que não. Ao contrário dele, que acha que todo esquerdista é mau e cínico, acho que o Olavo é só irracional, o que o põe numa posição de neutralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo os esquerdistas: eles, em geral, defendem abertamente a existência de um Estado regulador para que a economia se desenvolva de forma mais "justa". Olavo se diverte atacando o governo, fingindo que odeia o Estado, mas requerendo cada vez mais Estado pra que as guerras aconteçam cada vez com mais freqüência. É como odiar a agressão e pedir pra cada vez mais o pessoal ser agredido - mas agressão para Olavo tem dois sentidos: duplipensando bem, quando agredimos a agressão é justa, quando somos agredidos é injusta, e quando não acontece precisa começar, porque senão vira tédio. Olavo passou do patamar de achar que está ao lado de Deus para o de achar que é Deus e não se deu conta disso. Porque o único capaz de ser justo mesmo fazendo coisas "injustas" é Deus. E Olavo defende ele pode fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo este post eu falei de "Olavo de Carvalho" como sinônimo de conservador. Só achei que seria mais válido especificar um dos conservadores do tipo pra que ninguém reclamasse de falta de objetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ter uma idéia da genialidade do Olavo, é só clicar &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/semana/070620dce.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5908349700996317083?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5908349700996317083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5908349700996317083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5908349700996317083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5908349700996317083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/o-duplipensar-de-olavo-de-carvalho.html' title='O duplipensar de Olavo de Carvalho'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7653046506501626894</id><published>2007-07-12T08:39:00.001-03:00</published><updated>2007-07-12T09:12:42.428-03:00</updated><title type='text'>A necessidade do lado mau</title><content type='html'>Um dos meus hobbies é reparar como as pessoas que dizem que algo não é alguma coisa se contradizem dando características dessa coisa a esse algo. Por exemplo, há pessoas que adoram falar que "esse mundo aqui não é conto de fadas, não! A maldade está solta por aí!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria que me mostrassem um único conto de fadas sem maldade solta por aí. A diferença que vejo entre o nosso mundo e o dos contos de fadas é que aqui, na Terra, a maldade é inocente. Ela não sabe que é má, tem boas intenções. Enquanto nas historinhas a bruxa tem gargalhadas cruéis e afirma o tempo todo que é má e invejosa, o vilão do mundo real acredita que, na verdade, o mocinho é o grande vilão. Na Terra todos querem ser heróis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso os debates políticos são tão inócuos, tão improfícuos: o liberal diz que o estatista é cínico e mau e feio, e que &lt;em&gt;por isso&lt;/em&gt; está errado. O estatista faz o caminho inverso: "você é egoísta, cínico, não tem coração!" e o debate fica eternamente em decidir primeiro quem está certo, para depois de convencer que o outro é mau dizer os motivos de suas idéias serem más. Acontece que ninguém vai se convencer de sua maldade, porque, se o outro é mau, ele só pode estar usando de ardis maquiavélicos para te carregar para o lado da maldade (e eu não direi o lado negro..., não gosto de Star Wars).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade vejo isso como uma necessidade que o homem tem de aproximar a vida real do mundo dos contos de fadas, de ter um inimigo bem definido, com todas as características da maldade que se pode ter - incluindo, talvez, a verruga no nariz e as unhas longas e sujas. Mas não há muita perfeição na Terra, e as pessoas costumam sempre - displante! - acertar em algum aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquerda costuma estar certa em suas idéias sobre costumes e cultura, a direita tem mania de acertar no que diz respeito à economia e à política, mas ambas rejeitam a parte certa do adversário, porque dão maior valor àquilo em que estão certos (e talvez estejam certos justamente porque, por dar mais valor a esses aspectos da vida humana, é a eles que se dedicam com mais afinco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ponto principal deste texto é outro, e eu estava só enrolando até achar uma boa forma de dizer isso: Alguém acha que os ditadores do Brasil acreditavam que eram &lt;em&gt;maus&lt;/em&gt;? Alguém acha que eles se diziam maus? Hitler já foi pego gargalhando cinistramente enquanto planejava a morte de milhares de mocinhos judeus? Hitler era padrasto de alguém? Toda a maldade que existe - e ela existe, está por toda a parte, em pequenas doses ou em doses maiores - deve ser combatida não apenas com espadas, dizendo "você é mau! Você é mau!", porque não adianta. As pessoas chamam Hugo Chávez de mau, mas, pelos céus que ele não se acha má pessoa. Talvez nem seja má pessoa, mas está tomado de más idéias, coitado, que ele acha que são boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém assume que é mau. Pelo menos não se estiver são. É preciso convencer as pessoas de sua maldade por partes, debatendo não a pessoa inteira, mas os pedaços pequenos que ela tem - "concordo disso, discordo daquilo, tenho dúvidas (é bom ter dúvidas) naquilo outro" e é assim que a maldade se dissipa, se dilui na humanidade, ficando cada vez menor, cada vez menor, para que no fim a vida seja como o fim de um conto de fadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim, eu sei. Final piegas, mas eu gosto de ter essa esperança de que as coisas vão melhorar, melhorar, melhorar até não poder mais. Afinal - mais uma pieguice (e quem disse que sou contra pieguice?) - de que valeria viver sem acreditar que você pode contribuir para algo no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7653046506501626894?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7653046506501626894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7653046506501626894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7653046506501626894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7653046506501626894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/necessidade-do-lado-mau.html' title='A necessidade do lado mau'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6932104146260856300</id><published>2007-07-11T22:05:00.000-03:00</published><updated>2007-11-04T22:25:44.374-03:00</updated><title type='text'>Sobre o socialismo marxista e suas influências</title><content type='html'>Escrevi o texto abaixo para ajudar uma amiga de Gustavo. Ela precisava de um resumo das influências de Marx, do socialismo anterior a ele e das diferenças entre o socialismo e o comunismo no marxismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;***&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Algumas influências do socialismo marxista&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o que se entenda por “socialismo” hoje em dia se refira, em termos amplos, à propriedade coletiva (via Estado ou não) dos “meios de produção”, o que se entendia pela palavra ao longo da história não era exatamente isso. Historicamente, o “socialismo” se referia, basicamente, a uma preocupação com o social. Esta definição pode parecer trivial; no entanto, basta observarmos um pouco a história dos pensadores e movimentos chamados de socialistas para vermos que essa é a única característica que os distinguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teorias socialistas tiveram seu início a partir das teorias liberais clássicas, por mais paradoxal que possa parecer – dada a oposição que hoje pensamos entre as duas tradições, graças principalmente a Karl Marx. Com a crescente liberalização das relações sociais, surgiu uma nova disciplina: a &lt;i&gt;economia política&lt;/i&gt;. Com essa disciplina, veio a tentativa de entender as relações sociais na sua totalidade. Havia uma impressão generalizada de que o &lt;i&gt;trabalho&lt;/i&gt;, e, por extensão, a &lt;i&gt;divisão do trabalho&lt;/i&gt;, traziam uma maior prosperidade para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teorias liberais clássicas, principalmente aquelas formalizadas por Jean-Baptiste Say, em seu &lt;i&gt;Traité d’economie politique&lt;/i&gt; (1803), opunham duas classes de pessoas: os trabalhadores e empreendedores, por um lado, que constituíam a classe produtiva, e os grandes donos de terras e &lt;i&gt;rentiers&lt;/i&gt;, privilegiados por conquistas do passado, que não nada produziam. Segundo Say, que colocava sob um mesmo nome tanto a agricultura, a manufatura e o comércio – “indústria” – a primeira classe era a dos “industrieux” – o que deu o nome a um novo movimento na França: o &lt;i&gt;industrialismo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benjamin Constant, similarmente, deu nova inspiração aos movimentos de transformação política com seu panfleto anti-napoleônico &lt;i&gt;Le espirit de Conquete&lt;/i&gt; (1815), que argumentava que as conquistas de Napoleão não durariam, porque violavam as condições da liberdade individual, a saber, a paz e o comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do período napoleônico, em 1814, dois liberais clássicos, Charles Comte (1782-1837) e Charles Dunoyer (1786-1862), lançaram o jornal &lt;i&gt;Le Censeur europeen&lt;/i&gt;, que pretendia avançar os princípios da liberdade individual e do governo representativo. Mais tarde, em 1817, o jornal mudou de foco e passou a enfatizar a própria sociedade industrial, argumentando que, se a indústria não era o objetivo das sociedades modernas, deveria passar a ser. A mudança de rumos do jornal da defesa de algumas liberdades constitucionais para uma defesa da própria sociedade industrial não foi uma mudança trivial; se antes a agenda dizia respeito às instituições representativas, o novo foco tinha relação com a &lt;i&gt;exploração econômica&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;estruturas de classe&lt;/i&gt;. A análise dava ênfase no impacto do sistema econômico sobre o desenvolvimento da cultura política e tentava explicar a passagem de um estágio social a outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo eles, a liberdade era o estado que permitia que os homens exercessem suas faculdades e obtivessem o produto de seus trabalhos. O mal era o que interferia na liberdade. Assim, o industrialismo seria o único sistema que permitiria ao homem exercer suas faculdades sem o medo de ser vítima de força, fraude, exploração ou guerra. Como colocou Charles Comte em seu &lt;i&gt;Traité de Legislation&lt;/i&gt; (1826): “Em todas as nações uma parte da população domina ou pretende dominar os outros, e é para evitar castigos físicos mais ou menos severos que alguns homens, chamados governados, súditos ou escravos, obedecem ou tentam evitar as ações que se lhes são impostas. A história da espécie humana é composta, numa palavra, de lutas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que nasceram do desejo de tomar os prazeres físicos de toda a espécie e impor sobre todos uma dor proporcional.” Assim, a teoria de classes radicalmente liberal nascida na França via no Estado a fonte da exploração e opressão. O mesmo pensamento mais tarde viria a ser importado pelo socialismo marxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Inglaterra, no começo do século XIX, era o liberal David Ricardo quem tinha o maior prestígio na economia política. Partindo das idéias de Adam Smith, David Ricardo avançou a idéia do &lt;i&gt;valor-trabalho&lt;/i&gt;, isto é, a idéia de que a fonte do valor é o trabalho. Alguns autores, porém, tiraram conclusões de certa forma diversas das de David Ricardo, partindo de sua própria estrutura analítica. Um desses grupos foi o dos que ficaram conhecidos como &lt;i style=""&gt;ricardianos socialistas&lt;/i&gt;, dos quais o maior foi Thomas Hodgskin (1787-1869).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hodgskin, embora chamado de “socialista”, defendia coisas que poucos socialistas atuais admitiriam: defendia o livre-comércio, o livre-mercado e a suspensão de todas as regulações. Também era um defensor dos direitos naturais lockeanos, a partir do qual, em conjunção com a teoria do valor-trabalho de Ricardo, ele postulou que havia um total não-pago aos trabalhadores – o que mais tarde viria a ser chamado de “mais-valia” pelos marxistas. Em seu panfleto de 1825, &lt;i&gt;Labor Defended Against the Claims of Capital&lt;/i&gt; – intitulado dessa forma para ironizar o título de um panfleto de James Mill chamado &lt;i&gt;Commerce Defended&lt;/i&gt; – Hodgskin avaliava que a exploração só era possível através dos privilégios estabelecidos &lt;i&gt;politicamente&lt;/i&gt; na seara da produção. O que ele chamava de “capitalismo” não era um regime de livre-mercado, mas de privilégios monopolísticos estabelecidos pelo Estado em benefício de uma plutocracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Outros socialismos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do movimento “industrialista” havia duas facções mutuamente antagônicas que não se perceberam como tal de imediato. Havia a facção liberal e individualista de Charles Comte e Charles Dunoyer, e a facção autoritária e coletivista (apesar dos epítetos, não há nenhum juízo de valor aqui) de Saint-Simon e Auguste Comte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros, como já se mostrou viam uma contradição indissolúvel entre o poder político e a sociedade industrial. Saint-Simon (1760-1825) e Auguste Comte (1798-1857), por outro lado, embora compartilhando o mesmo entusiasmo pela sociedade industrial (e daí a confusão entre as duas tendências “industrialistas”), almejavam uma sociedade onde haveria grandes banqueiros e cientistas no controle do poder político; assim, segundo eles, e usando um slogan que mais tarde viria a ser adotado pelo marxismo, eles queriam substituir o “governos dos homens” pela “administração das coisas”. Ou seja, embora Saint-Simon seja conhecido como “socialista”, o que ele defendia poderia ser caracterizado como uma tecno-plutocracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre aqueles que são citados como os primeiros socialistas, também deve-se mencionar Robert Owen (1771-1858) e Charles Fourier (1772-1837). Em termos gerais, ambos defendiam a formação de pequenas cooperativas, em que o trabalhador seria recompensado de acordo com seus esforços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Owen era inicialmente adepto das teorias liberais-utilitaristas de Jeremy Bentham (1748-1832), mas mais tarde, com uma preocupação com as condições sociais da Inglaterra, veio a postular a necessidade da união entre os homens, para que não houvesse mais uma competição entre o trabalho e a máquina, mas uma subordinação desta última. Assim, ele apontava a necessidade da formação de coletivos, de pequenas comunidades cooperativas, em que a produção seria compartilhada. Isso o levou a formar a comunidade de New Harmony nos Estados Unidos, que fracassou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fracasso em New Harmony mais tarde levaria Josiah Warren (1798-1874) a asseverar que o problema era a ausência da &lt;i&gt;propriedade privada&lt;/i&gt; e da &lt;i&gt;soberania individual&lt;/i&gt;, criando assim uma variedade muito peculiar do pensamento: o anarquismo individualista americano. Neste anarquismo, não só há propriedade privada, como também há um livre-mercado; a defesa e a lei são providas por meio de associações voluntárias. A idéia seria aprimorada até o final do século XIX, por pensadores como Stephen Pearl Andrews (1812-1886), William B. Greene (1819-1878), Lysander Spooner (1808-1887) e Benjamin R. Tucker (1854-1939).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando um pouco à história convencional do socialismo, temos Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), aquele que primeiro se intitulou anarquista, e que foi influenciado &lt;i&gt;tanto&lt;/i&gt; pela facção individualista dos industrialistas &lt;i&gt;quanto&lt;/i&gt; pela facção coletivista. A filosofia de Proudhon, embora chamada também de socialista, era cheia de nuances e difícil de caracterizar sob um rótulo só. Em seu livro &lt;i&gt;Qu'est ce que la propriété?&lt;/i&gt;, de 1840, que carrega a famosa frase “a propriedade é um roubo”, Proudhon postula que as propriedades existentes eram todas provenientes de privilégios. Ele propõe, então, um novo sistema de propriedade, chamado por ele de &lt;i&gt;possessão&lt;/i&gt;, em que não haveria propriedade da terra por donos ausentes; a propriedade estaria intrinsecamente condicionada ao trabalho direto na terra. O &lt;i&gt;mutualismo&lt;/i&gt;, sua teoria econômica, propunha um novo sistema de concessão de crédito para sanar a escassez artificial provocada pelos privilégios políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma parte das teorias de Proudhon seria desenvolvida nos Estados Unidos, pelos anarquistas individualistas supracitados, que enfatizavam a possessão e o mutualismo. Outra parte de seu pensamento influenciaria o anarco-comunismo de Mikhail Bakunin (1814-1876) e o marxismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O socialismo marxista&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tentei mostrar algumas das influências óbvias do pensamento de Karl Marx. Evidentemente, o que eu escrevi até aqui não é uma lista compreensiva – mas serve para dar uma noção de que as teorias marxistas não surgiram num vácuo. O liberalismo havia fornecido sua estrutura básica. A economia política de Karl Marx é totalmente baseada na de David Ricardo, influenciada por Thomas Hodgskin e sua teoria da exploração. A formalização das “contradições” de classe que Marx viria a mencionar estavam presentes no trabalho dos liberais Jean-Baptiste Say, Charles Comte e Charles Dunoyer. O pensamento de Proudhon levaria Marx a identificar as “relações de produção”, isto é, à específica estipulação de direitos de propriedade, como um dos fatores que favoreciam o domínio de classes. E os movimentos socialistas anteriores a Marx o levariam a identificar o que ele designaria como “proletariado” como sendo a classe explorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, os pilares do pensamento marxista são as seguintes teses: (1) a história da humanidade é a história das lutas de classes – isto é, a luta de uma classe dominante relativamente pequena contra uma classe produtiva relativamente grande, explorada economicamente; (2) a classe dominante é unida por seu interesse em manter seu domínio e maximizar sua apropriação de “mais-valia”; (3) o domínio de classe se manifesta através de arranjos específicos de “relações de produção”, isto é, de certas estipulações de direitos de propriedade; (4) o Estado é a agência de dominação de classe; (5) a classe dominante só pode se manter numa posição exploratória sob uma certa “superestrutura social” – isto é, se houver uma opinião pública favorável; (6) o avanço das “forças produtivas”, isto é, o avanço do domínio exploratório a uma escala cada vez maior (até, eventualmente, uma escala global), faz que hajam sucessivas crises; o domínio exploratório perde sua legitimidade; há um aumento da “consciência de classe”, ou seja, da consciência da classe relativamente mais numerosa de que está sendo explorada, e surgem as “condições objetivas” para uma revolução que acabará com a exploração e estabelerá uma sociedade sem classes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Marx, seria o capitalismo &lt;i&gt;laissez-faire&lt;/i&gt; que levaria a uma exploração cada vez maior do proletário. Isso ocorreria porque o capitalista apropria-se da “mais-valia” social, isto é, um número de horas de trabalho não-pagas. Ele só seria capaz de fazer isso porque controla o aparato do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez que, segundo Marx, o Estado é a própria institucionalização do domínio de classe (é a &lt;i&gt;definição&lt;/i&gt; dessa instituição), a revolução proletária deve &lt;i&gt;tomar&lt;/i&gt; o aparato estatal. Esse período intermediário, de tomada das estruturas do Estado, foi chamado por Marx de &lt;i&gt;socialismo&lt;/i&gt; (embora, como já assinalado, o termo “socialismo” tenha vários significados – sendo inclusive empregado pelos anarco-individualistas americanos para descrever sua filosofia radicalmente anticomunista). Com o controle do Estado, não haveriam mais contradições econômicas sistemáticas e haveria uma absorção da sociedade pelo Estado. Sem contradições econômicas, o Estado não tem razão de existir e, portanto, desapareceria, deixando em seu lugar uma sociedade sem classes – que foi chamada por Marx de &lt;i&gt;comunismo&lt;/i&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6932104146260856300?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6932104146260856300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6932104146260856300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6932104146260856300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6932104146260856300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/sobre-o-socialismo-marxista-e-suas.html' title='Sobre o socialismo marxista e suas influências'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-3185689562534387795</id><published>2007-07-10T00:35:00.000-03:00</published><updated>2007-07-10T00:36:40.840-03:00</updated><title type='text'>Por que as reformas liberais são mais difíceis do que parecem</title><content type='html'>Nem toda privatização é libertária, embora a privatização em si seja um objetivo libertário. Da mesma forma, não é porque o liberalismo/libertarismo quer tirar poderes do estado que &lt;em&gt;qualquer&lt;/em&gt; diminuição do poder estatal necessariamente leva a uma ordem mais justa. Sobre isso, eu fiz um post no orkut há pouco:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Imagine uma sociedade em que há dois grupos (desconsiderando todos os outros fatores). O Grupo A é subsidiado com X/2 reais e o Grupo B com X reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imagine que o governo pare de subsidiar o Grupo A. Agora os privilégios relativos do Grupo B aumentaram em relação ao Grupo A. Você diria que os direitos de A são mais ou menos violados agora? Eu diria sem dúvidas: mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse não é um argumento a favor de aumentar os subsídios a A, para que a situação de A e B fique igualada. Eu não sou a favor disso. É um argumento a favor de diminuir os subsídios a B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode dizer: "Mas isso te faria considerar menos injusto um aumento dos subsídios a A". De fato, mas dizer que algo é menos injusto não é dizer que aquilo não é injusto. Dificilmente esse pode ser um argumento a favor do aumento dos subsídios a A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ponto é que se deve manter as coisas em contexto. Privatização pode ser uma coisa libertária, mas nem toda privatização é uma coisa libertária. Extinção dos programas estatais é um objetivo libertário, mas nem todas as extinções de programas estatais levam a fins libertários.&lt;/blockquote&gt;Ou seja, não é porque um tipo de subsídio deixa de existir que se estabelece um cenário mais justo. Deve-se manter as coisas em contexto. Quando eu li o trabalho de &lt;a href="http://www.nyu.edu/projects/sciabarra/" target="_blank"&gt;Chris Matthew Sciabarra&lt;/a&gt; pela primeira vez, achei seus comentários sobre dialética (na verdade, a "dialética" dele tem a ver com "contexto") eram triviais. Só mais tarde eu vim a perceber como é &lt;em&gt;difícil&lt;/em&gt; você manter as coisas em contexto — e conseqüentemente vim a apreciar mais o trabalho dele. A primeira impressão que você poderia ter ao ler meu exemplo dos grupos A e B era que &lt;em&gt;qualquer&lt;/em&gt; eliminação de subsídios estabeleceria uma situação mais justa. Obviamente esse não é o caso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-3185689562534387795?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/3185689562534387795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=3185689562534387795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3185689562534387795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3185689562534387795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/por-que-as-reformas-liberais-so-mais.html' title='Por que as reformas liberais são mais difíceis do que parecem'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1572210041557257282</id><published>2007-07-08T15:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-08T15:20:06.052-03:00</updated><title type='text'>Herbert Spencer knows it all</title><content type='html'>Do texto que eu &lt;a href="http://libertyzine.blogspot.com/2007/07/o-novo-toryismo-herbert-spencer.html" target="_blank"&gt;traduzi&lt;/a&gt; recentemente de Herbert Spencer, esta passagem especialmente é sensacional. Explica perfeitamente a incapacidade dos liberais de fazerem alianças corretas e de se posicionarem apropriadamente no espectro político:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Das criaturas mais baixas às mais altas, a inteligência progride por meio de atos discriminatórios; e ela continua a progredir entre os homens, desde o mais ignorante até o mais culto. Classificar corretamente — colocar no mesmo grupo coisas que são essencialmente da mesma natureza e em outros grupos coisas que são de naturezas essencialmente diferentes — é condição essencial para uma correta orientação das ações. A partir de uma visão rudimentar, que nos alerta que um grande corpo opaco passa por perto (da mesma forma que olhos fechados virados para uma janela, percebendo a sombra causada por uma mão colocada na frente deles, nos diz que algo está se movendo à nossa frente), avança-se a uma visão desenvolvida, a qual, por meio de combinações de formas, cores e movimentos apreciados com exatidão identifica objetos a grandes distâncias como presas ou inimigos, e assim torna possível melhorar os ajustes de conduta que permitam a obtenção de comida ou a prevenção da morte. Essa progressiva percepção das diferenças e a conseqüente maior exatidão das classificações, que constitui um dos principais aspectos do aprimoramento da inteligência, é igualmente vista quando abandonamos uma visão física relativamente simples em favor da relativamente complexa visão intelectual — a visão que permite que coisas previamente agrupadas de acordo com características externas ou circunstâncias extrínsecas sejam reagrupadas em maior conformidade com suas estruturas ou naturezas intrínsecas. Uma visão intelectual pouco desenvolvida é tão indiscriminatória e errônea em suas classificações quanto uma visão física pouco desenvolvida. Observe, por exemplo, as primeiras organizações das plantas em grupos de árvores, arbustos e ervas: o tamanho, sendo a característica mais facilmente notável, era a base da distinção; e as combinações formadas por essa classificação unia várias plantas extremamente desiguais em suas naturezas e separava outras muito parecidas. Ou, ainda melhor, tome-se por exemplo a classificação popular que coloca juntos, sob o mesmo nome geral, peixes e mariscos, e sob o mesmo subnome, mariscos, coloca juntos crustáceos e moluscos; não, a que vai mais longe e considera como peixes os mamíferos cetáceos. Em parte por causa da similaridade de seus modos de vida aquáticos, em parte por conta da semelhança geral em seus sabores, criaturas de naturezas essenciais muito mais separadas que um peixe de uma ave são associadas na mesma classe e na mesma subclasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a verdade acima exemplificada vale também para as visões intelectuais que têm relação com coisas não prontamente apresentáveis aos sentidos, como, entre outras, instituições e medidas políticas. Pois quando pensamos sobre estas, os resultados de uma inadequada aptidão intelectual, ou de um inadequado desenvolvimento dela, ou de ambos, são classificações errôneas e conseqüentes conclusões incorretas. De fato, a probabilidade de erro aqui é muito maior, uma vez que as coisas com a qual o intelecto se ocupa não admitem exame da mesma simples maneira. Você não é capaz de tocar ou de ver uma instituição política: ela só pode ser conhecida por um esforço construtivo da imaginação. Você também não pode apreender através da percepção física uma medida política: isto requer, igualmente, um processo de representação mental pelo qual seus elementos são agrupados no pensamento e em que a natureza essencial da combinação é concebida. Aqui, portanto, ainda mais que nos casos acima mencionados, uma visão intelectual defeituosa é mostrada por agrupamentos formados por características externas ou por circunstâncias extrínsecas.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1572210041557257282?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1572210041557257282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1572210041557257282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1572210041557257282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1572210041557257282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/herbert-spencer-knows-it-all.html' title='Herbert Spencer knows it all'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7732943515154566855</id><published>2007-07-04T01:05:00.000-03:00</published><updated>2007-07-04T01:12:31.772-03:00</updated><title type='text'>O que é liberalismo? O que é conservadorismo?</title><content type='html'>No orkut escrevi isto, que me pareceu digno de aparecer aqui:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Questões de rótulos são sempre complicadas, rótulos políticos são os piores. Isso acontece porque em geral as posições políticas não carregam simplesmente um conteúdo "programático", elas não se resumem aos princípios que as pessoas defendem explicitamente, mas englobam também uma série de posições culturais e estéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, nos EUA, há toda uma carga cultural em volta dos rótulos "conservative" e "liberal" (os "liberals" de lá, que são basicamente os social-democratas do resto do mundo). Os conservadores são aquele tipo de gente que vive nos subúrbios, que dirigem SUVs que gastam litros e litros de gasolina, que são carolas de igreja. Os liberais são associados com uma vida urbana, com o vegetarianismo, com uma preocupação com o meio-ambiente, reciclagem, etc. Veja que essas coisas não têm diretamente nada a ver com política. Esse tipo de coisa leva algumas pessoas a fazer livros como &lt;a href="http://www.conservatizeme.com" target="_blank"&gt;este&lt;/a&gt;, que falam como um liberal entrou na "vida" conservadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, em geral, talvez por conta do predomínio cultural da esquerda (embora isso seja duvidoso, porque a esquerda não é homogênea), no Brasil as posições dos liberais e conservadores muitas vezes se confundem. Assim, você vê liberais mostrando um certo elitismo cultural, fazendo pouco caso dos problemas dos pobres, sendo extremamente moralistas, etc - coisas tipicamente associadas aos conservadores. Você poderia dizer que esse tipo de postura é o que chamam de "liberal-conservadora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, existe também um liberalismo progressista (que é a posição histórica dos liberais), mais populista, mais preocupado com os pobres, com os direitos dos gays, etc - ou seja, um liberalismo não-moralista, o que normalmente é desdenhado pelos liberais conservadores, que dizem que "liberdade não é libertinagem" (duh).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que esse tipo de postura não diz nada quanto às posições &lt;em&gt;políticas&lt;/em&gt; daqueles que as defendem, mas eu só quis mostrar como essas questões de rótulos são realmente delicadas. Por isso eu faço a seguinte separação (mas eu não sei se os outros da comunidade concordariam com ela):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conservadores: a ordem é o valor maior; não fazem uma oposição fundamental ao poder do estado; rejeitam quaisquer mudanças radicais na sociedade, em quaisquer partes da vida do país (seja na esfera econômica, seja na moral) - por esse comprometimento com a ordem, os conservadores são levados a defender a presença do estado onde quer que esteja havendo mudanças que quebrem com a ordem estabelecida. Por isso também você não vê neles uma oposição fundamental aos impostos, às regulações, etc, pois isso pode levar à uma ruptura social que eles não estão dispostos a aceitar. Daí se segue também o elitismo conservador de que eu falei antes também, porque há uma presunção de que a manutenção de um status é mais importante do o modo pelo qual esse status foi obtido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Liberais: a liberdade é o valor maior, nem toda ordem é desejável simplesmente por ser um tipo de ordem; a oposição ao poder do estado é mais fundamental, o que leva a uma rejeição mais enfática das atividades estatais e uma relutância maior em aceitar a necessidade das ações do estado; as mudanças em geral são avaliadas de acordo com a conveniência para alcançar o ideal, não como males em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma divisão psicológica e certamente tem seus problemas de aplicação. Mas é melhor que divisão que diz que "liberais = liberalismo social e econômico; conservadores = conservadorismo social/liberalismo econômico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, além disso, não há nenhuma incompatibilidade intrínseca entre o cristianismo (ou mesmo o catolicismo, especificamente) e o liberalismo. Lord Acton, por exemplo, foi um liberal radical católico. No cristianismo em geral, eu citaria os batistas, que sempre foram radicalmente anti-políticos (são até hoje) e foram um dos grupos que mais defenderam (senão o que mais defendeu) a separação entre o estado e a religião.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7732943515154566855?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7732943515154566855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7732943515154566855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7732943515154566855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7732943515154566855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/o-que-liberalismo-o-que-conservadorismo.html' title='O que é liberalismo? O que é conservadorismo?'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7896556279254794070</id><published>2007-07-01T17:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-03T02:50:04.990-03:00</updated><title type='text'>Um diamante do tamanho do Ritz</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;Jasmine, a filha mais velha, era parecida com Kismine - exceto pelas pernas ligeiramente arqueadas e pelos pés e mãos grandes -, mas era completamente diferente em temperamento. Seus livros favoritos contavam histórias de garotas pobres que sustentavam pais enviuvados. John soube por Kismine que Jasmine nunca se recuperara do choque e desapontamento provocados pelo fim da Guerra Mundial, porque estava prestes a ir para a Europa como especialista em cantinas de acampamento. Ficara até deprimida por algum tempo, e Braddock Washington tomara medidas para promover uma nova guerra nos Bálcãs, mas Jasmine viu uma foto de soldados sérvios feridos e perdeu o interesse pelo negócio.&lt;/blockquote&gt;F. Scott Fitzgerald, 1922&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7896556279254794070?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7896556279254794070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7896556279254794070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7896556279254794070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7896556279254794070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/07/um-diamente-do-tamanho-do-ritz.html' title='&lt;em&gt;Um diamante do tamanho do Ritz&lt;/em&gt;'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-4840425151554409673</id><published>2007-06-30T23:50:00.000-03:00</published><updated>2007-06-30T23:55:22.701-03:00</updated><title type='text'>Saki dá uma boa sugestão</title><content type='html'>Em &lt;a href="http://www.gutenberg.org/files/1477/1477-h/1477-h.htm" target="_blank"&gt;The Toys of Peace&lt;/a&gt;, após receber brinquedos que não remetessem à guerra, Eric pergunta:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Are we to play with these civilian figures?” asked Eric.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Of course,” said Harvey, “these are toys; they are meant to be played with.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“But how?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It was rather a poser.  “You might make two of them contest a seat in Parliament,” said Harvey, “an have an election—”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“With rotten eggs, and free fights, and ever so many broken heads!” exclaimed Eric.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“And noses all bleeding and everybody drunk as can be,” echoed Bertie, who had carefully studied one of Hogarth’s pictures.&lt;/blockquote&gt;Políticos de narizes quebrados? Sweet.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-4840425151554409673?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/4840425151554409673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=4840425151554409673' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4840425151554409673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4840425151554409673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/06/saki-d-uma-boa-sugesto.html' title='Saki dá uma boa sugestão'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-4803302174346528108</id><published>2007-06-30T02:10:00.000-03:00</published><updated>2007-06-30T02:12:39.785-03:00</updated><title type='text'>Por que eu não sou e nunca fui um hayekiano, e por que Hayek não teve qualquer influência sobre mim</title><content type='html'>Hayek temia que quaisquer tentativas de estabelecer uma ética racionalista (o que ele chamava de "racionalismo construtivista") levassem a delírios totalitários. A saída que ele encontrou foi uma aposta na ignorância humana: só podemos proteger a liberdade individual se abandonarmos quaisquer projetos de estabelecer uma ética objetiva e que nos confortemos com a "ordem espontânea". Mas a ordem espontânea é contraditória nesses termos. Porque a ordem que surge depende dos valores que os indivíduos carregam consigo; sem valores culturais que prezem pela união da sociedade, ela se dissolve. Uma ordem "espontânea" que abdique da busca de quaisquer valores sociais ou éticos é apenas um apego à tradição. Esse conceito de espontaneidade livre de quaisquer valores éticos de Hayek também não o permite dizer que nada é ou não é espontâneo. Ele pode dizer que certas ações do governo foram apenas emergências espontâneas de um determinado contexto social. Até mesmo as políticas econômicas que Hayek defendia perdem quase todo o peso frente ao conceito de espontaneidade que ele próprio defendia. Por que opor-se a medidas inflacionistas se é o governo que as está tomando? E o governo pode ser considerado apenas uma instituição social espontânea, criada pelos próprios indivíduos para satisfazer às próprias necessidades, ou não? E, admitindo-se que a inflação traga resultados ruins, por que deveríamos nos opor a ela de qualquer forma? Seria porque ela traz pobreza social? Mas por que deveríamos querer a riqueza? Não seria esse padrão ético uma espécie de racionalismo construtivista, uma tentativa de moldar à sociedade de acordo com os próprios caprichos que pode desembocar em algum tipo de dirigismo totalitário?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-4803302174346528108?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/4803302174346528108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=4803302174346528108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4803302174346528108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4803302174346528108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/06/por-que-eu-no-sou-e-nunca-fui-um.html' title='Por que eu não sou e nunca fui um hayekiano, e por que Hayek não teve qualquer influência sobre mim'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-3441994692103141179</id><published>2007-06-30T01:45:00.000-03:00</published><updated>2007-06-30T01:46:38.930-03:00</updated><title type='text'>Sherlock Holmes, detetives em geral e eu</title><content type='html'>&lt;img src="http://bp2.blogger.com/_zgdigU5JZMY/RoXfW3TcZgI/AAAAAAAAAAM/405Gwdu20Sw/s320/sherlock.gif" height="218" width="130" align="left" hspace="5" alt="" /&gt;Mal posso acreditar quanto tempo - 19 anos, cada um deles com um peso moral quase insuportável - passei sem saber quais prazeres que Sherlock Holmes era capaz de proporcionar. Sempre tive a idéia de que detetives da literatura eram frios demais, inumanos demais. Era somente um preconceito, mal conheço a literatura em geral, muito menos o gênero específico dos detetives. Talvez essa preferência por personagens mais humanos seja vulgar, mas era algo que realmente me incomodava: a tendência de atribuir todas as qualidades aos heróis. Sherlock Holmes, no entanto, é impaciente, fica com raiva, não calcula tudo o que vai acontecer. Me sinto meio banal por requerer algo tão comum dos personagens, mas eu tinha que sentir que eles tinham um coração batendo no peito. Sherlock Holmes, embora possua um poder de abstração fora do comum, e informações absurdas, me parece vivo e conseguiu quebrar, ao menos um pouco, o preconceito que eu tinha. Depois de ler o livro ao lado, &lt;em&gt;A Ciclista Solitária e outras histórias&lt;/em&gt;, da maravilhosa L&amp;PM Pocket (215 pgs.), posso partir para detetives mais hardcore (mas ainda rezo para que eles sejam seres vivos, não apenas incríveis máquinas de investigação e resolução de casos).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-3441994692103141179?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/3441994692103141179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=3441994692103141179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3441994692103141179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3441994692103141179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/06/sherlock-holmes-detetives-em-geral-e-eu.html' title='Sherlock Holmes, detetives em geral e eu'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zgdigU5JZMY/RoXfW3TcZgI/AAAAAAAAAAM/405Gwdu20Sw/s72-c/sherlock.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8836373803506169475</id><published>2007-06-23T13:45:00.000-03:00</published><updated>2007-06-23T13:55:40.950-03:00</updated><title type='text'>The unquestionable truth</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/contrapolitics/unquestionabletruth.jpg" width="445" height="213" alt="" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Liberty&lt;/em&gt;, vol. 1, no. 1, 6 de agosto de 1881.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8836373803506169475?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8836373803506169475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8836373803506169475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8836373803506169475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8836373803506169475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/06/unquestionable-truth.html' title='The unquestionable truth'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-4951958271503805671</id><published>2007-06-23T01:00:00.000-03:00</published><updated>2007-06-23T01:02:17.555-03:00</updated><title type='text'>Nós não somos nem precisamos ser iguais</title><content type='html'>A inteligência convencional aconselha uma união entre liberais e conservadores para "enfrentar o pensamento esquerdista dominante no país". Enquanto isso, podemos ignorar ou subestimar a importância da divergência entre as duas correntes, porque é estúpido perder tempo com esse tipo de discussão quando há um inimigo maior para combater, a saber, a "esquerda". O que falta é união, coisa que sobra nos esquerdistas - mestres em organização e propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o raciocínio estratégico padrão da "direita" brasileira. O único problema é que esqueceram de avisar aos esquerdistas que eles eram unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquerda, ao contrário do que diz a sabedoria convencional, não é nem nunca foi unida. Na verdade, esquerdistas são altamente sectários, e eu diria até que esse é um dos motivos do crescimento intelectual esmagador dos "socialistas" (sei que esse é um rótulo vago, mas não tenho outro aplicável aqui) no fim do século XIX e durante o século XX. Foi com discussões internas, sobre teoria e estratégia, que eles refinaram as próprias idéias e cresceram. Eles não pensaram em subestimar as diferenças entre as correntes para combater o inimigo maior, o status quo. Combateram ambos, criaram inimizades com velhos aliados e criaram novas correntes, alianças e tendências, e assim cresceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esquerda, ou ao menos no que é chamado normalmente de esquerda, podemos identificar vários partidos políticos brasileiros: PT, PDT, PCdoB, PSTU, P-SOL, PCO. Eles são todos iguais? Todas as variantes do comunismo, a social-democracia, o ambientalismo, o comunitarismo, o sindicalismo, a maioria das variantes do anarquismo, o progressismo e o socialismo cristão são todos iguais? Todas essas correntes, subcorrentes e tendências da esquerda são bastante conhecidas, mas quando criticar é necessário, a esquerda se torna um bloco uno que só pode ser derrotado com uma grande coligação "de direita".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso responder definitivamente por que existe essa impressão de que a esquerda é unida ou unitária, mas eu atribuo isso ao fato de que o discurso mainstream é vagamente de "esquerda", o que passa a sensação de que vivemos rodeados de esquerdistas uniformes. Só que nada é mais falso e os liberais (e também os conservadores, por que não?) vão perder muito se continuarem a fingir que são aliados naturais. Uma diferenciação radical entre os liberais e os conservadores seria melhor para ambos. Somente com esse tipo de definição intelectual um movimento ideológico pode ganhar força. Se os liberais e conservadores continuarem achando que são apenas subcorrentes de um movimento maior chamado "direita", vão permanecer com o pensamento obnubilado. O reconhecimento das diferenças da mais força aos argumentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-4951958271503805671?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/4951958271503805671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=4951958271503805671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4951958271503805671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4951958271503805671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/06/ns-no-somos-nem-precisamos-ser-iguais.html' title='Nós não somos nem precisamos ser iguais'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-4201612803421985689</id><published>2007-05-27T02:15:00.000-03:00</published><updated>2007-05-27T02:12:47.119-03:00</updated><title type='text'>O que já foi feito pelos negros no Brasil?</title><content type='html'>Negros engajados normalmente perguntam "O que já foi feito pelos negros no Brasil?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico doente com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eles perguntassem "O que já foi feito para atrapalhar os negros no Brasil?", eu teria mais respeito por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque nada foi feito pelos negros no Brasil, mas muito já foi feito contra eles. E, a despeito do histórico, eles têm esperança de que podem reverter o poder estatal, que sempre foi usado &lt;em&gt;contra&lt;/em&gt; eles, para ajudá-los. Existe maior credulidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os movimentos negros tinham a obrigação de desconfiar de qualquer projeto que fosse proposto para auxiliá-los. Eles nunca foram ajudados, por que seriam agora? Por que eles acham que algo fundamentalmente mudou na sociedade? Por que eles não demonstram ceticismo em relação a tudo que seja alienígena aos próprios negros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse sido discriminado por anos por alguém e, de repente, esse alguém começasse a me dar presentes, a reação natural seria que eu o olhasse com desconfiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os negros, pelo contrário, a julgar pela atitude que tomam quando propõem qualquer coisa que os beneficiaria (e.g., cotas em universidades), convidariam essa pessoa para suas casas e fariam um grande jantar em homenagem a ela. They should know better.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-4201612803421985689?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/4201612803421985689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=4201612803421985689' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4201612803421985689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4201612803421985689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/05/o-que-j-foi-feito-pelos-negros-no.html' title='O que já foi feito pelos negros no Brasil?'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-2065568896253804407</id><published>2007-05-19T16:17:00.000-03:00</published><updated>2007-05-19T16:22:07.455-03:00</updated><title type='text'>Não existe gênio moderado</title><content type='html'>A genialidade exige radicalismo. Ninguém pode ser considerado gênio se não considera sua hipótese válida em todos os momentos e aspectos. Logicamente, podemos dizer que a moderação é o reduto de todos os que esquecem de levar as próprias idéias às últimas conseqüências e, por isso, não tem respaldo. Empiricamente, o maior nome que a moderação já construiu foi Maynard Keynes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha teoria é irrefutável, portanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-2065568896253804407?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/2065568896253804407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=2065568896253804407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2065568896253804407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2065568896253804407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/05/no-existe-gnio-moderado.html' title='Não existe gênio moderado'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-3215898225193026292</id><published>2007-05-16T12:30:00.001-03:00</published><updated>2007-05-16T12:30:53.223-03:00</updated><title type='text'>Na primeira edição do jornal Liberty, Benjamin Tucker escreveu...</title><content type='html'>"Liberty, Equality, Fraternity, these three; but the greatest of these is Liberty. Formerly the price of Liberty was eternal vigilance, but now it can be had for fifty cents a year.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A inflação também é notável.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-3215898225193026292?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/3215898225193026292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=3215898225193026292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3215898225193026292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/3215898225193026292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/05/na-primeira-edio-do-jornal-liberty.html' title='Na primeira edição do jornal &lt;em&gt;Liberty&lt;/em&gt;, Benjamin Tucker escreveu...'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-2062314915345994053</id><published>2007-04-18T17:52:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T17:53:00.903-03:00</updated><title type='text'>Blame the state</title><content type='html'>Tudo o que acontece de ruim na sua vida tem a interferência do governo. Às vezes parece que algo aconteceu independentemente da ação governamental, mas, analisando a fundo, o governo também estava lá, impedindo que algo funcionasse direito na sua vida. Este texto pretende ser não mais que um pequeno apanhado dessas pequenas coisas aparentemente banais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, as filas. Filas não são naturais, e tudo o que não é natural na organização humana é causado pelo governo. Quando se vai à padaria com mais pressa, é impossível não se deixar perturbar pela demora na fila. O governo é o único responsável por essa demora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estipula regras para a abertura de padarias (e bancos, supermercados e outros estabelecimentos em que se formam filas), o governo força que milhares de empreendedores ansiosos por entrar no mercado fiquem de fora por tempo demais, até que eles desistam ou não sejam mais suficientes para atender à demanda. Quando obriga que seja impressa uma nota fiscal a cada compra, além de obviamente elevar os preços dos produtos, o governo aumenta o tempo de fila. Quando o Estado resolve que o pão deve ser vendido por quilo, tira do mercado alguns mercadinhos que tinham no pão apenas um produto adicional e obriga o consumidor a encarar não só a fila do mercadinho, mas também a da padaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, algumas filas existiriam mesmo sem a interferência do Estado: filas para comprar ingressos para um show, por exemplo, ou filas para entrar na melhor boate da cidade. Mas essas filas seriam extremamente reduzidas, porque sem Estado os cambistas estariam livres para negociar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando seu filho se dá mal na escola, a culpa é do governo, também. É ele quem estipula regras de &lt;em&gt;como&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;quando&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;quanto&lt;/em&gt; deve ser ensinado ao seu filho. O governo, ao regulamentar a educação, impede que você procure uma escola que se adapte ao estilo dele, obrigando, assim, seu filho a se adaptar à escola que freqüenta. Os métodos de ensino eficazes para alguns não funcionam com todos, e um dos prejudicados pode ser seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se seu encanamento entupiu, não pense duas vezes antes de acusar o Estado. Ele é quem impede, através de órgãos como o CREA, por exemplo, que formas diferenciadas de construção se firmem, porque exige que tudo seja devidamente fiscalizado e inspecionado, o que aumenta e inviabiliza o preço dos encanamentos autolimpantes (que, por sinal, economizam bastante no longo prazo por não exigirem manutenção – e aqui o governo também gasta mais do seu dinheiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conta de telefone, energia e água como no alto custo de um iPod e na quase impossibilidade de se assinar internet banda larga, lá está o Estado. Em cada pequeno defeito da sua vida, em cada infortúnio, lá você o enxerga, sempre piorando cada coisa que poderia dar certo. No atraso dos aviões como no preço da gasolina e no dos livros; no alto preço de uma geladeira como no do videogame e seu controle. Quando você tropeça na rua ou quando não consegue emprego. Tudo é culpa do Estado e sobre ele deve recair a ira de cada um que já foi assaltado, estuprado, seqüestrado; qualquer um que conheceu alguém que foi assassinado. Ao Estado deve-se culpar pela impossibilidade de se manter uma segurança privada mais eficiente que a pública. O que não se pode querer é que o culpado por todos esses crimes continue administrando a forma como tudo é feito, mas isso é assunto para outro dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-2062314915345994053?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/2062314915345994053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=2062314915345994053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2062314915345994053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/2062314915345994053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/blame-state.html' title='Blame the state'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5248788902403980196</id><published>2007-04-17T17:35:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T17:39:07.418-03:00</updated><title type='text'>Não me mate, eu produzo muitas riquezas</title><content type='html'>Ontem, após ter noticiado o massacre na universidade americana, a âncora do Jornal da Globo disse, segundo a minha memória: "E a pergunta que fica é: como esse massacre pôde acontecer no país que mais produz riquezas no mundo?" Gostaria que, se possível, alguém me indicasse estudos que apontam a proporcionalidade inversa entre massacres em universidades e produção de riquezas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5248788902403980196?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5248788902403980196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5248788902403980196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5248788902403980196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5248788902403980196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/no-me-mate-eu-produzo-muitas-riquezas.html' title='Não me mate, eu produzo muitas riquezas'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-5326585991967717348</id><published>2007-04-12T15:10:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T15:11:27.926-03:00</updated><title type='text'>Relativismo moral, direito natural, senso comum e opressão</title><content type='html'>Um comentário que deixei no blog do &lt;a href="http://socialtactics.blogspot.com/2007/04/racionalidade-da-ordem-natural-nota.html" target="_blank"&gt;Luiz&lt;/a&gt;, pertinente para cá:&lt;blockquote&gt;1) O que normalmente chamam por aí de ética subjetiva, ou relativismo moral, é só mais um nome para "preferência". Se você diz "a ética é completamente subjetiva", isso implica que qualquer pessoa pode fazer o que quiser, sem qualquer restrição. Eu diria que "ética subjetiva" é uma contradição em termos - ética só pode ser objetiva, se não for passa a ser "vontade", "preferência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Quando algumas pessoas dizem que as outras não têm direitos, isso não vai apenas contra a nossa concepção de direitos (propriedade sobre o próprio corpo e sobre os recursos escassos originalmente sem dono), vai também contra o senso comum. Todas as pessoas reconhecem intuitivamente que as outras têm direitos. Quando as pessoas se revoltam com o regime nazista, não é apenas uma preferência estética que elas estão demonstrando. Elas pensam que o fato de o regime ter matado e torturado milhões foi objetivamente errado. Veja &lt;a href="http://libertariannation.org/a/f42l1.html#4.2" target="_blank"&gt;o que Roderick Long diz&lt;/a&gt;:&lt;blockquote&gt;"Most critics of Natural Law assume that the burden of proof lies with the proponent of Natural Law — presumably because they see Natural Law as something bizarre and implausible, something one couldn't sensibly believe unless there were a knock-down argument for it. But in fact, to believe in Natural Law is simply to believe that there are moral standards that transcend the practices and customs of any given community — that there are rational grounds for condemning the Nazi regime as immoral, that it is possible to be justified in so condemning it, even if we assume that what the Nazis did was perfectly in accordance with the values of Nazi culture. When we condemn Nazism, we don't ordinarily take ourselves to be expressing a purely personal, subjective preference, like the preference for chocolate over vanilla; rather, our ordinary practices of praising and condemning seem to implicitly assume that there are objective moral standards, i.e., that there is a Natural Law to which manmade laws are answerable."&lt;/blockquote&gt;É por isso que me parece que adotar a terminologia "lei natural" não é absurdo, porque é o mesmo princípio que ocorre a todos quando se pensa em "justiça".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) O niilismo stirneriano adotado pelos anarco-individualistas contradiz o que eles próprios pregam (fim da opressão, etc). Aliás, a própria noção de opressão individual (e de indivíduo) perde o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Sobre a "opressão" da lei natural, bom, eu já vi socialistas (do tipo coletivista-autoritário) dizendo que é o sistema econômico que "obriga" as pessoas a trabalhar pra viver, que o trabalho não é um "fim" mas um "meio". Se ele tivesse qualificado a afirmação, dizendo que o sistema econômico vigente explora os trabalhadores e os torna mais pobres, eu concordaria. Mas é o mesmo caso da opressora lei da gravidade, que impede as pessoas de voar. É como aquela idiotice do "&lt;a href="http://www.dhnet.org.br/desejos/textos/krisis.htm" target="_blank"&gt;Manifesto contra o trabalho&lt;/a&gt;".&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-5326585991967717348?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/5326585991967717348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=5326585991967717348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5326585991967717348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/5326585991967717348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/relativismo-moral-direito-natural-senso.html' title='Relativismo moral, direito natural, senso comum e opressão'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-8231842561814604239</id><published>2007-04-08T09:50:00.000-03:00</published><updated>2007-04-08T09:51:38.503-03:00</updated><title type='text'>Chama-me de qualquer coisa, mas fica certo de que qualquer coisa significará o que eu quero dizer</title><content type='html'>Um dos maiores problemas da atualidade – e eu falo sem medo de exagerar ou extrapolar meus limites – é a mania de criar minorias, dividir, separar, isolar, restringir, limitar, formar grupos cada vez menores para ser definidos por uma palavra que, sem perda de qualidade, poderia definir muito mais elementos do que de fato define.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um deseja ter para si um nome exclusivo, porque não nota que todas as teorias em que acredita são semelhantes às do outro, que adota outro nome para si e acaba forçando uma diferença baseada na mera rivalidade: “apesar de iguais, nós nos odiamos. Por isso somos diferentes”. Não notam que até no ódio mútuo são semelhantes, porque seus olhos estão cegos à possibilidade de, quem sabe, mudar de nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece tanto com os comunistas – P-SOL, Judean People’s Front, People’s Front of Judea, Popular Front of Judea e PC do B – quanto com os anarquistas – Anarco-capitalismo, anarco-individualismo – e com os social-democratas, que não deixam de ser comunistas – PT, PSDB, DEM. Não há como distinguir um único ideal díspare entre esses grupos, apenas o ódio irracional dedicado ao semelhante justamente pelo fato de ser semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer pessoa minimamente interessada por política é capaz de perceber que “Social-democracia” é democracia e que se interessa pelos trabalhadores – afinal, esse “social” deve servir para algo. De fato, qualquer democracia funciona pelos e para os trabalhadores: eles são a verdadeira maioria; são eles que decidem, no final – eu não me lembro de haver, na história, um país com maioria desempregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o comunismo do P-SOL e o do PC do B são iguais, já que ambos acreditam que a regulamentação estatal em busca do bem geral é necessária para o pleno desenvolvimento da sociedade e para o bem-estar social. P-SOL e PC do B, entretanto, como os partidos populares da Vida de Brian, filme do Monty Phyton, sempre se desgastam enquanto lutam entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chamada “esquerda”, porém, age para reduzir as diferenças entre si, faz alianças com seus semelhantes, e esse é o motivo de sua força crescente – não uma “revolução gramscista”. Quando estão aliados (numa democracia isso fica claro), o poderio dos partidos (escolas) multiplica-se, assim como a sua influência. Tudo graças ao reconhecimento de que se pensa igual – ou, no mínimo, de forma muito parecida. O que é preciso, como estratégia de fortalecimento, é a união aos partidos (escolas) de pensamentos semelhantes, o reconhecimento de que não se está só – estar só, que, geralmente, é descrito como angustiante, parece, entretanto, agradar à maioria; talvez pelo sentimento de exclusividade, de propriedade da idéia, do nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, não se deve deixar enganar por aqueles que não têm coerência com suas idéias, que acreditam que é possível, por exemplo, ser liberal no aspecto econômico e conservador no social, como os conservadores, que aparentemente acham que a sociedade está desvinculada de sua economia, como se a economia fosse algo além ou aquém da sociedade. Não se deve, na ânsia pela conquista de espaço, aliar-se àqueles que não têm consistência ou que discordam de você. Uma aliança entre liberais e conservadores apenas serviria para desvirtuar os primeiros, já que os segundos são incapazes de desenvolver qualquer teoria com o mínimo de consistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, agora, abdico a qualquer nome ou título para me aliar àqueles que concordam com minhas idéias, porque as palavras são apenas o que fazem delas, significam apenas o que lhes foi concedido, e não me importo de abrir mão da propriedade de uma palavra para conquistar aliados sob outro rótulo de significado semelhante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-8231842561814604239?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/8231842561814604239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=8231842561814604239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8231842561814604239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/8231842561814604239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/chama-me-de-qualquer-coisa-mas-fica.html' title='Chama-me de qualquer coisa, mas fica certo de que qualquer coisa significará o que eu quero dizer'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-7036266963205398261</id><published>2007-04-05T20:45:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T21:21:33.841-03:00</updated><title type='text'>Lola - Truman Capote (1964)</title><content type='html'>Sim, sob todos os aspectos era um presente curioso. Espantoso, realmente. Pois eu já tinha bichos suficientes: dois cães, um buldogue inglês e um terrier Kerry. Além disso, nunca fui entusiasmado por pássaros. Na verdade, confesso certa aversão por eles: quando uma gaivota vira e mergulha no mar, por exemplo, minha propensão é entrar em pânico e sair correndo. Certa vez, quando eu tinha cinco ou seis anos, um pardal entrou voando pela janela do meu quarto e ficou preso lá dentro: voou de um lado para o outro até eu quase desmaiar de emoções em que a piedade aparecia, mas o medo predominava. Por isso fiquei meio desanimado ao ganhar o presente de Natal de Graziella: um corvo jovem medonho com a asa cruelmente cortada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, mais de doze anos se passaram, pois isso aconteceu na manhã de Natal de 1952. Eu morava na Sicília na época, nas montanhas; a casa, situada no meio de um olival prateado, era feita de pedra rosa clara; tinha muitos quartos e um terraço com vista para o Etna e seu cume nevado. Lá embaixo víamos, nos dias ensolarados, o mar azul como um olho de pavão. Era uma linda casa, embora não fosse muito confortável, principalmente no inverno, quando o vento do norte grita e uiva, quando tomamos vinho para esquentar e mesmo assim o toque do piso de pedra é gelado como o beijo de um cadáver. Qualquer que seja o clima, inverno rigoroso ou verão escorchante, a casa não seria habitável sem Graziella, a moça do vilarejo que vem todas as manhãs e fica até depois do jantar. Ela tinha dezessete anos, era uma jovem vigorosa de corpo atarracado e forte: tinha pernas de um lutador japonês - ligeiramente arqueadas, com coxas grossas. Seu rosto, porém, era muito formoso: olhos castanhos e dourados como o brandy local; faces rosadas; sobrancelha castanha fina; o cabelo preto escovado rente ao crânio, mantido em sua posição graças a um par de pentes espanhóis. Levava uma vida dura, e dela reclamava constantemente, de um jeito divertido, jovial: o pai era o bêbado da aldeia, ou pelo menos um deles; a mãe, uma carola histérica; e Paolo, o irmão mais velho - ela o adorava, embora todas as semanas ele a espancasse e lhe roubasse o salário. Éramos bons amigos, Graziella e eu, e naturalmente trocávamos presentes no Natal. Dei-lhe um suéter e um colar de contas verdes. E ela, como retribuição, trouxe-me o corvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já contei que ele era feio. E como. Um ser simultaneamente temível e patético. Por mais que me arriscasse a ofender Graziella, eu o teria libertado assim que fosse capaz de se virar sozinho. Mas as asas haviam sido cortadas muito fundo, jamais conseguiria voar; só andava, manquitolando, o bico preto aberto como a boca de um idiota, os olhos baços, perdidos. Graziella subira ao alto das encostas vulcânicas acima de Bronte e o capturara na ravina onde os corvos faziam seus ninhos, um vale pedregoso de espinheiros e arbustos retorcidos. "Eu o peguei com uma rede de pesca", contou. "Corri no meio dos pássaros. Quando atirei a rede, dois se emaranharam. Deixei um ir embora. O outro, este aqui, guardei numa caixa de sapato. Levei-o para casa e cortei as asas. Os corvos são muito espertos. Mais do que os papagaios. Ou que os cavalos. Se a gente fende sua língua, eles aprendem a falar." Graziella não era cruel, apenas assumia a indiferença mediterrânea ao sofrimento dos animais. Revoltou-se quando a impedi de mutilar a língua da ave; a bem da verdade, perdeu completamente o interesse pela pobre criatura, cujo bem-estar tornou-se minha penosa tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu o mantinha num quarto vago, sem mobília; ele vivia lá trancado, feito um parente insano. Pensei, bem, as asas vão crescer logo, aí ele poderá ir embora. Mas o Ano Novo chegou e se foi, as semanas passaram e finalmente Graziella explicou que meu presente de Natal só conseguiria subir aos céus novamente em seis meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu o detestava. Odiava visitá-lo; aquele era o quarto mais frio da casa, e o pássaro uma visão lamentável, impecavelmente triste. Contudo, a consciência de sua solidão me empurrava para lá - embora no início ele desse a impressão de gostar ainda menos do que eu das visitas: ficava quieto num canto, de costas para mim, um prisioneiro silencioso entre a tigela de água e a de comida. Com o tempo, porém, percebi que minha presença não era mais ressentida; ele parou de me evitar, olhava nos meus olhos e, com uma voz rouca e desafinada, emitia ruídos aparentemente amigáveis: cacarejos abafados. Começamos a fase das descobertas mútuas: descobri que ele gostava que lhe coçassem a cabeça, ele entendeu que suas bicadas de brincadeira me divertiam. Logo ele aprendeu a se equilibrar na ponta da minha mão, depois a sentar no meu ombro. Adorava me beijar - de leve, o bico roçava no meu queixo, nas faces, no lóbulo da orelha. Mesmo assim, continuei a sentir uma certa repulsa por ele, creio: a cor fúnebre, a sensação de tocar suas penas, odiosa (para mim) como sentir a pele de um peixe ou o couro de uma cobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã - era final de janeiro, as amendoeiras estavam floridas, pois a primavera chega cedo na Sicília: uma mistura de perfume e flores cobria a paisagem - descobri que o corvo havia fugido. O quarto em que vivia tinha portas tipo veneziana que davam para um jardim; durante a noite as portas se abriram, sabe-se lá como; talvez por causa do siroco, que soprava na época (trazendo consigo a areia fina do deserto africano). O pássaro desaparecera. Procurei no jardim inteiro; Graziella subiu o morro. A manhã passou, e a tarde. Ao anoitecer, já havíamos procurado "em todos os lugares": no meio dos espinhos do capão dos cactos, entre os túmulos do cemitério vizinho, dentro de uma caverna que cheirava a urina de morcego. Gradualmente, no decorrer de nossa busca, um fato finalmente foi admitido: eu gostava muito de Lola. Lola! O nome surgiu como uma lua cheia no céu, espontâneo e inevitável; até o momento, eu não lhe dera um nome: fazer isso, pensei, seria admitir que ela era uma aquisição permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lola?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamei-a da janela. Finalmente, fui para a cama. Claro, não consegui dormir. Tive visões: Lola, seu pescoço entre as presas de um gato; um gato vermelho a correr com ela para realizar seu banquete numa toca manchada de sangue e cheia de penas. Ou Lola, impossibilitada de voar, escondida, até que a fome e a sede a liquidassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lo-o-o-o-la-a-a?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havíamos procurado dentro de casa. Talvez nunca tivesse saído, só passado por uma porta e entrado por outra. Acendi uma vela (a eletricidade quase nunca funcionava); fui de quarto em quarto; e, num deles, uma saleta sem uso, a vela iluminou um par de olhos familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, Lola."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela subiu na minha mão; de volta ao quarto, eu a transferi para a guarda da cama de latão. Ela se agarrou com força e enfiou a cabeça cansada debaixo de uma das asas mutiladas. Logo pegou no sono, e eu também, assim como os cães (encolhidos e próximos da lareira ainda rubra do aromático fogo de lenha de eucalipto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cachorros nunca tinham visto Lola, eu estava meio ansioso quando a apresentei a eles na manhã seguinte, pois os dois, e principalmente o Kerry, eram capazes de repentes malucos. Mas se era para ela ficar em casa conosco, isso precisava ser feito. Eu a pus no chão. O buldogue a cheirou com seu nariz achatado, trufado, depois bocejou, mas não de preguiça e sim de constrangimento; todos os cachorros bocejam quando ficam sem graça. Obviamente, não sabia o que ela era. Comida? Brinquedo? O Kerry concluiu que era brinquedo e lhe deu uma patada. Encurralou-a num canto. Ela reagiu, bicou seu focinho; Lola gritava de um modo rude e violento, como se proferisse os piores palavrões. Assustou o buldogue; ele correu para fora do quarto. Até o Kerry recuou - sentou-se e ficou olhando para ela, deslumbrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali para a frente os cães passaram a respeitar Lola para valer. Mostravam por ela a maior consideração; ela não dava a mínima. Usava a tigela de água deles para tomar banho; na hora das refeições, sempre insatisfeita com seu prato, atacava o deles, servindo-se do que lhe agradava. Transformou o buldogue em poleiro particular; em pé nas costas largas do cão, passeava pelo jardim como uma equilibrista de circo em cima do cavalo. De noite, na frente da lareira, ela se aninhava entre os dois, e se eles se mexessem ou fizessem algo que perturbasse o seu descanso, levavam uma bicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lola era muito nova quando Graziella a apanhou - não passaria de um filhote. Em junho já hava triplicada de tamanho, crescera feito uma galinha. As asas haviam crescido de volta, ou quase. Mesmo assim ela não voava. A bem da verdade, recusava-se. Preferia andar. Quando os cães saíam a passear, ela ia junto com eles, saltitando. Certo dia me ocorreu que Lola talvez não soubesse que era um pássaro. Vai ver ela pensava ser um cachorro. Graziella concordou comigo, nós dois rimos muito; achamos tudo muito divertido, e nenhum dos dois imaginou que o engano de Lola acabaria certamente em tragédia: a maldição que aguarda quem recusa sua própria natureza e insiste em ser algo diferente do que realmente é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lola era ladra; se não fosse, jamais teria usado as asas. Contudo, o tipo de artigo que gostava de furtar - coisas brilhantes, uvas, canetas-tinteiro, cigarros - normalmente ficavam em lugares altos; portanto, para chegar ao tampo da mesa ela ocasionalmente dava um (literal) salto voador. Certa vez, pegou um par de dentaduras. Os dentes pertenciam a uma convidada, uma senhora idosa e difícil de lidar. Ela disse que não achava a menor graça e começou a chorar. Para piorar, ignorávamos onde Lola escondia seus tesouros (segundo Graziella, todos os corvos são ladrões e invariavelmente possuem um esconderijo para os bens furtados). O único procedimento sensato seria tentar fazer com que Lola revelasse  onde escondera a dentadura. Ela admirava o ouro: um anel de ouro que eu usava às vezes provocava seu olhar de cobiça. Nós (Graziella e eu) montamos uma armadilha com o anel: deixamos a jóia em cima da mesa de almoço, onde Lola comia migalhas, e nos escondemos atrás da porta. No momento em que se julgou sozinha, ela pegou o anel e correu para fora da sala de jantar, percorreu o corredor e entrou na "biblioteca" - uma sala pequena e abafada, cheia de edições baratas dos clássicos, propriedade do inquilino anterior. Ela pulou do chão até uma poltrona, e de lá para a estante; ali, como se fosse uma fenda na montanha que conduzia à caverna de Ali Babá, ela se esgueirou entre dois livros e sumiu atrás deles: evaporou, como Alice através do espelho. A obra completa de Jane Austen ocultava seu tesouro, que encontramos logo. Além da dentadura furtada, ele consistia em um chaveiro com as chaves do meu carro, desaparecido havia algum tempo (não desconfiei de Lola, pensei que o perdera), um monte de dinheiro picado - milhares de liras reduzidas a pedacinhos, como se destinadas a um ninho futuro, cartas antigas, meu melhor par de abotoaduras, elásticos, pedaços de barbante, a primeira página de um conto que eu parara de escrever por não achar a primeira página, uma moeda norte-americana de um centavo, uma rosa seca, um botão de cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início daquele verão Graziella anunciou seu noivado com um rapaz chamado Luchino, que era garçom, tinha cintura fina, cabelos oleosos encaracolados e perfil de artista de cinema. Falava um pouco de inglês, um pouco de alemão, usava sapatos de camurça verde e possuía uma Vespa. Graziella tinha motivos para cnsiderá-lo um noivo formidável; mesmo assim, não gostei da história. Na minha opinião, ele era comum e saudável, normal demais para um sujeito ladino como Luchino (que tinha reputação de ser gigolô semiprofissional de turistas solitárias: solteironas suecas, viúvas e viúvos alemães), embora tais atividades, a bem da verdade, não fossem incomuns entre os jovens do vilarejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o regozijo de Graziella era irresistível. Ela espalhou fotografias de Luchino pela cozinha inteira, em cima do fogão, em cima da pia, na parte interna da porta da geladeira, até no tronco da árvore que crescera na frente da janela da cozinha. A paixão, claro, interferiu no modo como ela cuidava de mim: agora, ao etilo siciliano, ela tinha as meias do namorado para cerzir, sua roupa para lavar (e era uma montanha!), isso sem mencionar as horas que dedicava ao preparo do enxoval de noiva, à roupa de baixo bordada e a experimentar o véu de noiva. Com freqüência, no almoço, ela me servia um prato de espaguete frio e duro, e ovos fritos frios no jantar. Ou absolutamente nada; ela vivia com pressa, correndo para encontrar o namorado na piazza, para um passeio ao crepúsculo. Contudo, em retrospecto, sua felicidade não me causava inveja; serviu apenas como prelúdio para um desfecho amargo, infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa noite de agosto seu pai (muito amado, apesar das bebedeiras) recebeu (de um turista norte-americano) uma dose de gim em copo alto, com sugestão de tomar tudo de um só gole, o que lhe causou um derrame que o deixou paralítico. No dia seguinte, um acontecimento ainda mais terrível: Luchino, percorrendo uma estradinha interiorana na Vespa, fez uma curva e atropelou uma menina de três anos, matando-a instantaneamente. Levei Lucrino e Graziella de carro ao enterro da menina; depois, na volta para casa, Luchino se manteve quieto e não chorou, mas Graziella gemia e chorava como se tivessem partido seu coração: presumi que pranteava a criança morta. Mas não, Luchino corria o risco de ser preso, e deveria pagar uma indenização enorme - o casamento não seria realizado em breve, nem nos próximos anos (se é que ocorreria um dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pobre moça ficou desolada. O médico recomendou repouso. Um dia fui visitá-la, para saber como estava passando. Levei Lola comigo, pretendedo animar a enferma. Em vez disso, a visão do pássaro a horrorizou; ela gritou. Disse que Lola era uma bruxa, que lola tinha o malocchio, o mau-olhado, e que a dupla tragédia, o derrame do pai e o acidente de Luchino, haviam sido obra de Lola, castigo por ela ter capturado e cortado as asas do pássaro. Ela afirmou que era verdade: qualquer criança sabe que os corvos são materializações de espíritos malignos e sombrios. E completou: "Nunca mais entrarei em sua casa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não voltou, mesmo. Nem qualquer outra empregada. Por conta das acusações de Graziella, criou-se o mito de que a minha casa estava impregnada de mau-olhado. Não era só Lola, eu também possuía o malocchio. Não se poderia acusar alguém de coisa pior, na Sicília. Para completar, não havia defesa contra tal acusação. No começo eu brincava com isso, embora não houvesse nada de humorístico no episódio. As pessoas faziam o sinal da cruz quando encontravam comigo na rua; ou, assim que eu passava, formavam um chifrinho com as mãos, apontando para mim - um gesto da magia negra destinado a anular o poder de meus olhos malignos, enfeitiçados por trás dos óculos de tartaruga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei certa vez, por volta da meia-noite, e decidi (pronto!) ir embora. Partir antes do amanhecer. Foi uma decisão e tanto, eu vivia ali havia dois anos e não gostava da idéia de ficar sem um teto, de repente. Desabrigado, com dois cães enormes e um pássaro fora da gaiola. Mesmo assim, pus as coisas no carro: parecia uma cornucópia: sapatos, livros, vara de pescar saindo pela janela; com alguns empurrões, consegui enfiar os cachorros no carro. Mas não havia sobrado lugar para Lola. Ela teve de se empoleirar no meu ombro, o que não estava longe do ideal, pois ela era uma passageira nervosa, a cada virada ou freada brusca ela gritava ou me sujava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzamos o estreito de Messina e a Calábria, para chegar a Nápoles e a Roma. Uma viagem agradável de recordar: por vezes, quando estou quase pegando no sono, revejo algumas cenas. Um piquenique nas montanha calabresas: céu azul intenso, rebanho de cabras adiante, os assobios breves e agudos do pastor de cabras, com um apito de bambu. E Lola a devorar pedacinhos de pão embebidos em vinho tinto. Ou Cape Palinuro, uma praia calabresa escondida, na beira do bosque, onde tomávamos o sol ainda quente de outubro quando um porco selvagem saiu do mato e correu em nossa direção como se pretendesse nos atacar. Só eu fui intimidado: corri para o mar. Os cães se prepararam para a defesa, com Lola a seu lado a bater asas e gritar para encorajá-los, com uma voz esganiçada; juntos, conseguiriam afugentar o porco de volta para o bosque. Naquela mesma tarde chegamos até as ruínas de Paestum: fim de tarde magnífico, o céu parecia outro mar, a meia-lua era um navio ancorado a balançar no céu de estrelas e em torno de nós o mármore enluarado, os templos caídos de uma época distante. Dormimos na praia, ao lado das ruínas; ou eles dormiram - Lola e os cães: fui atormentado pelos mosquitos e temores da mortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidimos passar o inverno em Roma, primeiro num hotel (o gerente nos expulsou após cinco dias, e nem chegava a ser um estabelecimento de primeira classe), depois num apartamento no número 33 da Via Margutta, rua estreita freqüentemente retratada por pintores ruins, famosa pelo número de gatos que ali se abrigam, felinos sem dono que vivem nos pátios enormes, dependendo da caridade das velhas meio doidas que todos os dias percorrem os esconderijos dos gatos com sacos de restos de comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso apartamento ficava na cobertura: para atingi-lo era preciso subir seis lances de escada escura e íngreme. Tínhamos três cômodos e uma sacada. Aluguel o apartamento por causa do terraço; em oposição à vista vasta de meu terraço na Sicília, a sacada oferecia um cenário tranqüilo em miniatura, perfeito como a luz de velas: vários telhados romanos, cor-de-laranja e ocre esmaecidos, e algumas janelas (por trás das quais alguns momentos de vida familiar podiam ser acompanhados). Lola adorava a sacada. Raramente saía de lá. Gostava de se empoleirar na beirada do parapeito de pedra e observar o tráfego na rua de pedras arredondadas, lá em baixo: as velhas que alimentavam os gatos da Margutta; um músico ambulante que aparecia em todas as tardes e tocava gaita de foles até que alguém, sentindo-se chantageado, lhe desse uma moeda; um bem-apessoado afiador de facas que anunciava seus serviços com uma canção entoada no mais feroz barítono (as donas de casa corriam!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o sol brilhava Lola tomava seu banho no parapeito da sacada. Uma sopeira de prata lhe servia de banheira; depois de uma rápida imersão na água rasa, ela abria e fechava as asas, e como se expulsasse uma capa de cristal, sacudia o corpo, inflava as penas; mais tarde, por longas e prazerosas horas, ela tomava sol com a cabeça virada para trás, o bico entreaberto, os olhos fechados. Observá-la era uma experiência apaziguante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O signor Fioli pensava assim. Sentado à sua janela, que ficava exatamente em frente da sacada, ele acompanhava todos os movimentos de Lola, enquanto ela estivesse visível. O signor Fioli me interessava. Dei-me ao trabalho de descobrir seu nome e um pouco de sua história. Ele tinha 93 anos, e aos noventa perdera a capacidade de falar: quando queria atrair a atenção da família (uma neta viúva e cinco bisnetos adultos) ele tocava uma sineta. Fora isso, e embora nunca saísse do quarto, parecia perfeitamente capacidado a cuidar de si. Sua visão era excelente: via tudo que Lola fazia, e se ela cometia um ato que chamasse a atenção pela delicadeza ou estupidez, um sorriso adoçava seu rosto de idoso sério, muito viril. Ele havia sido marceneiro, a empresa que fundara ainda funcionava no térreo do prédio em que residia; três de seus bisnetos trabalhavam lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã - na mesma manhã que antecede o Natal, quase um ano após o dia em que Lola entrou em minha vida - enchi a sopeira de Lola de água mineral (ela preferia tomar banho com água mineral, quanto mais gasosa melhor), levei-a para a sacada e acenei para o signor Fioli (quye, como de costume, estava sentado na beira da janela, esperando para ver o banho de Lola), depois entrei, sentei-me à escrivaninha e comecei a escrever algumas cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, ouvi o tilintar da sineta do signor Fioli: um só já familiar, pois eu o escutava vinte vezes ao dia; mas nunca soara daquele jeito: toques rápidos como a batida de um coração excitado. Eu me perguntei o porquê daquilo e fui espiar: vi Lola, a adoradora do sol, bestificada e encolhida no parapeito - e, atrás dela, um gato amarelado e enorme, um gato que se esgueirara pelos telhados e agora se arrastava sobre a barriga no parapeito, com seus olhos verdes a brilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O signor Fioli tocou a sineta. Eu gritei. O gato saltou, exibindo as garras. Mas, no último segundo, Lola percebeu o perigo. Ela pulou do parapeito, no espaço vazio. O gato decepcionado, o signor Fioli e eu acompanhamos a sua extradordinária descida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Voa, Lola, voa!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas asas, embora abertas, permaneciam imóveis. Lenta e gravemente, como se estivesse presa a um pára-quedas, ela foi descendo, descendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma caminhonete passava na rua, lá embaixo. Primeiro pensei que Lola fosse cair na sua frente: seria um perigo terrível. Mas o que aconteceu foi pior, apavorante, terrível: ela pousou em cima dos sacos que estavam sendo transportados na caminhonete. E ficou lá. E a caminhonete seguiu em frente: dobrou a esquina e sumiu da Via Margutta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Volte, Lola, volte!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri atrás dela; deslizei pelos seis andares de escada de pedra lisa; caí, ralei o joelho, perdi os óculos (eles saltaram dos meus olhos e bateram na parede). Lá fora, corri até a esquina onde a caminhonete virara. Ao longe, para lá da névoa composta de miopia e lágrimas, vi que a caminhonete parara num sinal de trânsito. Mas, antes que eu pudesse alcançá-la, o sinal abriu e a caminhonete, com Lola a bordo, a levou para longe de mim para sempre, perdendo-se no meio do trânsito que circulava pela Piazza di Spagna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos minutos transcorreram desde o ataque do gato, uns quatro ou cinco. Contudo, precisei de uma hora para refazer meu percurso, subir a escada, abaixar e pegar os óculos quebrados. Enquanto isso, o signor Fioli continuava sentado à janela, esperando com uma expressão consternada, sofrida, surpresa. Quando viu que eu havia retornado ele tocou a sineta e me chamou ao terraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lhe disse: "Ela pensava que era outra coisa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele franziu a testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um cão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele franziu a testa com mais força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela foi embora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele entendeu. Baixou a cabeça. Eu também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-7036266963205398261?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/7036266963205398261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=7036266963205398261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7036266963205398261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/7036266963205398261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/lola-truman-capote-1964.html' title='Lola - Truman Capote (1964)'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-4115763764415829910</id><published>2007-04-05T19:58:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T19:59:29.908-03:00</updated><title type='text'>Adoro o bem geral:</title><content type='html'>Sempre faz mal pra mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-4115763764415829910?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/4115763764415829910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=4115763764415829910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4115763764415829910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4115763764415829910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/adoro-o-bem-geral.html' title='Adoro o bem geral:'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-4217047857970919081</id><published>2007-04-05T03:30:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T03:32:56.600-03:00</updated><title type='text'>Anarco-capitalismo e anarco-individualismo são a mesma coisa</title><content type='html'>O anarco-capitalismo (como é chamado) é igual ao anarco-individualismo. Pelo menos igual ao anarco-individualismo americano (Warren, Spooner, Tucker etc) - não tenho muita familiaridade para falar de Stirner, por exemplo (embora ele tenha influenciado Tucker).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bandeiras do anarco-individualismo são as mesmas do anarco-capitalismo. Os ancaps defendem a propriedade privada; os anarco-individualistas também. Spooner e Warren eram explícitos lockeanos. Tucker, proudhoniano, defendia a posse da terra a partir da ocupação e uso (nada inadmissível para um ancap - afinal, entre os liberais, Herbert Spencer, p. ex., chegou a defender o controle comunal da terra). Quanto à propriedade intelectual, em ambos os campos alguns defendem e outros não. Spooner e os demais "natural lawyers" que escreviam na revista Liberty eram notórios defensores da propriedade intelectual. Dos anarco-capitalistas atuais, muitos (acho que até a maioria) defende a extinção das patentes e copyrights. Ou seja, mesma situação do anarco-individualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a suposta diferença é que os ancaps apóiam o mercado e os aninds não, é falso. Tucker dizia com todas as letras defender o mercado. De fato, se você defende a propriedade privada, você defende o mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a diferença é a de que os anarco-individualistas eram "socialistas", é falsa também, porque eles usavam os termos capitalismo e socialismo de forma diferente ("socialismo" significava a posse do trabalho do próprio produto e "capitalismo" significava o sistema de privilégios monopolísticos ao capital). Os ancaps só usam uma terminologia diferente ("capitalismo" é livre-mercado, "socialismo" é centralização e controle estatal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença reside no fato de que os ancaps defendem forças privadas de defesa em vez do estado? Mas Tucker também defendia. E Spooner. E Proudhon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, não acho que o fato de o anarco-capitalismo seja diferente do anarco-individualismo por causa de uma teoria do valor diferente. Primeiro porque isso não impede que os ancaps, mesmo com uma teoria subjetiva, façam uma análise da exploração estatal. Segundo porque os autores liberais clássicos eram considerados "capitalistas" (embora não usassem o termo, como aliás nem Spooner usava o termo "anarquia") e utilizavam a teoria do valor-trabalho (e, aliás, também faziam uma análise de classe, como os liberais franceses).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim, só uma teoria do valor não é suficiente para distanciar uma tradição de outra. A diferença tem que ser substancial (até porque não há nem concodância dentro do anarco-capitalismo, e mesmo assim ninguém diz que David Friedman faz parte do "anarco-conseqüencialismo" e Rothbard do "anarco-naturalismo").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os rótulos "anarco-capitalismo" e "anarco-individualismo" sumissem de repente e só existisse um rótulo, "anarquismo de mercado", ninguém ia notar a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, claro, é a reação instantânea dos esquerdistas e anarquistas tradicionais a qualquer coisa que tenha a palavra "capitalismo" no meio. E a escolha infeliz de uma palavra tão dúbia quanto "capitalismo" pra nomear a teoria (não que a palavra "socialismo" seja menos dúbia...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ancapismo mereceria uma estudada nem que fosse por curiosidade. Os ancaps realmente se mostraram dispostos a demonstrar a viabilidade do próprio sistema (desenvolvendo a teoria, exemplos históricos, etc). Os outros anarquistas parecem que meio pararam no tempo em Bakunin. (E com infantilidades do tipo "anarquistas de verdade não comem carne".)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-4217047857970919081?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/4217047857970919081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=4217047857970919081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4217047857970919081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/4217047857970919081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/anarco-capitalismo-e-anarco.html' title='Anarco-capitalismo e anarco-individualismo são a mesma coisa'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6466625789825082984</id><published>2007-04-03T07:00:00.000-03:00</published><updated>2007-04-03T06:59:54.374-03:00</updated><title type='text'>Como me tornei um liberal</title><content type='html'>Esse foi um texto que postei há um tempo numa comunidade do orkut, mas esqueci de postar aqui. Então lá vai:&lt;blockquote&gt;Eu nunca fui marxista, era um tipo de social-democrata senso comum (defensor de cotas, p. ex.). No ensino médio, eu me interessava por história e política e, assim, acabava comprando a versão socialista do mundo dos meus professores. O que eu estranhava, no entanto, era o fato de autores que se diziam "críticos" não rejeitarem tanto a idéia do individualismo. Para mim, era a própria qualidade de indivíduo deles que permitia que eles criticassem qualquer coisa. Me parecia que eles confundiam individualismo com ganância ou egoísmo. Anyway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo ano do ensino médio, quando eu tinha 16 anos (hoje tenho 19, não faz tanto tempo), eu achei alguma coisa na internet sobre individualismo, e achei incrível existir &lt;em&gt;outra versão dos fatos&lt;/em&gt; (estudantes do ensino médio não sabem que existe mais de uma interpretação das coisas, muito embora a maioria que goste de história e política fique xingando os outros de alienados etc). Descobri até que existia uma explicação diferente e mais coerente da crise de 29, achei sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi só por causa de um artigo de Alceu Garcia no antigo Indivíduo que eu me interessei definitivamente pelo liberalismo e especificamente por economia. Eu nunca achei que a maior parte das coisas que se dizia sobre economia fazia sentido. Inflação, pra mim, sempre foi expansão monetária e não "aumento geral no nível de preços". Inclusive, em qualquer aula sobre de história do Brasil o encilhamento, nós vemos que foi a expansão desenfreada de moeda que levou a República Velha ao colapso econômico. A partir desse artigo de Alceu Garcia, eu fui procurar mais coisas sobre a escola austríaca (eu já vi essa história sendo contada tantas vezes que podia editar um livro chamado "It Usually Begins with Alceu Garcia"). O que me atraiu nela foi que os austríacos tentavam apresentar uma explicação dedutiva da economia, com conclusões inequívocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, embora a escola austríaca fizesse uma defesa convincente da economia de mercado, para mim faltava alguma coisa. Eu precisava de uma defesa moral da propriedade privada. Eu já conhecia a tradição do jusnaturalismo e, para mim, parecia plausível que todos tivessem direito às suas propriedades. Esse é o senso de justiça de todo mundo (não roubar), embora muitas vezes as pessoas não ajam de acordo com ele (como quando elas votam por medidas regulatórias e redistributivas). Enfim, procurando por uma justificativa moral da propriedade privada, eu encontrei Robert Nozick e Ayn Rand. Eles também me atraíram porque não eram anarquistas e na época eu não queria rejeitar completamente o estado. Eu detestei Anarquia, Estado e Utopia, de Nozick. Atlas Shrugged de Ayn Rand também não me convenceu que A = A justificava moralmente a propriedade privada. Foi só quando eu encontrei um artigo de Hans Hoppe sobre o tema que eu me convenci da moralidade da propriedade privada (eu também já li críticas a ele, mas me parecem misguided).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, uns seis meses atrás eu comecei a visitar os blogs da libertarian left e, ao ler um debate de Roderick Long com um objetivista, me convenci que o anarco-capitalismo não só é viável, mas é moral e economicamente superior. That's where I stand.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6466625789825082984?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6466625789825082984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6466625789825082984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6466625789825082984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6466625789825082984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/04/como-me-tornei-um-liberal.html' title='Como me tornei um liberal'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-1440224222047866472</id><published>2007-03-11T20:11:00.000-03:00</published><updated>2007-03-11T20:12:46.664-03:00</updated><title type='text'>Veja e a revolução</title><content type='html'>Esta semana, na Carta ao Leitor, a Veja decidiu parar de grafar "Estado" assim, com inicial maiúscula. Diz que é porque se "indivíduo" é iniciado por minúscula, Estado deve ser também - Estado é inferior aos indivíduos, ou está na mesma classe, não me lembro bem. Sei que a Veja busca um "equilíbrio" entre Estado e indivíduo - algo como você poder me semi-matar, mas não matar por inteiro, sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu continuarei escrevendo Estado como manda o Aurélio. Mas isso não é ostentação ou algo assim. É para lembrar que, no Brasil, o Estado é, sim, maiúsculo, gigantesco. Acredito, inclusive,que deveria ser escrito com 50% de suas letras maiúsculas, representando os 50% de impostos, mas, em nome da estética, não adotarei esse método ("ESTado ou EsTaDo?", perguntou-me o &lt;a href=http://manipulacao.blogspot.com&gt;frost&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____&lt;br /&gt;Em países em que o Estado é menor, observou a revista, a palavra é grafada com inicial minúscula - para exemplificar utilizou a língua inglesa. Na França a inicial é maiúscula, e lá o Estado é grandão. Não acho que essa inicial seja reverente: é uma denúncia. Em países onde Estado é grafado com inicial maiúscula há uma forma de protesto implícita na língua, a vontade do povo de chamar atenção para o tamanho do Estado, mostrar como ele ocupa espaço, como ele está onde não deveria: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Veja, nós te notamos, Estado. Nós sabemos que você é grande e não gostamos disso. Você nos faz gastar mais tinta com impressão", diz o povo ao grafar Estado com inicial maiúscula. A Veja só errou a interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____&lt;br /&gt;Mais adiante, a Veja cita Paul Valéry numa frase que diz algo como "Estado não é bom nem demais, nem de menos". Eu acho que quanto menos melhor. De fato, eu defendo o Estado negativo. O Estado que, ao invés de gerar gastos, gere riqueza do nada, como do nada faz surgir suas despesas. Estado é sempre excesso e é sempre ruim. Quanto menos, melhor. E o mínimo possível tende ao infinito: o infinito negativo. Quando o Estado for assim, infinitamente negativo, ninguém jamais precisará trabalhar, porque não haverá mais escassez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é só uma demonstração de como o Estado é muito, muito nocivo para a sociedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-1440224222047866472?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/1440224222047866472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=1440224222047866472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1440224222047866472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/1440224222047866472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/03/veja-e-revoluo.html' title='Veja e a revolução'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-6892846380980143723</id><published>2007-03-06T12:23:00.000-03:00</published><updated>2007-03-06T12:27:35.253-03:00</updated><title type='text'>A escravidão parcial (ou o porquê de o Brasil não ser consistente)</title><content type='html'>Dizia Bastiat que não se deve recusar um dom parcialmente gratuito e aceitar outro de gratuidade completa. Pois digo eu aqui uma conclusão óbvia a que se chega a partir dessa observação de Bastiat: não é possível ser contra a escravidão total se se defende a escravidão parcial. É algo ainda mais ilógico que aceitar o sol e recusar lâmpadas mais baratas: é recusar o sol e aceitar as lâmpadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, no Brasil (e não só no Brasil, mas em todo o resto do mundo), as pessoas não se incomodam por ser &lt;em&gt;parcialmente escravas&lt;/em&gt; ou por existir essa &lt;em&gt;escravidão parcial&lt;/em&gt;. Todos são obrigados a dar parte do fruto de seu trabalho para um senhor de engenho que, em troca, não provê mais do que proviam os senhores do Brasil Colônia. Esse senhor, por excesso de contingente, não consegue empregar todos em suas lavouras, restringe quaisquer trocas alheias a ele e faz surgir, por conta disso, desemprego e tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escravidão do Brasil colonial ainda tinha outra vantagem sobre a atual, além de ser logicamente mais consistente: era aberta. Todos os escravos sabiam que eram escravos, e essa consciência permitia que eles se revoltassem, criassem seus quilombos e resistissem à exploração injustificada. Mas basta olhar para o lado que se encontra alguém que defenda, incansavelmente, a escravidão parcial, o direito do senhor de usurpar parte do meu trabalho em troca de nada ou quase, afirmando que não há nada mais justo que João trabalhar para sustentar Pedro e José.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, ninguém dizia ao escravo que ele era o senhor: seria degradante para o senhor e o escravo, ao cobrar seus "direitos" de senhor e vê-los negados, notaria que não era senhor de coisa alguma. Ninguém acreditaria. A escravidão parcial permite que os senhores finjam ser empregados dos escravos, finjam estar servindo enquanto roubam metade do fruto do trabalho de cada um, enquanto tudo o que fazem é ceder &lt;em&gt;parte&lt;/em&gt; do alimento que ele tem, &lt;em&gt;parte&lt;/em&gt; (ínfima) de tudo o que arrecada. Como se ele repassasse aos escravos o que roubou, mas só depois de gastar o máximo que conseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escravidão parcial perdura justamente por causa disso: é como se Luís XIV bradasse "o Estado são vocês" e nós aceitássemos isso, mesmo vendo que Luís XIV não sai do trono, não trabalha e vive melhor que qualquer escravo, por mais bem sucedido que seja. A escravidão parcial é tão imoral e logicamente inconsistente e economicamente ineficiente quanto a escravidão total. Ou mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-6892846380980143723?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/6892846380980143723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=6892846380980143723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6892846380980143723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/6892846380980143723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/03/dizia-bastiat-que-no-se-deve-recusar-um.html' title='A escravidão parcial (ou o porquê de o Brasil não ser consistente)'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116772412991904161</id><published>2007-01-02T04:50:00.000-03:00</published><updated>2007-01-02T04:49:24.226-03:00</updated><title type='text'>Sobre alguns livros</title><content type='html'>Eu queria comentar sobre esses livros separadamente, mas acabei ficando com uma extrema preguiça. Então vou falar rapidamente dos livros que li no final de 2006 aqui e dar uma notinha para eles, para não ficar assim, em branco, e eu acabar me esquecendo deles. As notas vão de 1 a 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Intermitências da Morte - José Saramago&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Muito engraçado, embora para quem, como eu, não tinha lido nada de Saramago antes, o estilo vá parecer estranho. Plot interessantíssimo, como aliás é também o de outros livros dele, pelo que vi (Jangada de Pedra, por exemplo, é a história da Península Ibérica se destacando da Europa). Nota: 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Os Americanos - H.L. Mencken&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É apenas um ensaio, mas transformaram em livro (uma edição portuguesa de 2005, se não me engano). Poderiam ter aproveitado melhor o livro e colocado mais coisas (as margens das páginas eram enormes, por exemplo). Mas o ensaio é top material - já comentei sobre ele aqui. Nota: 4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Então tá, Jeeves - P.G. Wodehouse&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Muito engraçado, o final é inesperado. Conta ainda com a piada dos dois ciclistas de uma bicicleta dupla, Nicolau e Jackson, que batem num caminhão e se despedaçam; como ninguém sabia quais eram os pedaços de cada um, remontaram uma pessoa só chamada Nixon. Han? Han? Nota: 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sem Dramas, Jeeves - P.G. Wodehouse&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Pior que o de cima, muito por conta da tradução, que é de alguém diferente. Também não conta com a piada do Nixon, o que enfraquece qualquer livro. Nota: 4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Livro das Mil e Uma Noites, vol. 1 - ???&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As histórias são realmente insólitas e espantosas, adjetivos que os árabes apreciam muito, a julgar pelo livro. O principal problema do livro é que muitas de suas histórias são repetitivas. Mas no geral, vale a pena, vou ler o volume 2. Nota: 3,5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Damn good book, mas o Rodka não podia ter se dado mal. Mas temos Match Point para remediar isso, e tem a Scarlett (embora ela devesse ser mais Dúnia, não Sônia, mas eu concedo indulgência a Woody Allen). Nota: 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Twenty Thousand Leagues Under the Sea - Jules Verne&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Verne listar dezenas de espécies, reinos, filos, famílias de animais (marinhos, na maioria) no livro é extremamente entediante. O ponto forte do livro são as aventuras diversas no fundo do mar, é o que salva a nota. O livro seria infinitamente melhor se tivesse um final decente, mas não tem - é um lixo (a propósito, o livro inteiro não tem a menor relação com o final; parece que Júlio Verne só cansou de escrever e disse "ah, vou acabar"). Nota: 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Don Juan - Molière&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nonsense séc. XVII-style. Hilário. Don Juan se casa com todas as mulheres que encontra e ainda arranja um tempinho para jantar com uma estátua - algo perfeitamente natural, porque ele é um cético. Nota: 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A Coisa Não-Deus - Alexandre Soares Silva&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eu já era fã do Alexandre por causa do &lt;a href="http://soaressilva.wunderblogs.com" target="_blank"&gt;blog&lt;/a&gt;, então eu gostei do livro, onde encontrei mais do mesmo (o que é ótimo). Muito engraçado. Nota: 4.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116772412991904161?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116772412991904161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116772412991904161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116772412991904161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116772412991904161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/01/sobre-alguns-livros.html' title='Sobre alguns livros'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116771943918863216</id><published>2007-01-02T03:30:00.000-03:00</published><updated>2007-01-02T03:30:39.200-03:00</updated><title type='text'>Go, João Mellão, mostra pra eles quem é o liberal!</title><content type='html'>Alguém manda uma cartinha para &lt;a href="http://www.mellao.com.br" target="_blank"&gt;João Mellão&lt;/a&gt; perguntando o que é liberalismo e ele responde &lt;a href="http://www.mellao.com.br/a_02_o_liberalismo.shtml" target="_blank"&gt;assim&lt;/a&gt;:&lt;blockquote&gt; O autêntico liberal é aquele que se aceita como falível. Que quando falha admite seu erro e, ao errar, se dispõe a reconsiderar suas verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser liberal, meu caro Denis, é acreditar no homem, no seu potencial construtivo, na sua capacidade de discernimento. Mas ser liberal é também reconhecer que o homem não é perfeito e que, quanto mais poder ele concentra individualmente, maiores são suas chances de errar e se corromper.&lt;/blockquote&gt;Não. Ser liberal é defender as liberdades individuais (econômicas e sociais), só. Espero ter ajudado, Denis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais um comentário:&lt;blockquote&gt;O liberal autêntico desconfia do estado e, preferencialmente, defende a iniciativa privada. Já o dogmático se recusa a ver no estado qualquer virtude e acredita que a iniciativa privada é sempre eficiente, construtiva e eficaz.&lt;/blockquote&gt;Isso não é verdade. Eu sou muito dogmático e mesmo assim consigo ver virtudes nas piores coisas do mundo. A Máfia é uma gangue de criminosos, mas dão bons filmes. Talvez o governo dê bons filmes também (essa é uma virtude, certo?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116771943918863216?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116771943918863216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116771943918863216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116771943918863216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116771943918863216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2007/01/go-joo-mello-mostra-pra-eles-quem-o.html' title='Go, João Mellão, mostra pra eles quem é o liberal!'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116719532102332640</id><published>2006-12-27T01:55:00.000-03:00</published><updated>2006-12-27T02:00:03.143-03:00</updated><title type='text'>Sobre leis e honestidade</title><content type='html'>As pessoas pensam que tudo pode ser evitado através de leis. Uma vez, na faculdade, um professor meu citou uma lei qua proibia, por exemplo, oftalmologistas de terem lojas de óculos, porque isso daria abertura para uma potencial desonestidade dele. Ele realmente achava que uma lei impediria que um médico abrisse uma loja, digamos, no nome de um laranja? Ou que fizesse uma aliança com um vendedor de óculos? Esse tipo de coisa é impossível de ser fiscalizada. Querendo ou não, estamos à mercê dos oftalmologistas. Estranhamente, nem toda a população mundial usa óculos ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa noção de que todos são desonestos a não ser que a lei os obrigue a agir direito é incrivelmente estranha. Se as pessoas soubessem o quanto da vida delas depende pura e simplesmente da honestidade das outras, provavelmente não viveriam mais. Ou você entende alguma coisa dos mecanismos da sua televisão? Mas quando ela está com defeito, você acredita que o técnico a consertou da melhor maneira possível. O encanamento da sua casa está vazando? Você chama um bombeiro. Ele pode apenas remendar porcamente seus canos, mas você acredita que ele fez um bom trabalho. Você realmente acha que ele te enganou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que quando se trata de advogar uma lei qualquer de "proteção" ao consumidor, as pessoas passam a desconfiar prontamente umas das outras. Pensam que o estado poderá protegê-las das outras. Mas isso é uma esperança ilusória. É impossível, por motivos meramente práticos, que o estado regule todas as áreas da nossa vida. E mesmo que existam leis para tudo, por que haveriam de ser cumpridas? Se as pessoas são tão desonestas, é de se esperar que não se impotem com esse tipo de coisa. E por que os funcionários estatais haveriam de aplicar essas mesmas leis? Não estariam eles sujeitos ao mesmo tipo de corrupção do resto da humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe nenhum modo de fazer com que leis nos protejam de todas as adversidades da vida. Esse tipo de fé cega tem que acabar imediatamente. E o mercado é a única instituição que premia a honestidade e pune a desonestidade. Aliás, na próxima vez que você for fazer um contrato, lembre-se de que aquele que está na sua frente o assinando é um potencial ladrão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116719532102332640?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116719532102332640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116719532102332640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116719532102332640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116719532102332640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/12/sobre-leis-e-honestidade.html' title='Sobre leis e honestidade'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116692380829370185</id><published>2006-12-23T22:28:00.000-03:00</published><updated>2006-12-23T22:30:46.760-03:00</updated><title type='text'>Algo com o extremismo</title><content type='html'>As pessoas, em geral, quando ouvem falar em "extremismo", tremem. É como se um extremista fosse sempre um assassino pela causa ou algo assim. Isso faz com que todos sejam extremamente permissivos. É como se Hitler fosse o único extremado do planeta e como se Gandhi fosse um moderado. Gandhi não permitia o consumo de "alguns" produtos ingleses em seu boicote. Era extremado, por isso conseguiu mudar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se se permite um pouquinho mais aqui, outro tanto ali, acaba-se aceitando tudo exatamente como está, ou pior. Para o bem, apenas o extremismo é capaz de mudar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o medo das medidas extremas é mais forte para a maioria dos capitalistas, inclusive. Acabam cedendo um pouquinho pro Estado. Mais um pouco, outro tanto, e, de repente, instaura-se o comunismo. Comunismo é, por assim dizer, a doutrina das permissões. Permite-se que o Estado roube de todos, que alguém menos produtivo roube de você e que você roube de alguém mais produtivo. É a tolerância ao crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cinismo, não menos, pessoas dizerem que defendem a propriedade privada e o saque simultaneamente. Um mínimo de saque permitido corrompe a propriedade privada. Pode-se dizer, portanto, que quem permite o mínimo de saque permite o fim da propriedade privada como última conseqüência de seus desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a justificativa do anarco-capitalismo: a intolerância ao saque. Grosso modo, pode-se dizer que existem apenas dois "sistemas": um permite o saque e descamba em comunismo, o outro é contra saque e leva ao anarquismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preferível, mesmo, um sistema que assume o saque como prioridade a um que finge ser contra ele. O primeiro é mais vulnerável, por se apoiar em bases podres; o segundo resiste por mais tempo, porque, além das bases podres, utiliza-se de subterfúgios "morais". Qualquer radicalismo é mais honesto que qualquer moderação. Qualquer postura é mais honesta que qualquer meio-termismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116692380829370185?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116692380829370185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116692380829370185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116692380829370185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116692380829370185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/12/algo-com-o-extremismo.html' title='Algo com o extremismo'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116565970740536971</id><published>2006-12-09T07:20:00.000-03:00</published><updated>2006-12-09T07:27:43.856-03:00</updated><title type='text'>O que significa se preocupar com os pobres</title><content type='html'>No programa Ação, que eu estava vendo há pouco, Serginho Groisman falava de um programa social implantado na Argentina que consistia em fazer capas de livro com papelão e tinta, para estimular os catadores de papel das ruas. Não sei se o programa era estatal ou privado, mas não me importa. O fato é que isso ilustra a confusão que a esquerda faz entre preocupar-se com os pobres e ter pena deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justo se preocupar com os pobres. Mas uma coisa bem diferente é você fazer capas de livros de papelão e tinta para ajudar os catadores de papel. Eles acham realmente que estão ajudando os pobres com isso? Estimulando o emprego miserável deles? Se preocupar com os pobres não significa admirar a pobreza deles; significa querer tirá-los daquela situação. Os pobres não precisam de pena. Fingir que catar lixo é um trabalho digno e maravilhoso não vai ajudar em nada - só vai aumentar o número de catadores de lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116565970740536971?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116565970740536971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116565970740536971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116565970740536971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116565970740536971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/12/o-que-significa-se-preocupar-com-os.html' title='O que significa se preocupar com os pobres'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116527173678365810</id><published>2006-12-04T19:32:00.000-03:00</published><updated>2006-12-07T09:11:21.176-03:00</updated><title type='text'>Papéis trocados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tá, ok, título clichê, mas o que se pode dizer da expressão "Deus é fiel"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se, de repente, fôssemos nós a ameaçar Deus com pragas no paraíso e a morte do seu primogênito. Por algum motivo, entortaram a história. A fidelidade não deve ser de Deus, porque todos têm vários inimigos acreditando nele ao mesmo tempo e seria impossível seguir fiel a ambos. E, se se trai uma pessoa, deixa-se de ser fiel. É impossível para Deus ser fiel. É como se eu, protestante da Universal, desejasse a morte de um inimigo meu, da mesma igreja, e Deus o matasse e não matasse. Não dá. Talvez ele o deixasse aleijado, um meio termo bastante ponderado, mas eu quero que ele morra, só isso me satisfaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, não, as pessoas insistem em exigir fidelidade de Deus, como se Ele fosse nosso subordinado, nosso empregado. É como um faxineiro pedir ao dono da empresa pra lhe ser fiel. O dono não ganha nada com isso. Há vários faxineiros por aí, poucos empresários. Se o mercado de deuses fosse mais movimentado, poderíamos exigir fidelidade deles, sob pena de trocá-los por outros. Faziam isso na Grécia, e eu acho que era uma atitude bastante inteligente dos gregos essa de cultuar vários deuses. Como tudo é uma questão de fé, sou obrigado a conceder aos gregos o título de fé mais racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Qual é, Poseidon, não vai me deixar navegar? Vou fazer oferendas a Athena, a partir de hoje", diria um grego em ameaça. Certamente Poseidon cederia. Quando só se pode contar com um Deus a história é outra. Um Deus único não tem nada a perder. Se você deixá-lo, ficará sem proteção divina. Não há o direito à troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.s.: O título é clichê, de fato, mas imaginem se eu preferisse chamar o texto de "trocando as bolas com Papai".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116527173678365810?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116527173678365810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116527173678365810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116527173678365810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116527173678365810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/12/papis-trocados.html' title='Papéis trocados'/><author><name>Gustavo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116425318758542512</id><published>2006-11-23T01:30:00.000-03:00</published><updated>2006-11-23T01:05:48.546-03:00</updated><title type='text'>Damn gay culture</title><content type='html'>MSM &lt;a href="http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=5386&amp;language=pt" target="_blank"&gt;informa&lt;/a&gt;:&lt;blockquote&gt;O problema da anorexia me parece ser conseqüência de uma cultura feminista-gay. O impulso que o feminismo deu ao movimento gay vai além da estratégia comum adotada [*].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após décadas de ódio e desprezo dirigidos a um estereótipo de homem, na maioria das vezes insensível demais, macho demais, barrigudo demais, lerdo demais, que gosta demais de carros, churrasco e de assistir ao futebol na TV tomando cerveja, tipo forçado como se vê no filme Telma e Louise, não seria estratégico desprezar a mudança de comportamento obtida.&lt;/blockquote&gt; Ahh, good ol' times quando a gente podia ser gordo, lerdo e insensível sem ser importunado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116425318758542512?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116425318758542512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116425318758542512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116425318758542512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116425318758542512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/11/damn-gay-culture.html' title='Damn gay culture'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-116003034811941573</id><published>2006-10-05T03:36:00.000-03:00</published><updated>2006-10-05T03:39:08.130-03:00</updated><title type='text'>"Quem vota nulo não pode reclamar depois"</title><content type='html'>Na verdade, se realmente há alguém que não pode reclamar, esses são os votantes. Porque ao votar você estaria legitimando o processo de escolha de governantes e qualquer medida que o eleito tomasse (ou pelo menos qualquer medida que o seu candidato tomasse). Quem vota nulo, por outro lado, não legitimou governo algum, portanto permanece com todo o direito de reclamar de qualquer medida imposta sobre si. Todos os que dizem que quem vota nulo "não pode reclamar depois" deveriam calar a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, porém, Lysander Spooner &lt;a href="http://www.lysanderspooner.org/notreason.htm#no6" target="_blank"&gt;já mostrou&lt;/a&gt; que qualquer governo é ilegítimo de qualquer forma e que nenhum voto poderia jamais legitimar governo algum:&lt;blockquote&gt;It cannot be said that, by voting, a man pledges himself to support the Constitution, unless the act of voting be a perfectly voluntary one on his part. Yet the act of voting cannot properly be called a voluntary one on the part of any very large number of those who do vote. It is rather a measure of necessity imposed upon them by others, than one of their own choice. On this point I repeat what was said in a former number, viz.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"In truth, in the case of individuals, their actual voting is not to be taken as proof of consent, &lt;em&gt;even for the time being&lt;/em&gt;. On the contrary, it is to be considered that, without his consent having even been asked a man finds himself environed by a government that he cannot resist; a government that forces him to pay money, render service, and forego the exercise of many of his natural rights, under peril of weighty punishments. He sees, too, that other men practice this tyranny over him by the use of the ballot. He sees further, that, if he will but use the ballot himself, he has some chance of relieving himself from this tyranny of others, by subjecting them to his own. In short, he finds himself, without his consent, so situated that, if he use the ballot, he may become a master; if he does not use it, he must become a slave. And he has no other alternative than these two. In self-defence, he attempts the former. His case is analogous to that of a man who has been forced into battle, where he must either kill others, or be killed himself.(...)"&lt;/blockquote&gt;Logo, tanto quem vota como quem não vota pode e deve reclamar. Qualquer argumento em contrário é falso e a militância anti-voto nulo é idiota.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-116003034811941573?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/116003034811941573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=116003034811941573' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116003034811941573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/116003034811941573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/10/quem-vota-nulo-no-pode-reclamar-depois.html' title='&quot;Quem vota nulo não pode reclamar depois&quot;'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-115967732593902528</id><published>2006-10-01T01:30:00.000-03:00</published><updated>2006-11-16T23:12:43.516-03:00</updated><title type='text'>Os Americanos, H.L. Mencken</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/contrapolitics/osamericanos.jpg" alt="" height="215" width="132" align="left" class="postsimg" /&gt;[U]ma das minhas mais firmes e sagradas crenças, resultado de mais de vinte anos de estudo e apoiada em oração e meditação constantes, é que o governo dos Estados Unidos, tanto no ramo legislativo como no executivo, é ignorante, incompetente, corrupto e repulsivo, e não isento deste julgamento mais do que vinte legisladores no activo e outros tantos agentes do poder executivo. Não deixo também de acreditar piamente que a administração da justiça no seio da República é estúpida, desonesta e contrária a toda a razão e equidade, e não isento deste julgamento mais do que trinta juízes, incluindo dois com assento no Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Estou igualmente convencido de que a política externa dos Estados Unidos - o seu modo usual de lidar com outras nações, amigas ou inimigas - é hipócrita, dissimulada, desonesta e desonrosa, e deste julgamento não admito quaisquer excepções, recentes ou remotas. É minha quarta (e última, para evitar um balanço demasiado deprimente) convicção que o povo americano, grosso modo, constitui a mais timorata, choramingas, pusilânime e ignominiosa multidão de servos e praticantes de ordem unida que alguma vez se juntou sob a mesma bandeira em toda a Cristandade desde o fim da Idade Média, ficando mais timorata, mais choramingas, mais pusilânime e mais ignominiosa cada dia que passa.&lt;/blockquote&gt; O livro fica melhor se trocarmos "americanos" por "brasileiros", fazendo as adaptações necessárias. Todos os que leram o livro, de qualquer país, fizeram o mesmo com relação a seus conterrâneos. É a maneira correta de lê-lo, after all.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-115967732593902528?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/115967732593902528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=115967732593902528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115967732593902528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115967732593902528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/10/os-americanos-hl-mencken.html' title='Os Americanos, H.L. Mencken'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-115889201004048677</id><published>2006-09-21T23:20:00.000-03:00</published><updated>2006-11-16T23:13:14.806-03:00</updated><title type='text'>Oh...</title><content type='html'>&lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/bbc/2527501-2528000/2527614/2527614_1.xml" target="_blank"&gt;Militares dão golpe de estado na Tailândia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v465/clodovil/contrapolitics/allyourbase.jpg" border="0" alt="" width="400" height="271" class="postsimg" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-115889201004048677?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/115889201004048677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=115889201004048677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115889201004048677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115889201004048677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/09/oh.html' title='Oh...'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-115839647240375498</id><published>2006-09-16T05:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-16T05:47:52.410-03:00</updated><title type='text'>Consentimento Implícito</title><content type='html'>Um dos argumentos mais idiotas a favor do Estado é aquele que diz que, por vivermos em determinado país, nosso consentimento às leis a que somos sujeitos está implícito. Afinal, se eu não dou meu consentimento a toda a estrutura do Estado, por que eu simplesmente não vou embora daqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem usa esse argumento só pode ter uma objeção a Hitler: que ele não deu uma chance para os judeus escaparem da Alemanha. Porque, se a emigração fosse livre e os judeus &lt;i&gt;mesmo assim&lt;/i&gt; permanecessem no território alemão, isso implicaria que eles estavam aprovando implicitamente as próprias mortes. Pol Pot, Stálin, Ceaucescu, Castro, Mussolini, Pinochet: a história os perdoaria se eles tivessem mantido a emigração livre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linha de raciocínio do argumento é a seguinte: o Estado é como uma versão gigante das propriedades privadas comuns e, assim, é o legítimo dono de &lt;b&gt;tudo&lt;/b&gt; o que está dentro de suas fronteiras. Do mesmo modo como eu tenho o direito de exigir que meus visitantes não entrem na minha casa de sapatos, o Estado tem o direito de confiscar 40% do meu dinheiro apenas porque eu não mudei de pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que diabos Estado brasileiro é dono de tudo o que está dentro de umas linhas desenhadas no mapa? Apenas porque ele &lt;i&gt;disse&lt;/i&gt; que é? Mas se for assim, se o governo da Zâmbia &lt;i&gt;disser&lt;/i&gt; que sua jurisdição se estende sobre o território da minha casa em Recife, ele terá o direito de legislar sobre mim e me taxar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nonsense ridículo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-115839647240375498?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/115839647240375498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=115839647240375498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115839647240375498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115839647240375498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/09/consentimento-implcito.html' title='Consentimento Implícito'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-115777207179642605</id><published>2006-09-09T00:20:00.000-03:00</published><updated>2006-09-09T00:21:11.810-03:00</updated><title type='text'>Copyrights como contratos</title><content type='html'>Propriedade intelectual não é um tipo de propriedade. Se A vende um CD para B, a propriedade não é mais de A, mas de B. B, conseqüentemente, não tem nenhuma obrigação para com A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, suponha-se que A grave uma sua música num CD. A dará o disco para B sob algumas condições: (1) que B não reproduza sua música em um espaço público sem sua autorização; (2) que B não copie a música para o computador e a distribua pela internet; (3) que B não faça cópias do CD. Se B se comprometer a cumprir as cláusulas 1, 2 e 3, A lhe dará o disco. Se não, não dará. Se B aceitou as cláusulas impostas, estabeleceu-se um tipo de propriedade intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estritamente falando, no entanto, ela não é uma &lt;em&gt;propriedade&lt;/em&gt;, mas sim um contrato. Ninguém pode ser contra esse tipo de propriedade intelectual sem negar qualquer tipo de obrigação contratual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-115777207179642605?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/115777207179642605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=115777207179642605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115777207179642605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115777207179642605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/09/copyrights-como-contratos.html' title='Copyrights como contratos'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-115735665810205903</id><published>2006-09-04T04:55:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T04:58:07.876-03:00</updated><title type='text'>Radicalismo</title><content type='html'>O ótimo de fato é inimigo do bom. Por isso eu só defendo o ótimo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-115735665810205903?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/115735665810205903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=115735665810205903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115735665810205903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115735665810205903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/09/radicalismo.html' title='Radicalismo'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33081164.post-115698902158181427</id><published>2006-08-30T22:45:00.000-03:00</published><updated>2006-08-30T23:07:41.953-03:00</updated><title type='text'>Radio Free Rothbard</title><content type='html'>Excelente artigo. &lt;a href="http://blackcrayon.com/people/rothbard/property/" target="_blank"&gt;Aqui&lt;/a&gt; há um excerto e &lt;a href="http://mises.org/journals/jls/20_2/20_2_2.pdf" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;, o PDF do artigo completo. O foco do texto são os direitos de propriedade sobre o espectro de ondas de rádio, mas outra coisa me chamou a atenção.&lt;blockquote&gt;Frank van Dun, writing in a different context, notes: "Murray Rothbard wisely cut short such an interpretation by insisting that 'property' is a praxeological, not a physicalist concept. Consequently, one's property is only in 'means of action,' not in things as such.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thus the Rothbardian concept is radically different from how we're used to thinking about property. It is not a physical object, nor a rigidly defined spatial boundary; it is "not in things as such," but an exclusive claim to the use of a scarce resource, a claim to the &lt;em&gt;means&lt;/em&gt; of human action.&lt;/blockquote&gt;Ou seja, os direitos de propriedade podem ser estabelecidos &lt;em&gt;praxeologicamente&lt;/em&gt;. Portanto, o Direito Natural não diz respeito à &lt;em&gt;natureza física&lt;/em&gt;, mas à &lt;em&gt;natureza da ação humana&lt;/em&gt;. A falha em perceber isso leva muitas pessoas a abandonarem o Direito Natural e a aderirem a qualquer outra filosofia (utilitarismo, egoísmo stirneriano etc).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33081164-115698902158181427?l=contrapolitics.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapolitics.blogspot.com/feeds/115698902158181427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33081164&amp;postID=115698902158181427' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115698902158181427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33081164/posts/default/115698902158181427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapolitics.blogspot.com/2006/08/radio-free-rothbard.html' title='Radio Free Rothbard'/><author><name>Erick Vasconcelos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17545055301706390800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
